Bita do Barão cresceu com méritos de pai de santo, mas não chegaria onde chegou sem a ligação com José Sarney

 

Bita do Barão: ligação com José Sarney turbinou seu reinado no Terecô em Codó e o projetou para o Brasil como babalorixá

Não se discute a importância do pai de santo Wilson Nonato de Souza, conhecido como Bita do Barão – falecido na semana que passou – no universo da Umbanda no Maranhão, nem que ele foi, de longe, o mais destacado nome do Terecô, uma variação da Umbanda intensamente praticada na região Leste do estado – Codó, Caxias, Timon, por exemplo. É fato incontestável que do seu terreiro em Codó, pomposamente batizado “Palácio de Iansã”, ele reinou absoluto por mais de meio século, ganhou projeção nacional, chegando a ser apontado por alguns como um dos mais importantes líderes umbandistas do País. Nenhum reparo a esses méritos. Ao mesmo tempo, não há como contestar nem sequer discutir que muito, mas muito mesmo, da importância que Bita do Barão alcançou e cultivou com raro talento foi fruto da sua relação com o ex-presidente José Sarney (MDB) e sua família. Ambos mantiveram uma convivência tão próxima e tão intensa, no plano religioso, familiar  folclore político, que correu o Brasil ao longo de muitos anos. Bita do Barão viveu e morreu como o pai de santo-conselheiro da família Sarney.

Bita do Barão e José Sarney são contemporâneos, e a relação que construíram começou provavelmente durante a campanha para o Governo do Estado em 1965. Durante suas incursões pelos mais diversos recantos do Maranhão em busca de votos, José Sarney conheceu e se afeiçoou a diversas figuras diferenciadas entre políticos, empresários, sacerdotes, artistas, intelectuais, ou simplesmente pessoas destacadas por suas atitudes, seus talentos ou sua religiosidade, enfim, por qualquer traço que os tornassem ímpares, diferentes dos demais. O melhor exemplo desse traço da personalidade de José Sarney foi Moacir Neves, um dos seus amigos mais próximos, que unia um talento excepcional para os negócios a uma forte vocação para exibir sua veia folclórica, principalmente quando assumia a condição de vidente, tendo previsto, com mais de uma década de antecipação, que José Sarney seria presidente da República. E são poucas as réstias de dúvidas de que o pai de santo codoense se enquadra com precisão absoluta nesse universo que tanto fascina o ex-presidente da República, um católico roxo, que confia piamente na proteção divina, reza contrito e fervoroso, e cultiva relações fortes com a cúpula conservadora da Igreja Católica brasileira.

Qualquer investigação simples na linha do tempo certamente encontrará que – sem discutir o seu destaque na seara do Terecô -, Bita do Barão impulsionou sua projeção à medida que foi se consolidando com jogador de búzios para  José Sarney no campo político. Esse viés da relação levou muitos políticos e empresários de peso a buscar vidência e proteção de santos no Palácio de Iansã, dando ao babalorixá um tamanho que ele certamente não teria sem a marca Sarney espalhada no seu terreiro colorindo sua biografia. Nas asas dessa relação, Bita do Barão usou seu talento nato excepcional para a promoção pessoal, construiu uma trajetória de muito sucesso e ganhou muito dinheiro, a ponto de dar-se o luxo de usar Botox para falsear a idade, de viver coberto de ouro e de alimentar a lenda (?) segundo a qual que teria um baú cheio de joias, como aqueles que instigaram a imaginação nos filmes de piratas caribenhos. Muito inteligente, com muita perspicácia, sempre encontrou meios de alimentar rumores a seu respeito, mas com o cuidado extremo de esconder a verdade a todo custo.

Por seu turno, José Sarney jamais negou ou sequer minimizou sua relação com Bita do Barão, mas sempre encontrou formas de mostrar que era seguido e não seguidor. Sempre deixou passar a impressão de que Bita do Barão era uma das suas pontes com o eleitorado umbandista. Nessa linha, Roseana Sarney (MDB) manteve e reforçou a relação, ampliando ainda mais o poder de fogo do babalorixá, que em momentos de campanha sempre vinha a público para anunciar que, segundo os santos consultados no seu terreiro, a filha de José Sarney venceria a eleição. Errou feio em 2006 e em 2018, duas eleições em que Roseana Sarney foi derrotada na disputa para o Governo do Estado – com a diferença de que 2018, quando as pesquisas apontaram que a derrota da ex-governadora era irreversível, ele entrou no circuito para prever o insucesso da ex-governadora nas urnas.

Em resumo: Bita do Barão se tornou o “rei” do Terecô com muitos méritos, pela sua religiosidade, pela sua capacidade de liderar, pelo talento superior de chamar a atenção e amealhar prestigio e fortuna. No entanto, os píncaros que alcançou foram, sem sombra de dúvida, frutos bem cultivado da produtiva ligação com o ex-presidente José Sarney.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Visitas de ministros ao Maranhão e audiências no DF mostram acerto na relação institucional São Luís-Brasília

Flávio Dino com o vice Hamilton Mourão, e com os ministros general Santos Cruz, Marcos Pontes e Ricardo Salles

Em 110 dias de cultivo, as boas relações institucionais do Governo de centro-esquerda do governador Flávio Dino (PCdoB) com o de direita radical do presidente Jair Bolsonaro (PSL) vêm surpreendendo o mundo político, principalmente pela distância política e ideológica que os separam. Um impressionante número de ministros de Estado já desembarcou em São Luís para tratar de temas diversos com autoridades estaduais, enquanto outro tanto já recebeu o governador e diversos secretários em audiências em Brasília. O próprio governador Flávio Dino já foi recebido na Capital da república pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Já estiveram em São Luís os ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Ricardo Sales (Meio Ambiente) e general Santos Cruz (Secretaria da presidência da República). Em Brasília, secretários do Governo do Maranhão já foram recebidos pelos ministros da Saúde (Luiz Mandetta), Educação (o então ministro Carlos Vélez), Infraestrutura (Tarcísio Delgado), Cidadania (Osmar Terra) e Paulo Guedes (Economia). Um dado a ser anotado é que, apesar das profundas diferenças políticas e ideológicas que separam os dois Governos, em nenhum desses encontros, tanto nas visitas dos ministros ao Maranhão quanto nas audiências em Brasília foi registrado qualquer traço de mal-estar. Ao contrário, esses encontros têm se dado em clima de absoluta normalidade, sem nenhuma declaração de amor político, marcados por atenção e gentileza. Um exemplo: a visita do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, um jovem advogado da direita ranzinza, deu-se e clima de plena civilidade política, tendo o ministro e o governador feito um sobrevoo nos Lençóis Maranhenses e se reunido no Palácio dos Leões sem um segundo de mal-estar. O dado mais relevante dessa relação é que o governador Flávio Dino não abre mão da sua condição de oposicionista, fazendo duras críticas a decisões do Governo Federal e da direita que o compõe, enquanto os novos habitantes do Planalto e da Esplanada dos Ministérios não perdem a oportunidade de bater forte e impiedosamente na esquerda. É a democracia em curso, apesar das tensões no ar.

 

PCdoB vai lançar Marco Aurélio e Clayton Noleto como pré-candidatos em Imperatriz

Marco Aurélio e Clayton Noleto serão confirmados pré-candidatos do PCdoB à Prefeitura de  Imperatriz

O PCdoB deve iniciar nas próximas semanas o processo de escolha do seu candidato a prefeito de Imperatriz. E o primeiro passo será a confirmação do deputado Marco Aurélio (PCdoB), atual líder do Blocão governista na Assembleia Legislativa, e Clayton Noleto, secretário de Infraestrutura do Governo do Estado, como pré-candidatos. Com a definição, o partido vai liberar os dois para construíram suas candidaturas, de modo a que no momento adequado – provavelmente em fevereiro do ano que vem – esteja em condições de apontar o mais viável política e eleitoralmente. Marco Aurélio e Clayton Noleto terão o desafio de agregar em torno dos seus projetos, atraindo para suas órbitas lideranças e grupos que possam fortalecê-los politica e eleitoralmente. Até agora, todas as avaliações que chegaram ao conhecimento da Coluna apontam o deputado Marco Aurélio como o nome eleitoralmente mais forte, o que não significa dizer que o secretário Clayton Noleto seja carta fora do baralho. A decisão do PCdoB foi tomada depois que o prefeito Assis Ramos, que é candidatíssimo à reeleição, deixou o MDB e ingressou no DEM, partido que integra a base de apoio do governador Flávio Dino. O presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, já apontou o deputado estadual Duarte Jr. o deputado federal licenciado Rubens Jr. e o vice-prefeito Júlio Nogueira como pré-candidato do partido em São Luís. A iminente definição de Marco Aurélio e Clayton Noleto como pré-candidato em Imperatriz revela a existência de uma estratégia em curso.

São Luís, 21 de Abril de 2019.

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