Eduardo Braide e Duarte Júnior mobilizam forças políticas para o grande embate em São Luís

 

Eduardo Braide recebendo apoio dos deputados César Pires e Glaubert Cutrim e Duarte Júnior recebeu o aval da senadora Eliziane Gama e do Cidadania

A movimentação política e partidária iniciada tão logo as urnas informarem que a eleição do novo prefeito de São Luís será o resultado de um embate entre Eduardo Braide (Podemos) e Duarte Júnior (Republicanos) e cujo desfecho se dará no dia 29, mostrou que por trás dos dois candidatos estão se mobilizando, de um lado, correntes de oposição, e de outro, forças governistas. Eduardo Braide recebeu declarações de apoio de parlamentares como os deputados estaduais César Pires (PV), que é uma das vozes mais ativas do que restou do Grupo Sarney, Carlinhos Florêncio (PCdoB), cuja base é Bacabal, e Glaubert Cutrim (PDT), que tem forte atuação na Capital e em São José de Ribamar, e o deputado federal Gil Cutrim, ex-prefeito da Cidade do Padroeiro. Duarte Júnior, por sua vez, além do apoio declarado do governador Flávio Dino (PCdoB) e do deputado federal Rubens Júnior, ex-candidato do PCdoB, recebeu o aval político e eleitoral da senadora Eliziane Gama (Cidadania), e a adesão de secretários importantes, como Felipe Camarão (Educação), e do suplente de deputado federal Gastão Vieira, presidente estadual do PROS. As manifestações são sinais de como as forças se organizarão em torno dos candidatos.

Uma avaliação cuidadosa e isenta da arrumação das forças políticas mostra claramente que nesse campo Duarte Júnior entra na reta final com uma base que pode lhe dar uma forte e decisiva injeção eleitoral. Já Eduardo Braide deve receber o apoio declarado do senador Roberto Rocha, líder do PSDB estadual, de alguns deputados federais, mas esses, ao contrário dos apoiadores de Duarte Júnior, não têm força eleitoral na Ilha para turbinar uma candidatura a prefeito. Por outro lado, se todas as forças que apoiarão Duarte Júnior o farão às claras, nos bastidores fervilham informações de que uma fatia expressiva, mas não assumida, da aliança governista apoiará o candidato do Podemos, à luz do dia ou de maneira subterrânea.

Dos ex-candidatos, Rubens Júnior já se posicionou declarando apoio a Duarte Júnior. Ontem, Jeisael Marx, ex-candidato do Rede, anunciou sua neutralidade, alegando que nenhum dos dois têm discurso e programa de Governo identificado com as propostas que apresentou durante a campanha. Por sua vez, o deputado Yglésio Moises, candidato do PROS, na contramão da posição tomada pelo presidente do seu partido, e contrariando o discurso da transparência, divulgou em redes sociais que não votará em “bandido, mentiroso e sociopata”, mas sem deixar claro em quem estava atirando. Mirava em Duarte Júnior ou em Eduardo Braide? E para não dar força de verdade aos rumores que estão correndo nos bastidores, o deputado Neto Evangelista, ex-candidato do DEM, que costuma ser direto nas suas manifestações, avisou que dirá hoje qual será o seu caminho. O mesmo se espera de Bira do Pindaré, ex-candidato do PSB.

Vale anotar que, juntos, Neto Evangelista, Rubens Júnior e Bira do Pindaré receberam nada menos que 31% dos votos válidos, o que representa um volume de 179 mil votos, ou seja, o dobro do número de sufrágios que Duarte Júnior, que obteve 22%, precisa para se nivelar com Eduardo Braide, que saiu das urnas com 37% dos votos. Mas é preciso também observar que os pouco mais de 3% de votos (pouco mais de 16 mil) dados pela direita radical a Silvio Antônio, ex-candidato do PRTB, muito provavelmente migrarão para Eduardo Braide. Numa outra perspectiva, essa contabilidade poderá ser fortemente alterada se o prefeito Edivaldo Holanda Júnior entrar na ciranda levando junto o senador Weverton Rocha e o PDT – ou o contrário.

A movimentação política em torno dos candidatos só faz sentido se os apoiadores tiverem cacife para transformar suas palavras de adesão em contribuição eleitoral efetiva. Nesse ponto, o cenário desenhado até ontem à noite era muito mais favorável a Duarte Júnior. Eduardo Braide, por seu turno, tem experiência política e eleitoral suficiente para saber que tem diante dele um movimento poderoso ganhando forma, com o diferencial de que o candidato que o lidera é, como ele, um fenômeno político e eleitoral. Resta saber se terá condições de resistir e manter o favoritismo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Imbróglio eleitoral pode iniciar novo ciclo na política de São José de Ribamar

Se confirmado, Júlio Matos pode mandar Eudes Sampaio e Luís Fernando Silva para casa

Independentemente do desfecho da guerra judicial que envolve a candidatura do ex-prefeito Júlio Matos (PL), o eleitorado de São José de Ribamar foi claro: o quer de volta ao cargo, tendo decidido mandar o atual prefeito, Eudes Sampaio (PTB), para casa, decisão que também inclui um recado direto ao ex-prefeito Luís Fernando Silva de que seu tempo de liderança ali está caminhando para o fim. Ecos desse recado também foram endereçados ao senador Weverton Rocha, que avaliou mal o cenário ribamarense e caiu na hábil conversa do ex-deputado estadual Jota Pinto, que o convenceu de que venceria a eleição.

Os sinais de que esse poderia ser o desfecho dessa disputa foram emitidos há tempos, como que recomendando que os grandes partidos formassem uma frente em torno do prefeito Eudes Sampaio ou de outro candidato, de modo a enfrentar surpresas. Mas as vaidades, a ideia ultrapassada de domínio de território e as jogadas espertas inviabilizaram qualquer proposta de aliança. O grande responsável pela situação ali criada foi o fosso aberto entre o ex-prefeito Luís Fernando e o ex-prefeito Gil Cutrim (PDT), juntamente com seu pai, o ex-deputado e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Edmar Cutrim, e seu irmão, o deputado estadual Glaubert Cutrim (PDT). As diferenças de ex-aliados se transformaram em ódio visceral, fazendo a política de São José de Ribamar, o terceiro maior e mais importante colégio eleitoral do Maranhão, num bateu-levou entre desafetos. E foi nesse ambiente de tensões que Júlio Matos montou sua estratégia de manter seu espaço sem se ligar e nenhum grupo. Deu no que deu.

A decisão do TRE de validar o registro da candidatura de Júlio Matos, mesmo com a manifestação contrária do Ministério Público, indica que ele assumirá o cargo e governará a cidade, comandando uma guinada de muitos graus na política ribamarense.

 

Flávio Dino critica Paulo Guedes em conferência virtual com universidade francesa

Flávio Dino durante conferência virtual com universidade francesa sobre o Brasil

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) causava, ontem, perplexidade aos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da China, Xi Jinping, e da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e ao premier da Índia, Narendra Modi, na reunião virtual dos BRICS, com um discurso alinhado ao seu ídolo, o derrotado presidente norte-americano Donald Trump, e totalmente desconectado da realidade planetária, o governador Flávio Dino (PCdoB) dava mais uma demonstração de que tem bagagem e autoridade política e administrativa para criticar duramente o Governo bolsonarista. E o fez na conferência virtual “Pour Le Brésil”, promovida pela universidade Sciences Po, ao criticar duramente a política econômica do atual Governo, comandada pelo ministro Paulo Guedes, um banqueiro defensor intransigente da doutrina liberal.

O governador declarou que nunca ouviu o ministro da Economia, Paulo Guedes, falar sobre desigualdade, pobreza e crescimento econômico. “São termos que ele não conhece. Paulo Guedes quer se manter fiel aos seus dogmas, que não são condizentes com a realidade. O problema dele é com a Sua Excelência, a realidade”, estocou o dirigente maranhense.

Durante a conferência, Flávio Dino destacou a situação do Maranhão, que vem vivenciando um sólido processo de crescimento, como registrou o PIB de 2018, divulgado recentemente pelo IBGE, que mostra que, enquanto o crescimento do Brasil foi de 1,8%, o Maranhão cresceu 2,9%, sendo o maior crescimento da região Nordeste, um número acima da média nacional.

– No Maranhão estamos no 4º ano seguido de saldo positivo na geração empregos, apesar da conjuntura inóspita. É preciso rever postulados, como o papel dos bancos e fundos públicos. Estamos falando de centenas de milhões de reais que poderiam ser investidos em serviços e obras públicas para geração de empregos – assinalou Flávio Dino.

O chefe do Governo do Maranhão fez questão de destacar um dos pilares do sucesso da sua gestão:  “Um dos segredos do Maranhão é a gestão honesta, com probidade no trato do dinheiro público, o que significa muito na justiça da alocação dos recursos públicos”.

São Luís, 18 de Novembro de 2020.

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