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PT resolve crise e define presidente, mas continua dividido na corrida aos Leões

Francimar Melo reassume o comando do PT

A reviravolta no comando do PT no Maranhão, com a decisão judicial que confirmou a reeleição do presidente Francimar Melo, da corrente CNB, levando-o a reassumir direção da legenda, criou em alguns observadores a impressão de que, voltando à “normalidade” doméstica, o braço maranhense do partido do presidente Lula da Silva definiria de vez a sua posição na corrida ao Governo do Estado. Mas, conforme petistas de proa, a solução da disputa internas não terá nenhuma influência no rumo que o PT regional definirá em relação à corrida ao Palácio dos Leões. Essa definição será o resultado de um amplo entendimento entre o PT maranhense e o comando nacional do partido, com o aval do presidente Lula da Silva. Isso significa dizer que até aqui o PT continua com duas inclinações colocadas sobre a mesa: confirmar a candidatura do vice-governador Felipe Camarão, que lidera um dos grupos da CNB no estado, ou fechar com o governador Carlos Brandão (sem partido) o apoio à candidatura de Orleans Brandão (MDB). Não existe a opção de ficar no muro.

É dominante entre as lideranças do partido a certeza de que a palavra final sobre posição do PT no estado será do presidente Lula da Silva, com o aval da direção nacional. Não há como ser diferente, já o partido está dividido no estado e não consegue articular uma solução consensual. Com vários candidatos a deputado federal e a deputado estadual, a maioria deles ocupando cargos de relevância no Governo do Estado. Mesmo sabendo que depois do dia 04 de abril será cada um para seu lado, o PT governista parece querer a garantia de que os candidatos petistas terão algum tipo de apoio durante a campanha, o que não faz sentido.

Sem estarem diretamente envolvidos na guerra pelo voto, os petistas ouvidos pela Coluna têm olhares diferenciados em relação ao quadro político maranhense, mas comungam no ponto central da questão: exibem a convicção de que o rumo do PT na corrida aos Leões será resolvido pela cúpula nacional, com a palavra final do presidente Lula. E com um detalhe, essa decisão só será tomada depois do 04 de abril, pois há no partido quem acredite que ainda pode haver uma mudança de posição por parte do governador Carlos Brandão.

Além das fronteiras do partido, situações que contrariam expectativas otimistas estão ganhando forma. Começa com a determinação do vice-governador Felipe Camarão manterá a sua candidatura ao Governo do Estado, repetindo, diária e enfaticamente, que sua candidatura não tem volta, assumindo ou não o Governo. Por outro lado, o governador Carlos Brandão tem dito e repetido que não renunciará para ser candidato ao Senado e que não abre mão da candidatura de Orleans Brandão (MDB) à sua sucessão, que será oficialmente lançada no próximo dia 14, com o apoio de 11 partidos. Essas posições, todas dadas como irreversíveis pelos seus protagonistas, são os obstáculos que tornam quase impossível a reconstrução de uma aliança para as eleições, o que deixa o PT numa situação no mínimo incômoda.

O fato é que o PT normalizou a sua situação doméstica, mas está longe, muito longe de definir o seu caminho na sucessão estadual. A definição do comando partidário tem o lado positivo de definir um interlocutor que fale e aja em nome do partido. Caberá, portanto, ao presidente Francimar Melo assumir uma interlocução que reúna as diversas correntes do partido e tentar colocar a sucessão na mesa de discussão, de modo que o partido construa um projeto de unidade em torno do que for melhor para o projeto de reeleição do presidente Lula da Silva. Se isso será possível ou não, isso o mundo político e o eleitorado saberão nos próximos dias.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão recebe o título de Doutor Honoris Causa da Uemasul

Entre o prefeito de Imperatriz
Rildo Amaral (PP), a reitora Lucélia
Gonçalves e o deputado federal
Josivaldo JP (PSD),
Carlos Brandão exibe o título

O governador Carlos brandão é o mais novo detentor do título de Doutor Honoris Causa concedido pela Uemasul. O diploma lhe foi entregue ontem, no ato em que a professora Lucélia Ferreira Lopes Gonçalves foi reconduzida ao cargo de reitora da instituição. No mesmo ato, o mandatário maranhense nomeou 35 professores e assinou ordem de serviço para a implantação do Hospital Universitário da Uemasul.

Oriundo dos quadros da Uema, onde se graduou veterinário, e foi, como vice-governador, um dos avalistas da divisão da antiga instituição para a criação da Uemasul no Governo Flávio Dino, o governador Carlos Brandão abraçou a causa quando assumiu o comando do Estado, fazendo uma série de investimentos da instituição Tocantina.

A concessão do título de Doutor Honoris Causa não é gratuita, ao contrário, é uma manifestação de reconhecimento pelo que o seu Governo tem feito para tornar a Uemasul uma instituição com ensino de qualidade.

– Para mim é motivo de orgulho. Isso aumenta mais o nosso compromisso no sentido de continuar trabalhando e levando benefícios à classe docente e aos alunos dessa brilhante universidade – declarou o governador Carlos Brandão em tom de agradecimento.

A solenidade na Uemasul foi parte da programação da semana em que Imperatriz detém o status de capital do Maranhão, conforme a Lei Estadual nº 11.904/2023. Desde terça-feira o Poder Executivo Estadual encontra-se instalado na Princesa do Tocantins. Na agenda de ontem, o governador Carlos brandão se reuniu com líderes empresariais de Imperatriz e da região e visitou Campestre, onde, entre outras ações, entregou o Colégio Militar 2 de Julho e uma Estação Tech.

Entidades empresariais reúnem deputados para discutir o desenvolvimento do Maranhão

Iracema Vale e os líderes empresariais Edilson Baldez e Cláudio Azevedo
entre os deputados Catulé Jr., Osmar Filho, Ariston Pereira, Mical
Damasceno, Ana do Gás, Wellington do Curso, Cláudia Coutinho,
Solange Almeida, Batista Segundo, Viviane Silva, Neto Evangelista,
Davi Brandão, Arnaldo Melo e Francisco Nagib na Fiema

Em meio à preparação para a corrida às urnas e os trabalhos normais da Assembleia Legislativa, 15 deputados estaduais, liderados pela presidente Iracema Vale (MDB), participaram ontem de uma reunião de trabalho com lideranças empresariais mobilizadas pela Federação das Indústrias (Fiema), comandada por Edilson Baldez, e pelo Centro das Indústria (Ciema), presidido por Cláudio Azevedo. Na pauta geral, o desenvolvimento econômico do Maranhão.

Denominada “Encontro de Trabalho com Deputados Estaduais” a reunião foi muito além de um esforço do empresariado para melhorar a convivência com deputados estaduais. Isso cumpriu uma pauta em que, além de temas comuns, foi muito além, colocando na mesa projetos estratégicos, como o da Zona de Processamento e Exportação de Bacabeira, a exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial, e a construção do Terminal Marítimo de Alcântara, para dar suporte ao Centro de Lançamento de Alcântara.

Na sua fala, o presidente da Fiema, Edilson Baldez, falou em estreitamento das relações do segmento produtivo e das entidades que o representam, com o Poder Legislativo, onde são decididas questões cruciais relacionada ao processo de desenvolvimento da indústria e do comércio no Maranhão. O presidente da Fiema defendeu a harmonia entre os Poderes do Estado e uma relação franca e produtiva da classe empresarial com esses Poderes, em especial o Legislativo.

O posicionamento dos líderes empresariais foi destacado pela presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, que na sua manifestação, falando em nome dos deputados, foi direto ao ponto: “Nosso papel é garantir que os projetos que estimulem a geração de emprego, renda e oportunidades que avancem com responsabilidade. Quando fortalecemos a indústria e o comércio, estamos beneficiando diretamente a população maranhense”.

Deputados e empresários aprovaram a iniciativa.

São Luís, 05 de Março de 2026.

Corrida ao Senado se dá num emaranhado que começa com indefinições na base governista

Weverton Rocha, André Fufuca, Eliziane Gama e
Roberto Rocha podem ter de disputar com Iracema
Vale, Roseana Sarney, Detinha e Hilton Gonçalo

Enquanto as especulações correm soltas em relação à disputa pela cadeira principal do Palácio dos Leões, uma delas afirmando categoricamente que o ex-ministro José Dirceu desembarcará este mês em São Luís para, em nome do PT e do presidente Lula da Silva, para tentar costurar um acordo cujo para reaproximar a corrente dinista e o governador Carlos Brandão (sem partido), um estado de guerra se arma pelas duas vagas no Senado em todas as frentes. No mesmo cenário em que parece difícil, quase impossível, a volta da aliança governista à situação de 2022, os acordos para o Senado até agora não ficaram bem definidos na base governista, o que mantém abertas as portas para a entrada de novos pretendentes nessa disputa, a exemplo da deputada federal Detinha (PL), como o caso mais recente. E nesse contexto, se mantém a pré-candidatura solitária, mas firme, do ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo (Mobiliza).

A pergunta corrente que se faz no meio político e fora dele é a seguinte: quais nomes disputarão as duas de senador pela bandeira governista? O senador Weverton Rocha (PDT)? O ministro André Fufuca (PP)? A deputada federal Roseana Sarney (MDB)? A deputada-presidente da Alema Iracema Vale MDB)? Até agora, todos são citados como pré-candidatos governistas ou com possibilidade de candidatura, mas nenhum foi apresentado oficialmente, preto no branco, pelo governador Carlos Brandão (sem partido) nem pelo pré-candidato governista Orleans Brandão (MDB) como futuros componente da chapa majoritária que representa a aliança governista.

Essa indefinição está abrindo caminho para o avanço da candidatura oposicionista do ex-senador Roberto Rocha, que vai assumir o comando do PSDB, e criando as condições para o eventual lançamento da deputada federal Detinha (PL), cuja escolha já teria sido carimbada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato bolsonarista à presidência da República – ela entraria na corrida com o apoio decisivo do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que comanda o braço do PL e um expressivo grupo de deputados federais, deputados estaduais, prefeitos e vereadores no Maranhão.

Nesse cenário de cores ainda muito imprecisas navega a senadora Eliziane Gama (PSD), que nasceu na base governista montada pelo então governador Flávio Dino em 2018, tem uma relação muito próxima com o presidente Lula da Silva e com a sua base governista no Congresso Nacional. No Maranhão, porém, foi afastada do campo governista no Maranhão e encontra-se em processo de aproximação com o prefeito Eduardo Braide (PSD), que poderá ou não ser candidato a governador pelo seu partido – se ele for candidato, ela será naturalmente candidata à reeleição na sua chapa, como quer a direção nacional da agremiação.

No momento, todas as avaliações com algum fundamento estão apontando para a possibilidade de, pela primeira vez em muitos anos, a eleição de senador no Maranhão, na renovação de dois terços, os maranhenses acabarem mandado para o Senado um candidato governista e outro oposicionista. Isso num cenário em que o presidente Lula da Silva se desdobra para obter a reeleição e eleger o máximo possível de senadores aliados, teria duas cadeiras sem problemas se a aliança original tivesse sido mantida. Para ele, o ideal será uma dobradinha Weverton Rocha/André Fufuca ou, numa situação diferente, a eleição de Weverton Rocha e Eliziane Gama. Sem descartar, claro, dobradinhas mais remotas envolvendo Roseana Sarney e Iracema Vale.

E o que mais chama a atenção nesse contexto de linhas imprecisas é que ainda não se descarta de todo a possibilidade de o governador Carlos Brandão vir a se candidatar a senador, como quer o presidente Lula da Silva. E numa hipótese mais remota ainda, com total improbabilidade, uma guinada do vice-governador Felipe Camarão (PT) na direção do Senado, como andam sugerindo vozes petistas de Brasília.

Todo esse emaranhado poderá ser desmanchado nos próximos 32 dias, com a chegada do prazo fatal de 4 de abril.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão instala Governo em Imperatriz e reforça base política na região

Carlos Brandão governará de Imperatriz com o
auxílio de Orleans brandão e Sebastião Madeira

O governador Carlos Brandão e o núcleo central do seu Governo (Casa Civil, Assuntos Municipalistas, Infraestruturas, Educação, Saúde e Desenvolvimento Social), iniciam hoje, a partir das 13 horas, uma maratona de trabalho na Região Tocantina tendo como base Imperatriz, transformada por decreto em Capital do Maranhão durante esta semana. Os trabalhos serão coordenados pelo chefe da casa Civil Sebastião Madeira.

O governador cumprirá uma agenda intensa, com despachos com secretários, audiências com prefeitos – entre eles os de Açailândia e São Raimundo das Mangabeiras – e representantes do setor produtivo da região, e uma expressiva relação de obras a serem inauguradas, inspecionadas e autorizadas. Uma delas será a construção da nova sede do Corpo de Bombeiros em Imperatriz, e a outra, a reforma do Centro Administrativo do Governo do Estado na “segunda capital” do Maranhão.

Com esse movimento, o governador Carlos Brandão alimenta um projeto político já em andamento, que é estreitar a relação do seu Governo com Imperatriz, criando assim as condições para ampliar a base política do seu grupo que lidera na cidade e na Região Tocantina como um todo, que representa cerca de 15 municípios.

O como não poderia deixar de ser, o principal destaque da sua comitiva é o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão, que é a ponte entre o governador e os prefeitos, que formam a base política da aliança governista para as eleições de outubro. Devem desembarcar na Princesa do Tocantins o senador Weverton Rocha (PDT) e o ministro do Esporte André Fufuca (PP), dois candidatos fortes da base governista ao Senado.

Roberto Costa se desdobra para atuar efetivamente em três frentes

Roberto Costa com alunos da rede
municipal que receberam fardamento

Roberto Costa (MDB) tem se desdobrado para cumprir agendas administrativas e compromissos políticos. A primeira agenda administrativa são os seus compromissos como prefeito de Bacabal, um dos 10 maiores e mais importantes do Maranhão e polo da Região do Mearim, e a segunda são as decisões como presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), que representa os interesse dos 217 municípios do estado. A pauta política é ditada pelos movimentos do MDB.

Nesta semana, por exemplo, ele teve de fazer uma opção no que diz respeito à sua presença em eventos.

Na segunda-feira (02), a Famem, por sua iniciativa, reuniu prefeitos e representantes de prefeituras no programa Conexão CNM, voltado para o fortalecimento da gestão municipal na relação com a Confederação Nacional dos Municípios, no qual foi representado pelo prefeito de Urbano Santos, Cremilton Barros (MDB).

Sua ausência se deu pelo fato de que naquele momento ele encontrava-se no Quilombo Saco das Mulatas, no interior de Bacabal, entregando ali uma Unidade de Saúde da Família, que está equipada para atender cerca de 1.500 pessoas de 22 povoados na região da Baixada bacabalense.

Na semana passada, o prefeito percorreu diversas comunidades do interior do município, inspecionando a rede escolar para o início do ano letivo. Visitou povoados os povoados Brejinho, na Estrada do Leite, e os territórios quilombolas de São Sebastião dos Pretos, Piratininga e Cacutá, e também o povoado Alto Fogoso. O roteiro alcançou os povoados Centro do Cirilo, Canarana e Sincorá, na Baixada bacabalense.

Por onde passou, o prefeito de Bacabal entregou kits de fardamento escolar a alunos regularmente matriculados na rede municipal de ensino.

Além das agendas administrativas, Roberto Costa, que é um dos líderes mais ativos do MDB, tem atuado fortemente nas articulações para a consolidação da pré-candidatura de Orleans Brandão e para a participação do partido na disputa por vagas no Senado, na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa.

Poucos políticos maranhenses estão vivenciando a realidade presenta do Maranhão como o prefeito de Bacabal, presidente da Famem e líder emedebista.

São Luís, 03 de Março de 2026.   

Brandão desqualifica rumores sobre afastamento e diz que adversários “estão perdidos”

A crise sucessória não impede a boa relação de Carlos
Brandão com o Governo Lula da Silva. Nesta imagem, da semana passada, ele com o ministro dos Transportes Renan Filho, que anunciou várias ações no Maranhão, como a entrega de 54 km de pavimentação em concreto rígido na BR-135 (Miranda/Caxuxa)

Se há, de fato, um ou vários projetos efetivos, no campo judicial, para afastar o governador Carlos Brandão (sem partido) do cargo, de modo que o vice-governador Felipe Camarão (PT) venha a assumir o Governo e se candidatar à reeleição, os projetistas que cuidem de fazer a coisa bem feita, e com base legal muito sólida. Isso porque o governador Carlos Brandão não parece um chefe de poder colocado contra a parede, temeroso de perder o poder e ver o seu projeto político ser tragado por uma tsunami. Ao contrário, o mandatário maranhense emite todos os sinais de que está pronto para enfrentar qualquer obstáculo que vier a ganhar forma na sua frente.

Sem apontar essa ou aquela personalidade do campo adversário, o governador Carlos Brandão manifestou essa impressão ao ser provocado sobre o assunto pela Coluna, ontem à noite: “Acho que esse pessoal está desesperado!”

E na mesma linha, evitando citar nomes, justificou sua avaliação: “Não conseguem ficar sem Governo! Perderam os votos que eram do Governo anterior. Querem me tirar na marra da cadeira criando processos jurídicos fantasiosos e mandando recados com ameaças”.

O governador Carlos Brandão foi além na resposta à indagação da Coluna, rascunhando o que ele chamou de desespero de seus adversários: “Tentaram ir para o (prefeito Eduardo) Braide (PSD). Só que o Braide não quer eles como aliados! Por outro lado, não têm chance de se aliar ao Lahesio (Bonfim, candidato do Novo), pelo fato de ser um candidato de direita!”.

E fechou a resposta com uma conclusão dura: “Estão perdidos!”

A Coluna tentou ouvir vozes oposicionistas de peso sobre o assunto, mas elas preferiram evitar declarações e simplesmente afirmar que nada têm a ver com a onda de especulações a iminência de supostas tentativas de afastar o governador Carlos Brandão do cargo. Uma dessas vozes, falando em off, afirmou acreditar que pode haver uma reviravolta na nomeação do advogado Daniel Brandão para o Tribunal de Contas do Estado, mas que isso não afetará diretamente o governador Carlos Brandão, por não ter sido ele quem assinou o ato. Se essa mudança vier a acontecer – o que muitos acham no mínimo improvável -, será uma tremenda reviravolta no cenário político estadual, com forte repercussão na cena política, mas sem o poder de alterar a corrida sucessória.

No mesmo contexto, oposicionistas dão outra versão para as conversas que vêm mantendo como o prefeito Eduardo Braide, quer publicamente vem mantendo o obstinado silêncio sobre ser ou não ser candidato. E o peso da dúvida está no fato de que, se sair, estará abrindo mão de dois anos e nove meses de mandato no comando da Prefeitura da Capital, a maior e mais importante do Maranhão, que representa nada menos que uma população de 1,2 milhão de habitantes e um orçamento de R$ 6,1 bilhões para este ano. 

Com as posições, impressões e avaliações que compuseram sua resposta à Coluna, o governador deu uma demonstração bem clara de que está seguro de como está agindo no campo político, exibindo também expectativa otimista em relação ao desfecho nas urnas. Ele já disse e repetiu que está aberto a conversações, mas as condiciona com pontos inegociáveis: a candidatura de Orleans Brandão e a sua permanência no cargo. Quando fala em relação às definições que buscará na conversa decisiva que terá com o presidente Lula da Silva (PT) ao longo de março, ele admite conversar sobre uma improvável candidatura sua ao Senado, só possível com a renúncia de Felipe Camarão ao cargo de vice-governador, o que parece também impossível.

O fato é que o governador Carlos Brandão não leva muito a sério a onda de especulações, mas também não as menospreza inteiramente, indicando que está preparado para o pode estar a caminho no intenso movimento das águas de março.

PONTO & CONTRAPONTO

Braide inicia contagem regressiva para decidir se será ou não candidato ao Governo

Eduardo Braide tem até 4
de abril para bater martelo

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), entra hoje numa espécie de contagem regressiva de média duração para decidir se será ou não candidato a governador do Maranhão. No meio político, parece haver uma divisão quase meio-a-meio sobre o assunto, com uma banda achando que ele deixará o cargo para enfrentar as urnas, e outra supondo que ele preferirá permanecer no cargo.

Se a decisão do prefeito depender de uma avaliação relacionada com vantagens e conveniência, a tendência nítida favorece a opção de deixar o cargo e enfrentar as urnas.

Isso porque, saindo agora e ganhando a eleição para o Governo, ele terá o controle do Maranhão e de São Luís, o que lhe dará um poder de fogo excepcional. Admitindo-se que ele deixe a Prefeitura e não se eleja governador, poderá se candidatar a prefeito em 2028, já que terá cumprido apenas um terço do segundo mandato.

Mas se, por outro lado, Eduardo Braide decidir permanecer no cargo, o mandato municipal terminará em dezembro de 2028, passando o cargo para um aliado ou para um adversário. Nesse caso, ficará dois anos sem mandato, para disputar o Governo em 2030.

O grande problema da segunda opção é que a corrida ao Palácio dos Leões em 2030, poderá ser renhida porque outra geração estará tentando chegar lá, como o ministro André Fufuca (PP), principalmente se for eleito senador, e os deputados federais Juscelino Filho (União), Pedro Lucas (União) e Duarte Jr. (PSB), a deputada Iracema Vale (MDB) e o prefeito de Bacabal Roberto Costa (MDB), por exemplo.

Todos eles têm projetos sobre o tema.

Pedro Lucas enfrenta as consequências de um racha no União Brasil

Pedro Lucas enfrenta crise
num União Brasil dividido

O deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que lidera a bancada do União Brasil na Câmara Federal, está sofrendo as consequências uma guerra que vem corroendo as entranhas do partido desde que o Antônio Rueda assumiu o comando da agremiação, que hoje é arte da federação União Progressista, fruto da aliança com o PP.

O União Brasil é fruto da fusão da banda do antigo PSL, partido de direita dura que rompeu com o bolsonarismo, e o DEM, de centro-direita, comandado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Só que no jogo interno do poder, Antonio Rueda, que mantém fortes laços com o bolsonarismo, assumiu a presidência, tendo o deputado maranhense Pedro Lucas Fernandes como um dos seus fiéis escudeiros.

Nesse momento, quando muitos parlamentares aproveitam a janela fazem o troca-troca partidário, alguns integrantes da bancada do União tentam fazer esse movimento e acusam o líder e o presidente de criarem obstáculos.

Na verdade, o que está em andamento é um racha no União Brasil, com partido defendendo uma convivência mais produtiva com o Governo Lula da Silva (PT) e outra banda defendendo distanciamento do Governo e aproximação com as correntes da direita radical.

No Maranhão, o deputado Pedro Lucas integra a banda do União Brasil que segue Antonio Rueda e vem atuando para criar dificuldades para o Governo do presidente Lula da Silva, enquanto o deputado federal Juscelino Filho, que foi ministro das Comunicações, que integra a banda remanescente do antigo DEM, alinhado, portanto, a ACM Neto, atua para que o partido tenha uma relação produtiva com o Governo do PT.

Ninguém sabe e que medida esse racha prejudicará o União Brasil, mas algumas previsões indicam que o partido vai sair chumascado dessa peleja doméstica.

São Luís, 01 de Março de 2026.

Madeira entra no MDB e Rocha reassume PSDB, disputará Senado e pode apoiar Bolsonaro

Sebastião Madeira foi para o MDB e entregou o fragilizado PSDB a Roberto Rocha

O dia de ontem marcou para sempre o braço maranhense do PSDB, primeiro por conta de uma renúncia surpreendente, e depois por conta de um retorno igualmente inesperado. A renúncia foi protagonizada pelo ex-deputado federal (quatro mandatos), ex-prefeito de Imperatriz (dois mandatos), Sebastião Madeira, chefe da Casa Civil e que se desfiliou do ninho dos tucanos, entregou as chaves ao presidente nacional Aécio Neves e migrou para o MDB, para tentar mandato de deputado estadual. O retorno coube ao ex-deputado estadual, ex-deputado federal, ex-vice-prefeito de São Luís e ex-senador Roberto Rocha, que fora tucano por muitos anos, presidiu o partido no Maranhão, fez incursões por várias legendas, mas, diante da decisão de Sebastião Madeira de deixar o ninho, voltou ao muro para ser candidato de novo a senador e montar palanque para Flávio Bolsonaro (PL) no Maranhão.

Poucas vezes a animada, e às vezes tumultuada, vida partidária maranhense registrou um episódio como o de ontem.

Um dos fundador do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) no plano nacional e no Maranhão, juntamente com o ex-deputado federal Jaime Santana, em 1988 – há 38 anos, portanto, Sebastião Madeira ganhou e assumiu a identidade tucana como poucos, motivado pelo projeto de implantação de uma democracia social no Brasil. Viveu todos os altos e baixos da agremiação no estado, sem deixar de se dedicar integralmente à sua preservação. Tanto que assumiu sua presidência há dois anos, se desdobrando para torna-lo forte no estado. Não deu, e sua saída encerrou a era primeira da história do PSDB no estado.

A migração para o MDB foi o resultado de um jogo de pragmatismo político. Sem força no plano majoritário – presidente, governador e senador – na base governista, nem na seara proporcional -deputado estadual e deputado federal -, o PSDB se tornou um fator de risco para o próprio Sebastião Madeira, com a possibilidade de uma boa votação, mas sem cociente eleitoral (número de votos) para garantir uma vaga na Assembleia Legislativa. Daí a migração para o MDB, onde entrará em condições de igualdade com vários candidatos fortes, com a certeza de que, se bem votado, terá muito mais chances de chegar ao parlamento estadual. Jogou certo.

Se vinha sendo um peso e um fator de risco para Sebastião Madeira, o PSDB caiu com o uma luva nas mãos do ex-senador Roberto Rocha. Ele vinha procurando um partido à direita, chegou a conversar como Novo, para fazer uma dobradinha com a candidatura de Lahesio Bonfim ao Governo, mas as exigências do partido impediram o avanço das negociações. O PSDB, que lhe foi oferecido pela cúpula nacional, foi um presente político, uma vez que, ao retornar para os seus quadros, o ex-senador se sente em casa, uma vez que conhece os líderes e as entranhas da agremiação.

Mesmo sabendo que o PSDB é um partido a caminho da extinção, neste exato momento o PSDB, cujo braço maranhense foi bem organizado por Sebastião Madeira, Roberto Rocha sabe também que é tudo o que ele precisava para viabilizar sua candidatura ao Senado. Dará ao partido o destino que bem entender, podendo lançar ou não candidato a governador, fazer aliança com outras candidaturas, ou, se preferir, entrar na briga eleitoral apenas com a sua candidatura ao Senado, independente de alianças ou qualquer tipo de amarra. É provável que lance o filho, o ex-vereador Roberto Rocha Filho, à Câmara Federal pela legenda.

Não há dúvida de que Sebastião Madeira desembarca no MDB com cacife para estar entre os candidatos, entre eles vários candidatos à reeleição, com chances reais de chegar à Assembleia Legislativa. Ninguém duvida também de que, ao resolver a sua questão partidária, livrando-se da refrega que se dá nos partidos com inclinação bolsonarista, o ex-senador Roberto Rocha entra de vez na corrida ao Senado, com poder de fogo para desequilibrar a disputa até aqui.

PONTO & CONTRAPONTO

Roberto Rocha e Detinha ampliam corrida ao Senado, que pode ter outros nomes de peso

Weverton Rocha, André Fufuca e Eliziane Gama sofrem pressão
de Roberto Rocha e, possivelmente, de Detinha, e todos são
pressionados pela “sombra” de Iracema Vale,
Roseana Sarney e Carlos Brandão

A definição partidária do ex-senador Roberto Rocha, que retomou o comando estadual do PSDB, despeja grande quantidade de combustível inflamável na corrida às duas vagas no Senado, as quais eram disputadas até aqui pelos senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), que pleiteiam a reeleição, e pelo deputado federal e atual ministro do Esporte André Fufuca (PP).

Com o ex-senador confirmando participação na guerra eleitoral, o cenário ganha tinturas de incerteza, pelo menos em relação a uma vaga, já que a outras tem Weverton Rocha com maior preferência, segundo todas as pesquisas. Em levantamentos mais recentes, Roberto Rocha aparece em segundo, jogando doses fortes de insegurança nas pretensões de André Fufuca e Eliziane Gama – e até mesmo nos planos de Weverton Rocha.

Esse quadro evoluiria normalmente para uma guerra renhida entre os quatro pretendentes se não fossem as pesadas sombras causadas pelos rumores que apontam possibilidade de candidaturas poderosas, como a da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), da deputada federal Roseana Sarney (MDB) e, numa hipótese muito remota – mas admissível em se tratando de política – do governador Carlos Brandão.

Não bastasse a sombra dos três, a cúpula nacional do bolsonarismo quer a deputada federal Detinha (PL), campeã de votos para a Câmara Federal em 2022, como candidata ao Senado, o que pode alterar ainda mais o cenário, que que, se vier mesmo a ser candidata, entrará com o peso do grupo liderado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL).

Avaliações feitas em diferentes rodas e ambientes levam à mesma conclusão: individualmente ou em grupo, os quatro têm cacife para mudar as tendências da disputa senatorial. Os quatro candidatos assumidos sabem disso, e trabalham intensamente para que a corrida fique mesmo somente entre eles.

O problema é com Detinha no jogo e faltando ainda 37 dias para o decisivo 04 de abril, que é data-chave em qualquer eleição, tudo pode acontecer a partir de uma conversa definitiva do governador Carlos Brandão (sem partido) com o presidente Lula da Silva (PT) sobre a corrida ao Palácio dos Leões.

Lahesio sofre reveses e diminui a intensidade da sua pré-campanha

Lahesio Bonfim: menos ativo

Algo fora do eixo pode estar tirando da rota a candidatura de Lahesio Bonfim (Novo). Ele vem amargando uma série de pequenos contratempos, que o fez tirar o pé do acelerador na sua pré-campanha, que vinha acontecendo num estilo arrojado, como é do seu feitio.

Para começar, há pouco mais deu mês ele declarou à Coluna que o ex-senador Roberto Rocha assinaria ficha no Novo e que os dois fariam uma dobradinha “para ganhar as eleições”. Roberto Rocha desembarcou de volta no PSDB.

Recentemente, a movimentação do governador de Minar Gerais, Romeu Zema (Novo), me direção da presidência da República inflamou o clã Bolsonaro, que vem escanteando o líder mineiro, e por via de consequência, tirando Lahesio Bonfim da lista de prováveis aliados.

Lahesio Bonfim tentou atrair o bolsonarismo para sua candidatura dando à vereadora do PL de São Luís, Flávia Berthier, oferecendo-lhe vaga de candidata ao Senado, dando-lhe uma importância política que ela não tem, e acabou se dando conta de que a estratégia não funcionaria.

Terceiro colocado nas pesquisas que incluem o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) como candidato, e segundo quando a disputa se dá entre ele e o pré-candidato do MDB, Orleans Brandão, Lahesio Bonfim parece encontrar-se num momento de transição ou de ajuste da sua candidatura, que até agora está garantida pelo Novo.

São Luís, 27 de Fevereiro de 2026.

Roseana volta à cena política cogitada para o Senado, nada descarta e diz que só quer contribuir

Por iniciativa da presidente Iracema Vale, um grupo de 18 deputados
estaduais foi cumprimentar a deputada federal Roseana Sarney pela
sua vitória contra um câncer. No registro, com o ex-presidente José
Sarney, os deputados Iracema Vale, Arnaldo Melo, Júnior Cascaria,
Francisco Nagib, Solange Almeida, Daniella Jadão, Glalbert Cutrim,
Davi Brandão, Claudia Coutinho, Mical Damasceno, Ana do Gás,
Catulé Júnior, Helena Dualibe, Adelmo Soares, Ricardo Arruda,
Andreia Rezende, Júnior França e Kekê Teixeira no Calhau

A ex-governadora e atual deputada federal Roseana Sarney (MDB) será candidata ao Senado? A pergunta estremece as bases de todos os pré-candidatos às duas vagas na Câmara Alta assumidos até agora: os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), ambos candidatos à reeleição, o ministro do Esporte André Fufuca (PP), que é deputado federal e seria reeleito sem maiores problemas, e o ex-senador Roberto Rocha (ainda sem partido). Ela própria, que retornou ao Maranhão após ter vencido um câncer de mama em tratamento que durou meses, disse ontem, em entrevista à TV Mirante, que ainda não sabe qual será o seu destino político, mas não descartou a possibilidade de tentar a reeleição para a Câmara Federal nem a hipótese de disputar a senatória. Só disse que vai avaliar tudo com calma, para definir o caminho a seguir.

Em relação ao Senado, a situação de Roseana Sarney tem prós e os seus contras. Nas pesquisas em que o governador Carlos Brandão (sem partido) ainda poderia vir a ser candidato, ele apareceu em todas na liderança, com a ela aparecendo sempre em segundo lugar. Sem Carlos Brandão, que decidiu permanecer no cargo, a ex-governadora disputa a liderança com o senador Weverton Rocha, aparecendo sempre à frente do ministro André Fufuca e da senadora Eliziane Gama, havendo também quadros em que ela disputa a segunda colocação com o ex-senador Roberto Rocha. O distanciamento causado pela luta contra o câncer produziu a impressão de que ela teria arquivado o projeto senatorial.

Roseana Sarney voltou ao cenário da disputa por vagas no Senado na semana passada, pela voz do deputado federal Ildo Rocha (MDB), um dos seus porta-vozes, que numa entrevista à TV Mirante afirmou que a deputada federal é o nome do partido para a disputa. Ildo Rocha disse que essa é a posição da maioria do MDB, estadual e nacional, manifestou entusiasmo com pesquisas nas quais, segundo ele, a ex-senadora aparece muito bem situada. Conforme o parlamentar, a força eleitoral da líder emedebista aparece mais fortemente nas pesquisas espontâneas, o que, na sua leitura, é sinal de consistência eleitoral.

Só que no cenário atual, a eventual candidatura de Roseana Sarney ao Senado não seria uma equação simples, mas fruto de um grande acordo. E os problemas começam exatamente dentro do seu partido. Se ela sair candidata poderá embaralhar a relação do candidato do MDB ao Governo, Orleans Brandão, que já está em franca pré-campanha tendo o senador Weverton Rocha e o ministro André Fufuca candidatos declarados na sua base de apoio. Além disso, ganha forma o “Fator Iracema”, à medida que, recém filiada ao MDB, a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, é apontada por muitos como possível candidata ao Senado.

Não se duvida de que com um projeto bem armado, tendo como base um grupo forte, Roseana Sarney tem, sim, condições encarar uma disputa com amplas chances de sucesso nas urnas, mesmo enfrentando candidatos fortes, correndo também o risco de amargar uma derrota e ficar sem mandato. Isso porque essa discussão se dá num momento em que a lista de candidatos ao Senado já está mais ou menos ajustada, havendo pouco espaço para um projeto que precisa de uma larga base de apoio, o que é o seu caso.

Uma das mentes políticas mais ativas e tarimbadas do Maranhão, Roseana Sarney sabe exatamente o que acontece à sua volta e tem noção clara das possibilidades, das dificuldades e dos riscos de uma eventual candidatura sua ao Senado. Daí a sua reação cautelosa ao responder à provocação sobre o assunto. Não disse nem sim nem não, e, invocando o seu lastro de experiência, colocou-se à disposição do partido e do eleitorado dizendo-se disposta a colaborar onde puder ser útil “para ajudar o Maranhão”.

É claro que um mandato de senadora lhe cairia como uma luva, pois ela saberia como poucos o que fazer na Câmara Alta, que viverá tempos sombrios. Mas emitiu sinais sutis indicando que, devido às circunstâncias, a renovação do seu mandato de deputada federal estará de bom tamanho. E como não poderia deixar de ser, entregou seu futuro a Deus.

PONTO & CONTRAPOSTO

Conversa com cúpula do PT dá em nada e Brandão quer acerto definitivo com Lula

Lula da Silva e Carlos Brandão, que têm boa
relação, deverão resolver a equação
sucessória em poucos dias

A informação de que deu em nada o encontro do governador Carlos Brandão (sem partido) com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, para discutir a posição do partido em relação à sucessão estadual não foi nenhuma novidade.

Primeiro porque as posições deram forma a um impasse. O comando nacional do PT insiste no apoio à candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT) ou uma terceira via de consenso, descartando a candidatura de Orleans Brandão (MDB), e também querendo Carlos Brandão como candidato ao Senado. Já o governador Carlos Brandão não admite apoiar Felipe Camarão, não aceita desativar a candidatura de Orleans Brandão, nem recua da sua decisão de permanecer no cargo, descartando disputar o Senado.

A conversa não passou daí. E o governador Carlos Brandão, que tem o controle da base governista no estado, não quis levar adiante a reunião infrutífera, preferindo bater martelo num encontro decisivo com o presidente Lula da Silva, que deve ocorrer nos próximos dias em Brasília.

Nos grupos, o mesmo estado de ânimo: Felipe Camarão reafirmando candidatura em qualquer circunstância e Orleans Brandão afirmando que sua candidatura é irreversível. Ou seja, impasse desenhado.

PSOL pode ter de escolher entre Camarão ou Brandão, mas pode lançar candidato próprio

Guilherme Boulos e seu grupo vão decidir o
destino do PSOL na sucessão no Maranhão

Depois de ter feito um movimento arrojado na direção do projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), o PSOL encontra-se na iminência de viver uma reviravolta em relação à corrida para o Governo do Estado.

Ontem, o comando nacional do partido iniciou uma articulação no sentido de colocar o partido na Federação Brasil Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, que no Maranhão vive uma situação de incerteza quanto ao rumo a tomar na corrida sucessória estadual. O PCdoB e uma banda do PT querem apoiar o vice-governador Felipe Camarão, enquanto a outra banda do PT e o PV querem marchar com Orleans Brandão (MDB).

Se o PSOL entrar na Federação Brasil Esperança, terá de seguir o que vier a decidir a maioria, podendo apoiar o petista Felipe Camarão ou emedebista Orleans Brandão.

Num terceiro cenário, que dependerá das circunstâncias, e se o projeto de ingressar na Federação não for consumado, o PSOL maranhense repetirá a fórmula de sempre: lançará candidato próprio.

São Luís, 26 de Fevereiro de 2026.

Assembleia Legislativa faz 191 anos, homenageia decano e servidores e se firma como Casa independente

Fofo maior: Iracema Vale com deputados, e fotos menores, a presidente
com o decano Arnaldo Melo, Maria da Luz, Aristéia Barros e Bráulio
Martins, e o secretário Sebastião Madeira, representante do governador
Carlos Brandão, e o senador Weverton Rocha (PDT)

A Assembleia Legislativa completou ontem 191, iniciando a década que a levará aos dois séculos de existência. E como não poderia deixar de ser, a data foi comemorada com sessão solene comandada pela presidente Iracema Vale (MDB) e ao longo da qual o deputado Arnaldo Melo (PP), ex-presidente e atual decano da Casa, e os servidores Aristéia Barros (Cerimonial), Maria da Luz (Arquivo) e Bráulio Martins (diretor geral da Mesa) foram homenageados pelos relevantes serviços prestados à instituição legislativa.

O quase bicentenário Poder Legislativo do Maranhão chega a esse patamar vivendo uma situação especialíssima. Para começar, é presidido por uma mulher, deputada Iracema Vale, quebrando um tabu machista de quase dois séculos. Esse dado ganha mais importância com o fato de a composição do plenário ser atualmente formada por 13 mulheres. E também pelo fato de que, embora haja uma ampla maioria governista, atua na Casa uma oposição aguerrida, existindo também uma fatia parlamentar que joga nos dois campos, formando uma terceira via.

O parlamento maranhense entra num ano eleitoral no qual o cenário político é complexo e indefinido. E nele, a maioria dos deputados se prepara para pleitear a renovação do mandato, tendo de escolher um lado, o que torna essa uma tarefa difícil. O ambiente é, portanto, de uma tensão visível, com embates isolados entre deputados que disputam o mesmo pedaço da massa eleitoral, e com tendência de agravamento à medida que a data das eleições (4 de outubro) se aproxima.

Por conta do imperativo eleitoral, a Assembleia Legislativa do maranhão passa nesse momento por uma ampla rearrumação partidária, que coloca os gr4upos nos seus devidos campos, agregando inclusive parlamentares que se encontravam “soltos”. A presidente Iracema Vale, por exemplo, deixou o PSB e se filiou ao MDB, levando com ela nada menos que sete deputados, o que tornou a legenda presidida pelo pré-candidato a governador Orleans Brandão, que hoje tem 10 deputados, o equivalente a quase 25% do plenário.

Essa movimentação manteve intacta a base governista, que tem cerca de 26 dos 42 deputados como votos certos. Não há dúvida, portanto, de que a atual Assembleia Legislativa tem base governista, à medida que a maioria esmagadora está alinhada ao Palácio dos Leões, em completa afinação com o governador Carlos Brandão (sem partido). Mas não há dúvida também de que o Poder Legislativo alimenta um expressiva espaço de autonomia, seja por meio da banda parlamentar oposicionista, como é o caso da chamada bancada dinista PSB e PCdoB, e da bancada do PL, que atua representa o grupo liderado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Essas forças estão em permanente estado de guerra, com o clima de beligerância política tendendo a se tornar mais ácido à medida que as eleições se aproximem.

No plano das relações internas, é dominante a avaliação de que a presidente Iracema Vale se revelou um quadro político de ponta, com estatura e habilidade para decidir o seu próprio destino manter sob controle as rédeas da Casa. Essa postura foi confirmada pelo discurso do ex-presidente Arnaldo Melo, segundo o qual a presidente de fato lidera o parlamento estadual, à medida que tem como foco a unidade da instituição pela forçado diálogo. Na sua fala, ela própria assinalou que não existe grupo isolado e que a sua presidência conversa com todos os deputados, independentemente do posicionamento político ou partidário de cada um. “Temos de trabalhar sempre pela nossa unidade”, declarou a presidente da Assembleia Legislativa.

Um dos momentos mais destacados da sessão solene foi o discurso do deputado Arnaldo Melo, decano da Casa. Do alto dos seus oito mandatos, ele fez uma fotografia histórica do parlamento, declarando-se apaixonado pelo fato de pertencer aos seus quadros.

PONTO & CONTRAPONTO

Repórter Tempo: 11 anos de Jornalismo focado na política do Maranhão

Repórter Tempo registrou os Governos de
Flávio Dino, hoje ministro do STF, e
Carlos Brandão, que decidiu ficar no cargo

Repórter Tempo completa 11 anos. Desde a sua chegada ao mundo, no dia 25 de fevereiro de 2015, a Coluna tem se mantido firme no propósito de manter a sua independência e fazer um Jornalismo que tem a interpretação dos fatos como característica principal. Nesse período, ofereceu aos seus leitores nada menos que 3.246 edições, todas as autorais e com foco na cena política do Maranhão. Foram, grosso modo, cerca de 10 mil informações comentadas, sem que nenhuma delas tenha ficado de fora do crivo da interpretação.

A Coluna, que ocupa espaço de blog, se firmou como uma referência no registro interpretativo dos fatos políticos, ganhando reconhecimento como espaço de um Jornalismo sério, feito com o senso profissional que sempre pautou o autor ao longo dos seus 47 de atividade.

O conteúdo, o formato e a hora de chegar aos leitores transformaram Repórter Tempo numa referência. Sua existência registrou a virada na política maranhense com achegada de Flávio Dino ao Governo em 2014, sua ida para o Senado e, logo em seguida, para o Supremo Tribunal Federal, e a ascensão de Carlos Brandão ao Palácio dos Leões, onde está decidido a permanecer até o final do mandato, em dezembro próximo. A Coluna documentou também rompimento de um grupo que parecia uno.

Mesmo tendo a política como principal foco, ao longo da sua existência Repórter Tempo abriu espaço também para a cultura do Maranhão. Dedica registros sobre a música e a literatura maranhenses, registrando impressões sobre discos especiais da MPM, como obras de Cesar Teixeira, Josias Sobrinho e Chico Maranhão, por exemplo, e emitindo impressões sobre livros importantes, a exemplo de “A Província”, de Nauro Machado, “Os Tambores de São Luís”, de Josué Montello, e “Éramos felizes e não sabíamos”, de Bernardo Almeida.

Repórter Tempo vai continuar se esforçando para se manter como a referência que é hoje no Jornalismo digital do Maranhão.

São Luís, 25 de Fevereiro de 2026.

Brandão prevê neutralidade de Lula no MA, mas os sinais mostram que será uma decisão dramática

Lula da Silva pode ficar neutro numa
disputa entre Orleans Brandão e
Felipe Camarão pelo Palácio dos Leões?

“Acho que a tendência do presidente Lula é ficar neutro”. É essa a expectativa do governador Carlos Brandão (sem partido) quando a posição do presidente Lula da Silva (PT) em relação à corrida ao Governo do Maranhão. O sentimento do mandatário maranhense foi externado em entrevista à Coluna Radar, de Veja, o final da semana que passou. Mesmo afirmando que vai cumprir o seu mandato até o final, o governador sinalizou a questão relacionada com as suas vagas no Senado ainda está em aberto, daí porque vai discuti-la com o chefe da Nação, “porque, na realidade, quem vai precisar do Senado é ele”.

Observada de maneira direta e cartesiana, a neutralidade do presidente Lula da Silva em relação à disputa pelo Governo do Maranhão seria uma equação simples, mas politicamente complicada. Preto no branco, ao se posicionar neutro, o líder petista terá de ignorar completamente o projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão, que é do seu partido, o PT, caso não puder demovê-lo de ser candidato. Ao mesmo tempo, na posição neutra, Lula da Silva teria de ignorar também a candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), apoiado diretamente pelo seu aliado de proa no estado, o governador Carlos Brandão.

Vista sob qualquer ângulo, e mesmo prevista pelo governador Carlos Brandão, que está no centro do tabuleiro, sabendo, portanto, o que está dizendo, a neutralidade do presidente Lula da Silva em relação à corrida ao Palácio dos Leões parece uma hipótese, remota, ainda que possível. O presidente da República tem dado mostras seguidas de que sua enorme capacidade de construir soluções, e por maior que seja a complexidade do quadro político maranhense, com o rompimento da sua base de apoio em dois grupos beligerantes, ainda há quem acredite numa solução que evite desgastes na sua campanha para a reeleição no Maranhão.

Se levar Felipe Camarão à desistência, o que até aqui parece improvável, o presidente poderá levar seus aliados – parte do PT, e o PSB, o PCdoB e o PSOL – a uma situação desastrosa, já que não terão uma candidatura majoritária para seguir. A menos que a saída seja a aliança do grupo com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), se ele vier a ser candidato. Será, no caso, a construção de um cenário de derrota para esses segmentos, que ficarão pressionados entre Lula da Silva e o candidato presidencial que o PSD vier a apoiar – Eduardo Braide ainda não se manifestou sobre isso também, mas dificilmente levantará a bandeira de reeleição do presidente.

Não há como imaginar o presidente Lula da Silva pedindo votos no Maranhão ignorando a candidatura do emedebista Orleans Brandão, que além do suporte do governador Carlos Brandão, tem o apoio já declarado, do Grupo Sarney, seus aliados históricos no Maranhão. Poderia ficar distanciado dos candidatos do da base governista ao Senado – o senador Weverton Rocha (PDT) e o ministro do Esporte André Fufuca (PP) – ambos tocando projetos eleitorais irreversíveis. Não é possível prever os efeitos, ou as consequências, de uma eventual neutralidade do presidente Lula da Silva em relação candidatura do emedebista Orleans Brandão. Não há dúvida de que causaria certo desconforto no governador Carlos Brandão e no seu grupo. Afinal, ao abrir mão do Senado, o mandatário maranhense está jogando todo o seu futuro nesse projeto.

Por outro lado, a política, como se sabe, é a arte do possível, e tem um elevado grau de imprevisibilidade. Isso significa dizer que, por mais surpreendente que possa parecer, não se pode descartar a neutralidade do presidente Lula da Silva em relação à corrida ao Palácio dos Leões, prevista pelo governador Carlos Brandão. Ao mesmo tempo, é muito difícil imaginar, com base no seu histórico, o presidente fingindo indiferença em relação a uma guerra travada entre dois aliados pelo poder no Maranhão.

PONTO & CONTRAPONTO

Iracema retoma agenda como quadro de peso e com o desafio de definir seu futuro

Iracema Vale e o defensor público-geral Gabriel Furtado exibem
documento por meio do qual a presidente da Assembleia
Legislativa destinou emenda parlamentar para apoiar a
criação do Observatório de Femincídio do Maranhão.
Presentes a 1ª subdefensora pública-geral Cristiane
Marques, e as defensores integrantes do Núcleo
da Mulher, Isabella Mirante e Bruno Antônio

A presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), retoma hoje a agenda da Casa na condição de líder política de peso mas cujo destino ainda não está definido. Ela já definiu a sua situação partidária, deixando o PSB para se filiar ao MDB, mas ainda não respondeu à mais importante das indagações: será candidata a quê?

Nos bastidores da Assembleia Legislativa todos têm certeza de que a presidente não será candidata à reeleição. Diante dessa certeza dominante, e sem que ela ou algum porta-voz sinalize em relação ao seu futuro nas urnas, a onda de especulações se avoluma a cada dia.

Há quem garantas que a presidente do Legislativo será candidata à deputada federal, mas avaliações mais acuradas têm concluído que esse seria um bom caminho, mas não será o seu agora. E se chega, então, às eleições majoritárias, e logo seu nome aparece com potencial para disputar o Senado, como propôs o PT ao pedir que ela retornasse aos seus quadros, o que parece momentaneamente descartado. E nesse contexto aparece a opção a opção vice-governadora, defendida por vários dos seus aliados, caso o MDB venha a lançar chapa pura.

E, finalmente, a hipótese mais remota: ser candidata a governadora. Isso só seria possível dentro de uma grande acordo, pelo qual dinistas e brandonistas depusessem as armas e costurassem uma aliança em torno de um nome de consenso.

O fato é que Iracema Vale é hoje um quadro do qual ninguém quer abrir mão, a começar pelo fato de ser ela um quadro que une. Esse ambiente, a sua condição política e o seu potencial eleitoral terão de ser muito bem administrado por ela nas próximas semanas.

Passe Livre: depois de muito tempo “esquecido”, o autor do projeto ganha voz na imprensa

Franklin Douglas

Depois de várias matérias sobre a inclusão do Passe Livre para estudantes nos transportes públicos de São Luís, a TV Mirante fez ontem uma correção jornalística e historicamente importante: deu, finalmente, voz ao autor do projeto que levou ao plebiscito nas eleições de 2024 em São Luís, o advogado, professor e militante político Franklin Douglas.

Candidato do PSOL à Prefeitura de São Luís, Franklin Douglas, apoiado por seu partido, bateu às portas da Justiça Eleitoral propondo a inclusão do plebiscito, por meio do qual o eleitor de São Luís se manifestaria a favor ou contra a adoção da gratuidade para estudantes no sistema de transporte de massa da Capital. Dentro das regras eleitorais, a Justiça Eleitoral acatou a proposição e incluiu o plebiscito como item a ser decidido pelos eleitores.

Candidato do PSOL, Franklin Douglas fez sua campanha centrada nessa proposta, produzindo duas situações curiosas. A primeira: a maioria dos candidatos tirou uma lasquinha apoiando a proposta. E a segunda: enquanto mais de 90% dos mais de 600 mil eleitores votantes aprovaram a gratuidade para estudantes nos transportes coletivos de São Luís, o autor da proposta saiu das urnas com apenas 0,76% da votação, o equivalente a 4.386 votos.

Na época, ao comentar o resultado, Franklin Douglas tirou de letra: “O importante é que a população aprovou a nossa proposta”.

Nas últimas semanas, o Passe Livre voltou à pauta da Câmara Municipal com a sua complicada inclusão no Orçamento da Prefeitura. Vereadores “abraçaram” a causa como sendo deles, e a imprensa abraçou esse formato ignorando o pai da criança. Na sua reportagem de ontem, a TV Mirante corrigiu a omissão e deu voz a Franklin Douglas.

São Luís, 24 de Fevereiro de 2026.

Brandão, Camarão e Bonfim consolidam candidaturas, mas evitam entrar em confrontos ácidos

Orleans Brandão, Felipe Camarão e Lahesio Bonfim:
pré-campanhas intensas, mas sem
confrontos diretos e desgastantes

Enquanto forças oposicionistas e governistas travam uma guerra intensa nos bastidores, de onde eclodem, aqui e ali, denúncias destinadas a desgastar adversários, os três candidatos definidos a governador – o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), o vice-governador Felipe Camarão (PT) e o ex-prefeito de São padro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo) – se movimentam para ficar longe do tiroteio, ainda que petardos “perdidos” alcancem um ou outro ocasionalmente, e com frequência cada vez maior. Nesse exato momento, os três permanecem ilesos, aproveitando o tempo e as brechas para intensificar as suas pré-campanhas, que em alguns aspectos na ganharam o tom de campanha efetiva.

Provavelmente orientado pelo governador Carlos Brandão (sem partido), seu chefe e principal orientador, Orleans Brandão tem se desdobrado para não entrar em polêmicas, evitando tudo que possa colocá-lo numa situação incômoda ou de confronto direto e aberto com adversários. Aproveitou muito o Carnaval, mantendo contado diário com as centenas de milhares que se concentraram no Circuito Vem Pro Mar durante o reinado de Momo. Não entrou na ciranda de disse-me-disse causada pelo relatório da CGU sobre supostas irregularidades nas obras de prolongamento da Avenida Litorânea, nem disparou contra a oposição no movimento de reforço de ações que correm na Suprema Corte propondo a “desnomeação” do advogado Daniel Brandão, seu primo, do cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Orleans Brandão se manteve no centro da movimentação política, mas longe de encrencas, que são muito comuns nessa fase prévia da corrida às urnas.

O vice-governador Felipe Camarão, por sua vez, não reduziu em nada a intensidade da sua programação de pré-campanha, cumprindo rigorosamente o roteiro dos “Diálogos pelo Maranhão” – o mais recente foi sexta-feira (13) em São Raimundo das Mangabeiras, onde repetiu sua plataforma de ação para o caso de chegar aos Leões. Felipe Camarão tem feito duras críticas ao atual Governo, mas todas pontuais, mantendo a linha. Os pontos fortes do seu discurso são os investimentos que pretende fazer nas áreas básicas, com o educação – tema que domina como poucos -, saúde, desenvolvimento social e infraestrutura. O vice-governador tem batido forte na tecla segundo a qual grande parte das obras do atual do Governo do Estado é fruto de parceria com o Governo Federal, falando sempre nas “obra do presidente Lula no Maranhão”. E não perde nenhuma oportunidade de reafirmar que disputará o Governo “em qualquer circunstância”.

Depois de um período em que quase diariamente disparava petardos verbais ácidos na direção dos outros ainda possíveis pré-candidatos, Lahesio Bonfim andou recolhido, preferindo manter-se ativo nas redes sociais, mas com postagens bem mais amenas. Dono de um discurso agressivo e provocador, Lahesio Bonfim tem também, por enquanto, se esquivado de atacar diretamente Orleans Brandão e Felipe Camarão, obedecendo a uma lógica quase cartesiana. Situado entre os dois, segundo as pesquisas, ora disparava contra o emedebista na tentativa de alcança-lo, ora na do petista, objetivando mantê-lo distante. O seu silêncio é denunciador, porque ninguém duvida de que ele está armazenando munição para disparar no tabuleiro depois de 4 de abril.

A cautela de Orleans Brandão e Felipe Camarão no sentido de evitar embates diretos tem a ver com o fato de que ainda é cedo para confrontos desgastantes. E pode estar relacionada ao fato de que a definição do PT em relação a quem apoiar para o Governo do Estado no Maranhão ainda depende de uma conversa definitiva do governador Carlos Brandão com o comando nacional do partido e com o próprio presidente Lula da Silva, que deve acontecer na primeira quinzena de março. Isso num cenário em que Orleans Brandão tem afirmado que sua candidatura é irreversível e no qual Felipe Camarão tem dito e repetido, em tom cada vez mais enfático, que não abre mão da candidatura.

PONTO & CONTRAPONTO

Maranhão está entre os estados que começaram o ano com finanças ajustadas e dinheiro em caixa

O governador Carlos Brandão (sem partido) tem razões de sobra para afirmar que as finanças do seu Governo estão ajustadas, inclusive com alguma folga de caixa. Isso está demonstrado num levantamento recente feito pelo jornal O Estado de S. Paulo para mostrar a situação financeira dos 26 estados e do Distrito Federal.

De acordo com o material publicado, 20 estados começaram o ano com dinheiro em caixa suficiente para bancar suas despesas e manter a investimentos. O estado mais folgado é o Paraná, com R$ 10 bi em caixa, seguido de São Paulo, com R$ 5,5 bilhões.

O Maranhão ocupa a 16ª posição, com situação fiscal equilibrada e nada menos R$ 655 milhões em caixa, à frente de Rondônia, Roraima, Mato Grosso do Sul e Piauí, que também apresentaram saldos positivos, mas menores, e muito à frente do time formado por Acre, Tocantins, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Alagoas, Rio Grande do Norte e Minas Gerais, que começaram o ano sem um centavo em caixa e tendo de administrar déficits monumentais.

A pior situação é a de Minas Gerais, onde o governador Romeu Zema (Novo), que se vende como grande gestor e quer ser candidato a presidente, não sabe como tapar um rombo de R$ 11 bilhões.

Sempre destacado por situações negativas, o Maranhão aparece nesse ranking como um estado financeiramente organizado e com equilíbrio fiscal. Esse painel coincide com as informações prestadas pelo governador Carlos Brandão na reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, no início de fevereiro.

 

Professor e rapper maranhense será candidato a presidente da República pelo PSTU

O professor de História e rapper
Hertz Dias será o candidato do
PSTU a presidente da República

O Maranhão vai ter um candidato a presidente da República nas eleições de outubro: Hertz da Conceição Dias (PSTU). O partido, que ainda não definiu quem lançará como candidato a governador e às duas vagas no Senado, fechou questão em torno do professor e rapper Hertz Dias, que ganhou o apoio das lideranças de todos os estados onde o PSTU existe.

Aos 55 anos, Hertz Dias é licenciado em História e mestre em Educação, atuando como professor nas redes estadual e municipal de ensino. Militante do Movimento Negro, do qual é uma das principais vozes no Maranhão, ele desenvolve também uma ativa carreira como rapper, com obras fortemente politizadas, atuando ainda como um dos líderes do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano do Maranhão.

Lançado pelo PSTU, Hertz Dias já disputou várias eleições, sendo a mais importante a de 2022, quando tentou chegar ao Palácio dos Leões. Naquele pleito, ele obteve 5.191 votos (0,15% da votação), mas se tornou conhecido pela dureza do seu discurso de esquerda radical, com o qual vem atacando, por exemplo, impiedosamente o agronegócio, que aponta como uma doença.

E será com esse discurso que Hertz Dias percorrerá o Brasil como candidato do PSTU ao Palácio do Planalto, disputando o voto dos brasileiros com o presidente Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). São Luís, 22 de Fevereiro de 2026.

Filiação de oito deputados reforça o MDB e turbina a pré-candidatura de Orleans Brandão ao Governo

Iracema Vale, Andreia Rezende, Daniella Jadão, Florêncio Neto,
Antônio Pereira, Davi Brandão, Adelmo Soares e Francisco Nagib
reforçam o MDB e turbinam projeto de Orleans Brandão

A previsão do deputado federal Ildo Rocha de que o MDB sairá das urnas como partido majoritário na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal começou a ganhar formas ontem, com a confirmação da permanência da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, e a filiação de mais sete deputados: Andreia Rezende, Daniella Jadão, David Brandão, Francisco Nagib, Antônio Pereira, e Florêncio Neto e Adelmo Soares. Assim como a presidente da Alema, eles deixaram o PSB, que migrou para a oposição, e se mantiveram na aliança partidária liderada pelo governador Carlos Brandão (sem partido). Desde ontem, portanto, o MDB tem uma bancada de 10 deputados – os oito recém chegados e os dois já existentes, Ricardo Arruda e Kekê Teixeira, tornando-se a maior força no plenário da Assembleia Legislativa e irão para as urnas na linha de frente da candidatura de Orleans Brandão, que atuou fortemente na articulação para levar os parlamentares para o seu partido.

A migração desses deputados do PSB para o MDB começou a ser desenhada quando, há duas semanas, eles foram “desfiliados” do PSB. O primeiro movimento na direção do MDB foi feito pela deputada-presidente Iracema Vale, que fora convidada para ingressar no PT, que é a sua raiz partidária, que a queria também como candidata ao Senado. Foi um convite sedutor, que levou a chefe do Poder Legislativo a “balançar”. O distanciamento de parte do PT, que está alinhada à pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), em relação ao governador Carlos Brandão, de quem é aliada de primeira hora, levou Iracema Vale a transformar em definitiva, sua filiação “temporária” ao MDB. Antes, ela flertou com o PDT, ingressou no MDB à pedido do pré-candidato Orleans Brandão.

Os deputados que se converteram ao emedebismo, são todos donos de potencial eleitoral, detentores, portanto, de cacife para pleitear a reeleição. A deputada Andreia Rezende tem a região de Balsas como base principal, com influência também na região polarizada por Vitorino Freire. Daniella Jadão nasceu politicamente em Presidente Dutra, atua bem na região e estendeu seu espaço político e eleitoral até Caxias, onde é parte do grupo liderado pelo ex-prefeito Fábio Gentil. Adelmo Soares, que ocupa a vaga de Edson Araújo, tem seu forte eleitoral em Caxias e região.

Os deputados Florêncio Neto e David Brandão dividem o eleitorado de Bacabal, agora ampliado com a eleição do deputado Roberto Costa para a Prefeitura daquele município; ambos são adversários, mas chegaram à Assembleia Legislativa pelo PSB. O deputado Francisco Nagib, que tem berço político e eleitoral em Codó, permaneceu até pouto tempo no PSB, mas numa articulação feita por seu pai, o prefeito Chiquinho Oliveira (PT), retornou à base governista, agora pelo MDB. Um dos quadros mais experientes da Alema, o seu atual vice-presidente, o deputado Antônio Pereira vai tentar o sexto mandato, agora como representante do MDB.

Por orientação do presidente Orleans Brandão, o MDB divulgou nota saudando o ingresso da quase totalidade do PSB nos seus quadros. “Quando diferentes vozes se unem em torno de um propósito comum, quem ganha é o Maranhão e o Brasil. Sejam bem-vindos ao partido que constrói pontes, une forças e trabalha todos os dias por um futuro com mais equilíbrio, crescimento e oportunidades para todos”, diz a nota da agremiação, que além de Orleans Brandão e da presidente Iracema Vale, tem como principais referências o ex-presidente José Sarney e a ex-governadora e atual deputada federal Roseana Sarney.

Na semana que passou, o deputado federal Ildo Rocha, que tem posição destacada no comando do MDB, pertencendo inclusive ao Diretório Nacional, previu, em entrevista à TV Mirante, que o MDB projeta eleger nada menos que duas dezenas de deputados estaduais, ou seja, quase metade da Assembleia Legislativa. Sua previsão dificilmente se confirmará, mas não há dúvida de que o MDB sairá das urnas muita força política.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão terá novo partido ou cumprirá resto do mandato sem vinculação partidária?

Carlos Brandão: por enquanto
sem filiação partidária

Em meio a essa movimentação partidária, uma pergunta não quer calar: o governador Carlos Brandão terá filiação partidária nos dez meses que lhe restam de mandato? A pergunta é pertinente, já que ele bateu martelo e decidiu abrir mão de ser senador para cumprir o mandato até o último dia.

Semanas depois de deixar o PSB, após a direção nacional haver lhe tirado o comando do partido, a Coluna indagou a Carlos Brandão a que partido ele se filiaria. Sua resposta, via zap, foi a seguinte: “Estou vendo, mas não tenho pressa”. Ele foi convidado para ingressar pelo menos em seis partidos, mas preferiu não assumir compromisso com nenhum.

No meio político, a expectativa dominante era a de que ele se filiaria ao MDB, o seu caminho natural, até para estimular o grupo que encontrava-se no PSB o acompanhasse. Mas à medida que sua decisão de permanecer no cargo foi ganhando forma, aumentou a impressão de que ele assinaria ficha no MDB.

Decidido a permanecer no cargo, o governador Carlos brandão não precisa se filiar a um partido para cumprir o resto do mandato. Isso pelo fato de que não concorrerá a nenhum cargo. Para um político próximo a ele, permanecendo sem partido, o governador ficará mais à vontade como articulador, evitando a cobrança de estar mais próximo do partido a que estiver vinculado.

Mesmo mantendo a decisão de permanecer no cargo, o governador Carlos Brandão poderá se filiar a um partido a qualquer momento. Só que, se a filiação ocorrer antes de 4 de abril, haverá forte especulação sobre sua permanência ou não no cargo. Mas se ele ocorrer depois dessa data, não haverá mais retorno, uma vez que ele não poderá se candidatara nenhum cargo.     

Nova ação do PCdoB contra presidente do TCE acirra guerra política em curso no Maranhão

Daniel Brandão: alvo de
mais uma ação do PCdoB

A nova ação do PCdoB pedindo o afastamento do advogado Daniel Brandão do cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que preside no momento, funciona como combustível para a guerra política que vem sendo travada há dois anos no Maranhão. E mais do que isso: mantém aquela corte de contas sob forte pressão, alimentando ali um ambiente de instabilidade.

Na avaliação de advogados tarimbados, do ponto de vista formal, a escolha de Daniel Brandão para o cargo de conselheiro, via Assembleia Legislativa, e a sua nomeação pela governadora interina Iracema Vale, presidente da Assembleia Legislativa – que substituía o governador Carlos Brandão na ausência dele e do vice-governador Felipe Camarão, que se encontravam em missões diferentes fora do país – foram atos juridicamente perfeitos.

O dado causador do embate político e judicial é de natureza ética, pelo fato de Daniel Brandão ser sobrinho do governador Carlos Brandão, o que produziria nepotismo. A denúncia não leva em conta o fato de que, independentemente do parentesco, Daniel Brandão tem formação técnica, advogado que é, para exercer o cargo. E até onde é sabido, ele vem cumprindo com as suas obrigações.

Os desdobramentos desse caso afetaram fortemente a Corte de Contas, que está desfalcada de dois membros por conta de decisões judiciais que o obrigaram a Assembleia Legislativa a rever as regras de escolha de conselheiro. Tudo o que foi proposto para atualizar o processo de escolha foi feito pelo parlamento estadual, mas não foi suficiente para devolver normalidade ao processo de composição do TCE.

Não há dúvida, e a nova ação confirma isso, que essa é uma questão que vem alimentando a crise política que rompeu aliança e tirou os deputados do grupo montado pelo então governador Flávio Dino da base de apoio do governador Carlos Brandão, sendo um dos motivos da sua decisão de permanecer no cargo até o final do seu mandato.

São Luís, 21 de Fevereiro de 2026.

Depósito bilionário no BRB volta a causar tensão no TJ com decisão do CNJ de investigar o caso

Froz Sobrinho terá de explicar ao CNJ
sua decisão sobre Depósitos Judiciais

Depois de quatro dias oficiais de folia, Momo partiu, mas deixou um baita clima de ressaca no Poder Judiciário do Maranhão, tirando o sono do seu ainda presidente, desembargador Froz Sobrinho. E o motivo foi exatamente o finado Banco Master, cuja liquidação está causando insônia em boa parte da elite de Brasília e de vários estados, entre eles o Maranhão. A dor de cabeça ganhou intensidade ontem, quando o corregedor-geral do Conselho Nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, tornou pública sua decisão de mandar investigar o que está de fato por trás da decisões das cúpulas dos Judiciários de cinco estados – Maranhão, Alagoas, Bahia, Paraíba e Distrito Federal – de aplicar bilhões em Depósitos Judiciais no BRB, que ficou mal das pernas com a liquidação do Banco Master.

O presidente do TJ maranhense autorizou, numa decisão solitária, a transferência de R$ 2,8 em Depósitos Judiais que estavam depositados no Banco do Brasil, para o BRB. Ao explicar sua decisão para o colégio de desembargadores durante uma reunião tensa realizada no dia 28 de janeiro, o desembargador Froz Sobrinho, sob a alegação de que, enquanto no Banco do Brasil, que é sólido e sem riscos, essa bolada rendia algo em torno de R$ 3 milhões mensais, no BRB, que também foi um banco sólido até se associar às falcatruas do Master, rendia algo em torno de R$ 15 milhões por mês. Ficou claro que o presidente Froz Sobrinho trocou a segurança do Banco do Brasil, que paga juros de mercado, pelas incertezas de uma aplicação que rende cinco vezes mais.

– É como tirar suas economias da poupança da Caixa e entrega-las a um agiota para ele “fazer” dinheiro a juros escorchantes – disse um magistrado à Coluna.

O fato é que, admitam ou não o presidente Froz Sobrinho e seus aliados, sua gestão dos Depósitos Judiciais – que não pertencem ao Judiciário, mas é administrado por seus dirigentes -, abriu uma forte crise nos bastidores da Corte. E isso ficou claro no embate do dia 28 de janeiro entre o presidente Froz Sobrinho e o ex-presidente Paulo Velten, atual presidente da Justiça Eleitoral. Diante do forte e indiscutível abalo sofrido pelo BRB na esteira da liquidação do Banco Master, o presidente Froz Sobrinho tentou acalmar os ânimos garantidos que os Depósitos Judiciais não estão sob risco no banco candango. Ele assumiu sozinho o risco, alegando que foi uma boa medida pelo volume de rendimento, teve de encarar reações duras como a do ex-presidente Paulo Velten, que além de críticas ácidas, se recusou a participar de uma reunião para ouvir explicações de técnicos do BRB. “Estou fora!”, declarou Paulo Velten, avisando que não participará de qualquer reunião destinada a validar a decisão do presidente.

A decisão de ontem do corregedor-geral do CNJ obriga os presidentes dos Judiciários dos cinco estados a prestarem as informações sobre as aplicações que fizerem com Depósitos Judiciais no BRB, e também colocou a Polícia Federal no circuito para investigar essa movimentações, que envolvem vários bilhões de reais, a começar pelos R$ 2,8 bilhões do JT do Maranhão. Nesse contexto, por mais que o presidente do TJ repita que tomou a decisão certa em razão dos elevados ganhos, ele terá de dar explicações a um CNJ em estado de alerta máximo, pronto para punir severamente quem tiver pisado na bola nesse escândalo produzido pelo Banco Master.

E o que torna a situação mais complicada é que essa “bomba de efeito retardado” montada pelo presidente Froz Sobrinho será encontrada armada no birô do seu sucessor, desembargador Ricardo Duailibe, que assumirá em abril já tendo o desafio de desmonta-la. Isso porque o futuro presidente do TJ sabe que a normalidade sói voltará à Corte quando o petardo estiver devidamente desativados e os R$ 2,8 bilhões dos Depósitos Judiciais estiverem num banco sólido, como encontrava-se no Banco do Brasil, de onde não deveria ter saído.

PONTO & CONTRAPONTO

Aparício Bandeira rebate e minimiza relatório da CGU sobre obra da Litorânea

Aparício Bandeira esclarece
relatório da CGU sobre Litorânea

Num primeiro momento, a informação sobre um relatório da Controladoria Geral da União apontando supostas irregularidades, incluindo problemas técnicos e sobre preço, por exemplo, nas obras de prolongamento da Avenidas Litorânea, causou certo impacto, principalmente pelo tom dado à reportagem da TV Mirante. Logo em seguida, em bloco separado, a matéria foi complementada com as explicações do secretário de Infraestrutura (Sinfra), engenheiro Aparício Bandeira.

O titular da Sinfra minimizou o relatório, apontando-o como já vencido. Primeiro, lembrou que a peça da CGU encaminhada ao TCU fora emitido em agosto do ano passado, quando a obra ainda encontrava-se na fase inicial. E em seguida informou que a Sinfra já respondeu a todos os questionamentos.

Aparício Bandeira esclareceu: a obra é financiada pela Caixa, que fiscaliza todos os seus aspectos, examina com lupa os contratos e as medições e só libera as parcelas para pagamento quando não existe dúvida sobre o que dizem os relatórios dos seus técnicos.

O secretário foi enfático ao afirmar que não nada de errado com a evolução da obra, das medições e dos pagamentos. Segundo ele, não há como ter problemas, porque tudo é acompanhado pela Caixa, que só libera o pagamento após a conferência feita por seus técnicos. “É impossível ter distorções”, disse Aparício Bandeira.

Segundo uma fonte política, o governador Carlos Brandão não mostrou qualquer sinal de preocupação com a divulgação do relatório em tom de denúncia. O chefe do Executivo teria dito apenas que nada tem de errado na obras lá.

Dino não faz concessões e endurece o cerco aos penduricalhos salariais no serviço público

Flávio Dino endurece contra
penduricalhos salariais

Errou feio quem apostou que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, recuaria da sua decisão de acabar com os penduricalhos salariais que driblam a lei e rompem o teto salarial de R$ 46 mil, que é quando ganhos um membro da Corte Suprema.

Além de não ter mudado uma vírgula da decisão fixando prazo de 60 dias para que as três esferas do Poder Público informem à Corte os penduricalhos que pagam e as leis nas quais estão baseados. Ou seja, houve aperto no cerco que mega salários pagos no serviço por causa dos penduricalho.

Todos os sinais indicam que o ministro Flávio Dino não fará qualquer concessão. Ele analisará criteriosamente os relatórios que lhes serão encaminhados pelo Executivo, Legislativo e Judiciário das esferas federal, estadual e municipal. E num trabalho hercúleo, identificará o que tem, de fato, base legal, e o que é penduricalho mesmo nos “puxadinhos” salariais.

E foi mais longe: manteve suspenso o pagamento todas as regalias salariais e proibiu a aplicação ou a edição de novas leis que permitam o pagamento de salários ou de verbas indenizatórias acima do teto constitucional que ignoram o teto salarial fixado pela Lei maior.

E fechou a decisão mandou um recado direto e sem rodeios ao Poder Legislativo: ou o Congresso Nacional corrige essa distorção salarial absurda ou proporá à Corte Suprema resolverá o problema: “Caberá exclusivamente ao STF examinar a fixação de regime transitório, caso o Congresso Nacional não cumpra o seu dever de legislar e mantenha a omissão institucional”.

O ministro tem sido alvo de ataques de segmentos insatisfeitos e de segmentos da extrema direita, que tenta tirar proveito político da sua arrojada decisão em relação aos penduricalhos. No entanto, a pressão contra é abafada pelo apoio maciço que vem recebendo da opinião pública.

São Luís, 20 de Fevereiro de 2025.