Eleições municipais redesenharam o mapa político e partidário do Maranhão

 

Weverton Rocha, Josimar de Maranhãozinho, Carlos Brandão e Márcio Jerry comandam o novo desenho partidário do MA

As eleições de Domingo redesenharam radical e amplamente o mapa político e partidário do Maranhão desenhado nas eleições municipais de 2016. O PCdoB, que saiu daquelas eleições como o maior partido do estado, perdeu essa posição para o PDT, que emergiu das urnas com 42 prefeitos, seguido de perto pelo PL com 37, e do Republicanos, que conquistou 25 prefeituras, ficando agora em quarto lugar, com 22 prefeitos, contra os 46 que elegera em 2016. O PSDB, que naquele ano saiu das urnas como o segundo mais forte, foi mandado para o rabo da fila, tendo elegido apenas quatro prefeitos, enquanto o PT quase desapareceu do cenário municipal, saindo das urnas com apenas um prefeito, Luiz da Amovelar Filho, reeleito em Coroatá, só ganhando do PV, que não fez prefeitos e estará fora do mapa político municipal a partir de Janeiro. Outros partidos, como PP, DEM, PTB, MDB e PSB conseguiram sobrevida, permanecendo vivos e com algum cacife no contexto político estadual.

Nesse novo tabuleiro, o senador Weverton Rocha, chefe estadual do PDT, sai como vencedor, mas amargando perda de importância política por não ter agora o controle das prefeituras de São Luís, onde tentou sem sucesso eleger uma vice, e de Codó, onde seu prefeito fracassou e o candidato a prefeito foi derrotado. Salvo Bacabal, onde o prefeito pedetista Edvan Brandão se reelegeu com 55% dos votos, e Balsas, cujo prefeito do partido, Erik Costa e Silva, renovou o mandato com mais de 80% dos votos, a maioria dos prefeitos eleitos pelo PDT vai comandar municípios pequenos, que valem política e eleitoralmente pelo conjunto, o que coloca em dúvida o poder de fogo do senador na guerra pelo Governo do Estado em 2022.

Por sua vez, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefe maior do PL, comemora os 37 prefeitos eleitos pelo seu partido, embora corra o sério risco de ficar sem o mais importante deles, São José de Ribamar, onde o candidato do PL, Júlio Matos, pode ter seus votos anulados e ser mandado para casa. Em compensação, o PL vai comandar a estratégica e importante prefeitura de Barra do Corda pelas mãos do deputado Rigo Teles, que tirou o PCdoB do poder no município. Foi uma virada radical e surpreendente. Nas eleições municipais de 2016, o PR, comandado pelo então deputado estadual Josimar de Maranhãozinho, saiu das urnas com apenas sete prefeitos. Agora, rebatizado de PL e tendo seu chefe na Câmara Federal, o partido de Josimar de Maranhãozinho elegeu nada menos que 37 prefeitos, que funcionarão como plataformas para o seu projeto de candidatura ao Governo do Estado.

Na terceira colocação, com 25 prefeitos eleitos, entre eles Fábio Gentil, de Caxias, que foi reeleito com espetaculares 78% dos votos válidos, ficou o Republicanos, comandado pelo deputado federal Cleber Verde e que tem como figura central o vice-governador Carlos Brandão. Em 2016, sob o comando isolado de Cléber Verde, o então PRB elegeu 14 prefeitos, e agora, com o apoio de Carlos Brandão, aumentou expressivamente seu espaço municipal. Isso sem contar com a possibilidade de vir a comandar a Prefeitura de São Luís, caso o seu candidato, Duarte Júnior, venha a vencer o embate do dia 29 contra Eduardo Braide, do Podemos, que, se sair vitorioso, será o único prefeito do Podemos em todo o Maranhão.

O PCdoB perdeu praticamente metade dos 46 prefeitos que elegera em 2016, saindo das urnas de Domingo autorizado a comandar apenas 22 municípios. Comandado pelo deputado federal Márcio Jerry, o partido liderado pelo governador Flávio Dino apostou, sem sucesso, a maior parte das suas fichas em São Luís, com o deputado federal Rubens Júnior, e em Imperatriz, onde concorreu com o deputado estadual Marco Aurélio. Seu candidato em Caxias, deputado Adelmo Soares, entrou sabendo que não tinha e menor chance, o que se confirmou. Além disso, o partido perdeu em Barra do Corda, um município estratégico, para o PL de Josimar de Maranhãozinho. O resultado alcançado pelo PCdoB obrigará o presidente Márcio Jerry a rever as linhas de ação do partido no estado.

Entre os demais partidos, alguns sobreviveram razoavelmente. O PP, por exemplo, comandado pelo deputado federal André Fufuca, elegeu 18 prefeitos, entre eles Luciano Genésio, que renovou o mandato em Pinheiro. Sob o comando do deputado federal Pedro Lucas Fernandes, o PTB emplacou 15 prefeitos. O DEM, comandado pelo deputado federal Juscelino Filho, saiu das urnas com 10 prefeitos, entre eles Assis Ramos, reeleito em Imperatriz, hoje a maior joia do partido. Já o PSC, que tem como chefe maior o deputado federal Aluísio Mendes, elegeu oito prefeitos, enquanto o MDB, liderado pelo deputado Roberto Costa, saiu das urnas conquistando sete municípios. O PSD, comandado pelo deputado federal Edilázio Júnior, elegeu cinco prefeitos, o mesmo número conquistado pelo PSB, comandado pelo prefeito de Timon, Luciano Leitoa, que ganhou cinco prefeituras, entre elas a de Timon.

Com menos de cinco prefeitos saíram das urnas as seguintes agremiações: Patriotas (4), Solidariedade (4), PSDB (4), PMN (2), PSL (2), Avante (1), PROS (1), Cidadania (1) e PT (1). Nesse grupo, vale registrar o tremendo fracasso do PSDB, comandado pelo senador Roberto Rocha; do Cidadania, que leva a assinatura da senadora Eliziane Gama, e do PROS, comandado no Maranhão pelo suplente de deputado federal Gastão Vieira.

Esse novo desenho poderá ter influência expressiva nas definições para as eleições de 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton brigou pelo PDT, Rocha pouco fez pelo PSDB e Eliziane não atuou pelo Cidadania

Weverton Rocha, Roberto Rocha e Eliziane Gama, posturas diferenciadas em relação aos seus partidos

Se de um lado o senador Weverton Rocha (PDT) foi personagem destacada nestas eleições, comandando seu partido, brigando para fortalecê-lo em todos os quadrantes do território maranhense, correndo riscos, amargando perdas, mas também contabilizando ganhos, de outro, a senadora Eliziane Gama (Cidadania) deixou no ar a impressão de que preferiu permanecer distante do grande confronto eleitoral de base. Em outro campo, o senador Roberto Rocha, que comanda o PSDB no Maranhão, viu seu partido correr o risco de desaparecer do mapa elegendo apenas quatro prefeitos.

O senador Weverton Rocha fez o que sua experiência, seu faro e sua ousadia mandaram. Foi para a luta, promoveu articulações, estimulou aliados e viu seu partido sair das urnas com o maior número de prefeitos, mesmo amargando perdas como a de Codó, onde os representantes do partido fracassaram. Weverton Rocha, porém, tombou em São Luís, e precisará de muito tempo para dar uma explicação convincente para o fato de o PDT, que tinha um pedetista na Prefeitura, não haver lançado um candidato, preferindo participar como coadjuvante do DEM. Mesmo com esses gigantescos contratempos, ele saiu das urnas com força política suficiente para ousar em 2022.

No contraponto, o senador Roberto Rocha deixou o PSDB sucumbir. Ao contrário de 2016, quando, sob o comando do vice-governador Carlos Brandão, o PSDB saiu das urnas com 28 prefeituras, agora, com a chefia de Roberto Rocha, o partido dos tucanos conseguiu apenas quatro prefeituras. Sua maior aposta foi Imperatriz, com a candidatura do ex-prefeito e secretário geral do partido Sebastião Madeira, que acabou em terceiro lugar. Roberto Rocha não conseguiu impactar positivamente com uma das suas obras, que foi trazer o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a São Luís e a Imperatriz. O chefe tucano sai das eleições política e partidariamente mais magro, na contramão do seu projeto para 2022.

A senadora Eliziane Gama passou ao largo da movimentação para as eleições municipais. Salvo sua presença em algumas carreatas, eventos de campanha participação moderada na propaganda eleitoral no rádio e na TV em favor do candidato do PCdoB, Rubens Júnior, a presença pessoal e política da senadora não foi percebida. Ao longo da campanha, a fez declarações favoráveis a candidatos, mas nem de longe sou os recursos políticos que o mandato senatorial de assegura.

 

Flávio Dino já se posicionou. Edivaldo Jr. vai se posicionar?

Flávio Dino já posicionado; Edivaldo Jr.: silêncio 

O governador Flávio Dino já se posicionou declarando seu apoio a Duarte Júnior (Republicanos) no 2º turno da corrida para a Prefeitura de São Luís contra Eduardo Braide (Podemos). E corre nos bastidores que ele já deflagrou a operação para mobilizar as forças políticas da aliança governistas para entrar em ação. Esse movimento inclui o deputado federal Rubens Júnior, que poderá declarar apoio ao candidato do Republicanos. Com o posicionamento do governador, as atenções se voltam para o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), que se mantém indiferente à disputa, embora quase ninguém do meio político acredite que ele esteja decidido a entrar para a História esquecido das grandes mobilizações feitas para apoiá-lo em 2012 e 2016.

São Luís, 17 de Novembro de 2020.

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