Com 892 mil eleitores, municípios da Ilha serão palco de forte disputa para o Palácio dos Leões

 

Eduardo Braide, Júlio Matos, Paula Azevedo e Eudes Barros: campos políticos e eleitorais diferentes

Nenhum dos pré-candidatos a governador tem situação confortável na Ilha de Upaon Açu. As eleições municipais quebraram o arremedo de unidade política e partidária que vinha sendo mantido na região metropolitana já com certa dificuldade. São Luís (699 mil), São José de Ribamar (105 mil), Paço do Lumiar (68 mil) e Raposa (19 mil) abrigam hoje 892 mil eleitores, devendo chegar perto de 1 milhão de votos a serem buscados pelos aspirantes ao Palácio dos Leões em 2022. Não será uma “caçada” fácil, a começar pelo fato de que a Capital, com a eleição de Eduardo Braide (Podemos), São José de Ribamar, com a volta de Júlio Matos (PL), e Raposa, que elegeu Eudes Barros (PL) mudaram radicalmente seus políticos, permanecendo apenas Paço do Lumiar sob a mesma orientação política com a reeleição da prefeita Paula Azevedo (PCdoB). A conclusão de qualquer avaliação é que esse novo cenário poderá produzir resultados imprevistos e até mesmo surpreendentes, que poderão se refletir no quadro geral da eleição do futuro governador.

O caso de São Luís é o mais importante. Depois de duas décadas sob o controle político e administrativo do PDT – período só interrompido pelo mandato-surpresa de João Castelo (PSDB), de 2009 a 2012, a Prefeitura da Capital, a mais forte e mais importante do Maranhão, caiu nas mãos da Oposição, liderada pelo agora prefeito Eduardo Braide, de um partido de centro-direita, dono de voo próprio e disposto a emplacar um projeto de poder amplo e audacioso, e que por isso dificilmente “entregará o ouro” a adversários, o que o faz cauteloso por enquanto. Mas ninguém duvida que a São Luís será palco de uma disputa renhida entre o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD) e o senador Weverton Rocha, que conta com a ainda influente militância do PDT, ou com o vice-governador Carlos Brandão, ou mesmo entre os três. O senador Weverton Rocha, que o apoiou no 2º turno, espera uma contrapartida, de olho nos movimentos do ex-governador José Reinaldo Tavares, de cujo governo Eduardo Braide participou como presidente da Caema e de quem recebeu apoio nos dois turnos, o que pode beneficiar a Carlos Brandão, cabendo lembrar que ele será governador e brigará pela reeleição. Edivaldo Holanda Jr. entra com o cacife de ex-prefeito que realizou um bom trabalho na Capital.

O caso de São José de Ribamar, que abriga 105 mil eleitores, chama a atenção para o fato de o prefeito Júlio Matos ser política e partidariamente ligado ao deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) e pré-candidato a governador. Mesmo tendo vencido a eleição com boa vantagem, o prefeito Júlio Matos parece não ter o controle da maioria, travando ali uma dura disputa com as forças comandadas pelo ex-prefeito Luís Fernando Silva (PSDB), líder de uma grande fatia do eleitorado ribamarense e hoje visto como um dos principais coordenadores da pré-campanha de Carlos Brandão. Por conta de todas essas circunstâncias, e mais ainda a força política da família Cutrim, representada pelo deputado federal Gil Cutrim (Republicanos) e que já foi prefeito dali, e seu irmão, deputado estadual Glaubert Cutrim, que apoiam o pedetista Weverton Rocha, é difícil prevê para onde irá a maioria de votos de São José de Ribamar em 2022.

Josimar de Maranhãozinho também tem forte influência na movimentação política de Raposa, onde se encontram 19 mil eleitores, aliado que é do prefeito Eudes Barros, membro do seu partido e a quem ajudou decisivamente durante a campanha. Mesmo assim, é provável que a maioria do eleitorado raposense venha a apoiar o candidato governista.

Não há dúvida de que a prefeita de Paço do Lumiar, Paula Azevedo, fechará com o candidato apoiado pelo Palácio dos Leões, seguindo a orientação do PCdoB e do governador Flávio Dino. Paula Azevedo, que se reelegeu com o apoio decidido das forças governistas, tem dado seguidas demonstrações de alinhamento ao PCdoB e ao governador Flávio Dino, estando inclinada para apoiar a candidatura do vice-governador Carlos Brandão, que será governador a partir de abril. Ali também o ex-prefeito Domingos Dutra, que deixou o PCdoB para voltar ao PT, trabalhará pelo vice-governador Carlos Brandão, a quem declarou apoio há duas semanas.

Tal cenário indica que, por causa dos resultados das eleições municipais, a Ilha de Upaon Açu será palco de uma intensa disputa na eleição do ano que vem para o Palácio dos Leões.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Governadores do Nordeste divulgam Carta em defesa da normalidade democrática

Flávio Dino: nova carta 

O governador Flavio Dino (PSB) participou ontem de mais uma iniciativa de governadores do Nordeste no sentido de firmar posição contra as tentativas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus aliados e seguidores investirem em ações destinadas a fragilizar os Poderes da República com o objetivo de criar as condições para um golpe de Estado e a implantação de um regime de exceção. Divulgada ontem, em Natal (RN), com a assinatura do governante maranhense e dos seus colegas Wellington Dias (PI)), Renan Filho (AL), Rui Costa (BA), Camilo Santana (CE), João Azevedo (PB), Fátima Bezerra (RN) e a vice-governadora Luciana Santos (PE), a Carta tem o seguinte teor:

Os governadores do Nordeste, reunidos em Natal (RN) nesta data, conclamam a sociedade e as instituições a uma atitude firme em defesa da legalidade e da paz. Somente assim o Brasil terá condições de combater a inflação, o desemprego e a pobreza, que crescem nos lares das famílias da nossa Nação.

Reafirmamos que as instituições estaduais cumprirão a missão de proteger a ordem pública e, por isso mesmo, não participarão de qualquer ação que esteja fora da Constituição.

Não permitiremos que atos irresponsáveis tumultuem o Brasil.

 

Assembleia Legislativa vai definir política estadual de resíduos sólidos para acabar lixões

Rafael Leitoa

Por meio da Comissão de Meio Ambiente (CMA), a Assembleia Legislativa iniciou a elaboração de um calendário de audiências públicas regionais para debater as bases de uma política estadual de resíduos sólidos, previstas no Projeto de Lei Ordinária (PLO) 233/2015, de autoria do deputado estadual Rafael Leitoa (PDT), o qual define a política de resíduos sólidos para o Maranhão. As audiências têm como meta inicial a criação de mecanismos legais e técnicos que levem ao fim dos lixões, que hoje são o principal fator de risco à saúde pública na quase totalidade dos municípios.

O primeiro passo foi dado ontem em reunião da CMA, comandada pelo deputado Rafael Leitoa (PDT), que é engenheiro civil e tem noção precisa do tamanho do problema no Maranhão. O dado mais preocupante é que a quase totalidade dos municípios maranhenses não têm política adequada de armazenamento e tratamento de resíduos sólidos. Cerca de 200 dos 217 municípios maranhenses se valem dos lixões a céu aberto, nas imediações das áreas urbanas, sem qualquer estrutura técnica de armazenamento e tratamento do lixo que é produzido diariamente pelas populações municipais. À exceção de São Luís, que hoje tem uma política adequada de coleta, tratamento, armazenamento de resíduos sólidos em aterro sanitário, realizando também uma política de reciclagem.

Balsas e Pinheiro serão as primeiras cidades a sediar encontros regionais com essa finalidade.

São Luís, 26 de Agosto de 2021.

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