Braide e Duarte Jr.: dois políticos com visão própria de poder e com bases de apoio diferentes

 

Duarte Jr. tem aliados mais bem definido, de grupo, como Bira do Pindaré e Carlos Brandão; por sua vez, Eduardo Braide conta agora Osmar Filho e Neto Evangelista

Eduardo Braide (Podemos) e Duarte Júnior (Republicanos) partem para as últimas 80 horas de campanha com suas bases de apoio definidas. Essa definição se consolidou nas últimas 72 horas, quando o deputado Neto Evangelista (DEM), que ficou em terceiro lugar, assumiu a condição de principal apoiador visível – invisíveis não querem aparecer, mas estão agindo intensamente nos bastidores – do candidato do Podemos, liderando a sua torcida em todos os atos de campanha de rua, ao mesmo tempo em que o governador Flávio Dino (PCdoB) tomou para si a condição de principal referência política do candidato do Republicanos, com o apoio direto e visível de seus aliados e auxiliares.  A campanha está “pegando fogo” e ganhando o status de confronto cujo desfecho terá repercussões importantes no tabuleiro da política estadual nos próximos tempos. Mas com um detalhe importante: Eduardo Braide e Duarte Júnior não aceitarão sombras nas suas gestões. Serão protagonistas.

Erra quem supõe que numa eventual gestão de Eduardo Braide haverá espaço para o senador Roberto Rocha (PSDB), seu aliado de ponta, ou para o deputado Neto Evangelista, sentarem à mesa para dar as cartas. Quem conhece o candidato do Podemos sabe que ele tem personalidade forte e não tem grupo político. As forças que o apoiam agora o fazem num jogo de conveniências. Com a noção própria de poder que tem, ele dificilmente rateará sua gestão. Se vier a eleger-se, assumirá o comando pleno da máquina, não aceitando qualquer tipo de interferência. Eduardo Braide sabe que seus entusiasmados aliados de agora, como o senador Roberto Rocha (PSDB), o deputado Neto Evangelista e a banda do PDT que vai ficar sem poder a partir de 1º de Janeiro querem carona na sua gestão, o que é natural. Mas sabe também que dividir o poder é uma questão delicada e cheia de riscos. Logo, é possível prever que boa parte da turma mobilizada em torno dele dificilmente dará cartas na sua eventual gestão.

O mesmo erro comete quem imagina que eleito prefeito Duarte Júnior baixará a guarda e repartirá o poder com aliados de conveniência. Dono de personalidade forte e de uma surpreendente capacidade de trabalho, algo quase compulsivo, não tendo dia nem hora, e com uma noção de comando muito própria, Duarte Júnior será um prefeito que certamente chamará para si toda a responsabilidade da sua gestão. E como demonstrou no Procon e no Viva Cidadão, é dono de uma espantosa capacidade de ação, e com habilidade de motivar seus liderados. Mas, diferentemente de Eduardo Braide, seu ponto de referência e de aconselhamento será sempre o governador Flávio Dino, a quem deve total lealdade. E tem um grupo, o que tornará sua ação bem mais fácil. Com base no seu trabalho no Procon/Viva Cidadão, o governador Flávio Dino sabe que pode contar com ele.

No campo estritamente político, Eduardo Braide e Duarte Júnior serão diferentes, mas com um ponto comum: os dois planejam fazer boas gestões na Prefeitura de São Luís, para servir de portfólio para um projeto maior que cada um alimenta, que vai além do Palácio de la Ravardière. Ambos sonham com o Palácio dos Leões. E sabem que têm concorrentes fortes pela frente. O projeto de Eduardo Braide, que tem 44 anos, é chegar lá mais rapidamente, mesmo avaliando que tem enormes obstáculos pela frente, a começar pelo senador Weverton Rocha (PDT). O de Duarte Júnior, que tem 34 anos, pode ser mais maturado, um pouco mais na frente, já que tem um aliado importante na fila, o vice-governador Carlos Brandão, que tem tido papel importante na sua caminhada partidária.

A catapulta política que os impulsionará será a votação que cada um receberá na eleição de domingo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Othelino Neto parabeniza deputados vencedores e saúda os que não se elegeram

Othelino Neto parabenizou os deputados eleitos Felipe dos Pneus, Fernando Pessoa e Rigo Teles

Com o entusiasmo de quem saiu das urnas como vencedor, mesmo sem ter sido candidato, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) se congratulou ontem com os deputados que disputaram prefeituras e foram eleitos – Felipe dos Pneus (Republicanos) em Santa Inês, Rigo  Teles (PL) em Barra do Corda e Fernando Pessoa (Solidariedade) em Tuntum – se congratulando também com os que não lograram êxito nas urnas, mas que tiveram o mérito de dar substância ao processo político, “semeando aqui para colher mais na frente”.

– Eleição é assim: alguém ganha e outros têm que perder. Então, aqueles que participaram, todos os colegas que disputaram a eleição, merecem nossos parabéns. Evidentemente, os que venceram e, claro, também aqueles que não obtiveram o resultado almejado, mas cumpriram com seu desejo, com o seu papel – disse o presidente. Para ele, vitoriosos ou não, todos merecem reconhecimento por seus esforços e suas mensagens deixadas aos eleitores.

Se eleições municipais movimentaram intensamente a Assembleia Legislativa. A eleição de três deputados para municípios importantes e estratégicos deu bem a dimensão da ação política dos parlamentares. Rigo Teles, que é o decano da Assembleia Legislativa com oito mandatos, vai para o comando de Barra do Corda depois de ter vencido uma eleição tranquila e sem traumas. Fernando Pessoa, um jovem engenheiro recém-chegado à política, vai comandar Tuntum depois de mais de duas décadas de domínio do prefeito Cleomar Tema, o que significa um grande desafio. E Felipe dos Pneus, um empresário jovem e recém-chegado na política que chega ao comando de Santa Inês, uma das mais importantes cidades aposentando de vez a velha guarda representada pelo engenheiro Valdivino Cabral (PL), que foi novidade nos anos 80 do século passado.

O presidente saudou também os deputados que disputaram prefeituras e não conseguiram se eleger. Foram eles: Neto Evangelista (DEM) e Yglésio Moises (PROS) em São Luís, Marco Aurélio (PCdoB) em Imperatriz, Adelmo Soares (PCdoB) em Caxias, Socorro Waquim (MDB) em Timon.

Othelino Neto fez referência à reeleição do prefeito Luciano Genésio (PP) em Pinheiro, marido da deputada estadual Thaíza Hortegal (PP), que disputou o pleito tendo como companheira de chapa Ana Paula Lobato (PDT), esposa do presidente da Assembleia Legislativa. “Fizeram uma bela campanha e obtiveram a vitória. Parabéns, deputada, pela reeleição de Luciano, pelo trabalho que vem sendo feito à frente da Prefeitura de Pinheiro”, concluiu. (Com informações da Assessoria da Alema).

 

Imbróglio eleitoral de São José de Ribamar continua repercutindo no meio político

Júlio Matos venceu Eudes Sampaio e Luís Fernando 

Continua repercutindo nos bastidores políticos e fora deles o resultado da eleição majoritária em São José de Ribamar. E o ponto dos comentários é o seguinte: mesmo que a Justiça Eleitoral confirme que o ex-prefeito Júlio Matos (PL) – eleito com 36% dos votos – seja ficha suja, anule seus votos e reconheça o prefeito Eudes Sampaio (PTB) – que foi o segundo colocado com 27% da votação – como vencedor do pleito, o que ficou claro mesmo foi a derrota do atual prefeito e, por via de desdobramento, do ex-prefeito Luís Fernando Silva e seu grupo. Antes considerado imbatível, agora vai ficando claro de que essa supremacia só existiu enquanto Júlio Matos foi mantido longe das urnas de São José de Ribamar por uma controvertida condenação por supostos desvios quando ele comandou uma maternidade pública em São Luís ainda nos anos 90 do século passado.  Se por decisão da Justiça o prefeito Eudes Sampaio vier a ser brindado com a reeleição, seu mandato terá legitimidade pífia.

São Luís, 25 de Novembro de 2020.

 

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