Eduardo Braide e Duarte Júnior vão para o 2º turno difícil e de desfecho imprevisível

 

Eduardo Braide saiu na frente e medir forças com Duarte Júnior no 2º turno em SL

Eduardo Braide (Podemos), com 193.578 votos, o equivalente a 37,91% dos sufrágios válidos, e Duarte Júnior (Republicanos), com 113.430, ou seja, 22,15%, foram os dois candidatos que o eleitorado ludovicense escolheu para o embate do dia 29, quando decidirá, em 2º turno, quem será o prefeito de São Luís nos próximos quatro anos. O candidato do Podemos não conseguiu alcançar vitória em turno único, passando para o segundo com um bom cacife, enquanto o candidato do Republicanos contrariou as pesquisas e conseguiu avançar pedindo votos e desmontando as ciladas que lhe armaram. Os dois conseguiram carimbar os seus passaportes para a segunda rodada vencendo candidatos politicamente fortes, como Neto Evangelista (DEM), que foi para a guerra com o aval do outrora poderoso PDT e saiu dela com 83.138 (16,24%) dos votos, e Rubens Júnior (PCdoB), que atuou embalado pelo seu partido e pelo apoio declarado do governador Flávio Dino (PCdoB) e do ex-presidente Lula da Silva (PT), o que lhe valeram 54.155 (10,58%).

Os demais candidatos saíram das urnas assim as seguintes: Bira do Pindaré (PSB) com 22.024, Silvio Antônio (PRTB) com 16.070, Jeisael Marx (Rede) com 14.144, Yglésio Moises (PROS) com 9.816, Franklin Douglas (PSOL) com 3.502 e Hertz Dias (PSTU) com 2.173 sufrágios.

Eduardo Braide venceu o primeiro obstáculo depois de uma campanha em que esteve sempre na posição de favorito, o que o transformou em alvo preferencial dos demais concorrentes, situação que lhe impôs uma forte desidratação, num processo registrado pelas pesquisas. Duarte Júnior enfrentou uma situação bem mais complicada a partir do momento em que se consolidou na segunda colocação, tornando-se alvo de ataques duros, alguns pouco republicanos, mas resistindo e reagindo com inteligência, principalmente nas redes sociais, um território que ele domina como poucos.

Ontem mesmo começou a movimentação dos dois candidatos em busca do fortalecimento das suas candidaturas. Eduardo Braide vai tentar atrair eleitores de Neto Evangelista, que se posicionou como o principal adversário de Duarte Júnior, do MDB e devendo também contar com parte dos 16 mil votos dados a Silvio Antônio (PRTB) que por sua vez, já ganhou o precioso aval pessoal do governador Flávio Dino e deve receber o apoio do PCdoB, havendo também quem preveja que essa manifestação levará a maioria dos 54 mil eleitores de Rubens Júnior a migrar para Duarte Júnior. E nesse contexto de quem apoiará quem, duas indagações importantes e, provavelmente, decisivas. A primeira: o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) continuará neutro ou declarará apoio ao candidato da aliança governista? E como se posicionarão o senador Weverton Rocha e o que restou da militância do PDT em São Luís?

Uma avaliação cuidadosa de todas as possibilidades de aliança aponta para a ideia de que, mesmo com a simulação de um 2º turno entre Eduardo Braide e Duarte Jr. feita pelo Ibope indicando favoritismo do candidato do Podemos, o mais sensato é considerar que os dois entrarão na corrida final em posições próximas ou até mesmo zeradas. Basta para isso avaliar o fator matemático: Eduardo Braide e Duarte Júnior saíram das urnas com 60% dos votos, devendo, grosso modo, brigar pelos 40% que votaram em outros candidatos. Será uma guerra pesada de cooptação, na qual os dois usarão todos os instrumentos republicanos ao seu alcance – força partidária, prestígio político, currículo, etc. -, além, é claro, de todo o seu poder de sedução, quesito nos quais os dois são craques.

Ao colocarem suas cabeças nos travesseiros nesta madrugada, Eduardo Braide e Duarte Júnior certamente começaram a traçar estratégias. Suas trajetórias e os seus movimentos durante a campanha mostraram que os dois são políticos personalistas, que confiam muito nos seus próprios tacos, não transformando o apoio de terceiros numa necessidade vital. E pelo que mostraram ontem após a divulgação dos resultados, estão prontos para um embate de juventude, ousadia, ambição, com cada um sabendo exatamente o que ganhará com a vitória e o que perderá com a derrota. Será, portanto, uma campanha dura, com cada passo sendo muito bem medido e pesado antes de ser dado e cada frase precisando ser cuidadosamente elaborada antes de ser prenunciada, tudo dentro da regra decisiva em situações assim: qualquer erro pode produzir um desastre.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Venceram os dois favoritos de um excelente time de candidatos a prefeito de São Luís

Neto Evangelista, Rubens Júnior, Bira do Pindaré, Yglésio Moises, Jeisael Marx, Silvio Antônio, Franklin Douglas e Hertz Dias: um bom time de candidatos para São Luís

O eleitorado de São Luís decidiu ontem sabiamente ao determinar que a eleição do novo prefeito de São Luís se dê em dois turnos. Afinal, com um time formado por uma dezena de candidatos de nível político elevado, seria anormal se a maioria decidisse liquidar a fatura em turno único. Houve momentos feios, censuráveis, mas no geral a disputa se deu dentro dos limites da civilidade, com poucas extrapolações. Além dos dois vencedores, Neto Evangelista fez uma campanha vigorosa e dentro dos padrões convencionais, bem dentro da sua visão de política. Já Rubens Júnior fez uma campanha se colocando como candidato de um grupo, tendo como base central os seus dois principais apoiadores, o governador Flávio Dino e o ex-presidente Lula, sem avançar os limites da boa política.

Bira do Pindaré (PSB) fez uma campanha de altíssimo nível, sem atacar nem ser atacado, dando um bom exemplo do que é possível ser feito disputa como a que está em curso em São Luís, lustrando mais ainda sua respeitável trajetória política. Silvio Antônio se conduziu corretamente, apesar da sua postura abertamente bolsonarista. Jeisael Marx foi uma boa revelação, mostrando-se um candidato inteligente, bem articulado, com boas propostas e uma postura descontraída pelo traquejo de jornalista e apresentador de TV. Yglésio Moises foi um fenômeno à parte: inteligente, bem articulado, conhecimento enciclopédico e primando pela verdade.

Franklin Douglas participaram da disputa e Hertz Dias deram seus recados, mas receberam das urnas uma mensagem forte e dura: o eleitorado de São Luís não quer muita conversa com a esquerda radical que eles representam.

 

 Câmara Municipal saiu das urnas com boa margem de renovação e com a novidade de um mandato Coletivo (PT)

O eleitorado ludovicense não fez a esperada mudança ampla na Câmara Municipal, tendo feito uma renovação expressiva na representação parlamentar. Renovou o mandato do presidente Osmar Filho (PDT) como o mais votado, e aprovou novidades como Otávio Soeiro (Podemos), filho da vereadora Barbara Soeiro e do ex-vereador Albino Soeiro, que corretamente passaram o bastão em frente, e Rosana da Saúde (Republicanos), que saiu das urnas como surpresa e com a obrigação de mostrar serviço. Isso sem falar na boa decisão de dar um mandato integral e legítimo ao jornalista Batista Matos (Patriota) e renovar o mandato do também jornalista Marcial Lima (Podemos), que honrou o primeiro mandato, e na chance que deu aos Sarney de se manter na cena política com uma representante, Karla Sarney (PSD) na Câmara Municipal de São Luís. As urnas de São Luís introduziram na política maranhense a grande novidade do mandato compartilhado ao eleger o Coletivo Nós a única conquista do PT nas urnas de São Luís nestas eleições.

Além dos já citados, foram eleitos: Marquinhos (DEM), Nato Júnior (PDT), Paulo Victor (PCdoB), Fátima Araújo (PCdoB), Concita Pinto (PCdoB), Astro de Ogum (PCdoB), Beto Castro (Avante), Edson Gaguinho (DEM), Chico Carvalho (PSL), Thyago Freitas (DC), Aldir Júnior (PL), Umbelino Júnior (PRTB), Marcial Lima (Podemos), Antônio Garcez (PTC), Domingos Paz (Podemos), Andrey Monteiro (Republicanos), Dr. Gutemberg (PSC), Chaguinhas (Podemos), Ribeiro Neto (PMN), Silvia Noely (PTB), Daniel Oliveira (PL), Álvaro Pires (PMN), Marcos Castro (PMN) e Marlon Botão (PSB).

São Luís, 16 de Novembro de 2020.

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