A reação indignada do vice-governador Felipe Camarão (PT) ao vazamento do conteúdo de uma ação, que corria em sigilo judicial, na qual o procurador geral de Justiça (PGJ), Danilo Castro, o acusa de movimentar quantias acima das suas condições salariais, sugerindo um suposto esquema de lavagem, envolvendo membros da sua segurança e familiares, pode ter funcionado como o toque de trombetas de uma guerra pelo poder que poderá ir muito além da simples e republicana corrida pelo voto. Na sua reação, o vice-governador dispara chumbo grosso contra o PRJ Danilo Castro, responsabilizando-o diretamente pelo suposto forjamento da denúncia e do seu vazamento num momento crítico de decisão, e estende a sua linha de tiro ao Palácio dos Leões, acusando o governador Carlos Brandão (sem partido) de fazer parte de um esquema destinado a atingir-lhe a imagem pública.
Três situações são muito claras nesse confronto, que promete ganhar dimensões bem maiores e reações imprevisíveis.
A primeira é que a denúncia existe, com o PGJ Danilo Castro pedindo o afastamento do vice-governador. Se as informações que sustentam a denúncia são verdadeiros ou não, isso é outra história, cabendo ao vice-governador Felipe Camarão responder no plano judicial, contestando-a com informações capazes de desmonta-la. É assim que funciona no estado democrático de direito. Se convencesse, seria naturalmente absolvido, colocando o PGJ numa situação crítica; se não, teria de arcar com as consequências, inclusive com um possível afastamento.
A segunda situação bem nítida é que a ação tramitava em segredo de Justiça e veio a público, em tom de escândalo, num vazamento criminoso. A reação do vice-governador Felipe Camarão nesse aspecto é normal e justificada, e coloca o PGJ numa situação extremamente desconfortável, a começar pelo fato de ser ele uma espécie de “fiel depositário” desse segredo judicial, que escapou ao seu controle e foi parar nas páginas de jornais e nos espaços da blogosfera. Quem vazou? Cabe ao PGJ Danilo Castro responder, e a ninguém mais – como ele vai fazer isso, só ele saberá. O vice-governador tem todo o direito de cobrar esclarecimento batendo às portas do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O caráter criminoso do vazamento, porém, não invalida a denúncia, que terá de ser contestada com uma contraofensiva judicial.
A terceira situação é, de longe, mais complicada e explosiva: a politização da acusação pesada ao vice-governador Felipe Camarão e do seu vazamento criminoso. O vice-governador apontou o dedo para o Palácio dos Leões, acusando o governador Carlos Brandão “e seu irmão” de supostamente montar “um estado policialesco”, relacionando-o com o PGJ Danilo Castro. Com essa reação, o vice-governador o arremessa o pacote para o epicentro da disputa política na qual ele é peça importante, motivo principal da decisão do governador Carlos Brandão de lançar Orleans Brandão (MDB) à sua sucessão, abrindo mão do sonho colorido de todo governador, que é ser senador.
A acusação de que o vice-governador Felipe Camarão fez movimentação financeira “atípica”, que ele chama de “factoide” destinado a atingir-lhe a imagem, terá de ser resolvida no plano judicial, a menos que o PGJ a retire, o que parece improvável. Já o vazamento, que é crime grave, terá que ser desvendado por procedimento administrativo ou por investigação policial severa e abrangente, caso o PGJ Danilo Castro não tenha meios de colocar o caso em pratos limpos sem necessidade um desgastante processo, principalmente se ele envolver o CNMP. O fato é que o vazamento terá de ter nome(s) e identidade(s), sem o que o ônus será colocado na conta do PGJ Danilo Castro.
Num outro patamar, o caso pode levar a desdobramentos imprevisíveis no tabuleiro da política, a começar pelo fato de que, sejam quais forem os desfechos da acusação e da investigação do vazamento, um estrago na imagem de homem público do vice-governador Felipe Camarão está feito. E a primeira consequência política disso é a guerra fraticida que vem sendo travada nas redes sociais, na qual o vice-governador Felipe Camarão, o PGJ Danilo Castro, e, por tabela, o governador Carlos Brandão estão sendo alvejados impiedosamente num intenso jogo de ataque e contra-ataque feito por partidários dos três.
O caso certamente produzirá desdobramentos fortes e até decisivos na guerra já em curso pelo Palácio dos Leões.
PONTO & CONTRAPONTO
Com desistência de Ratinho Jr., Braide aguarda definição do PSD sobre candidato a presidente
A decisão do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), de não concorrer à presidência da República nem disputar uma cadeira no Senado, abrindo caminho para que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, seja o nome escalado pelo PSD para enfrentar o presidente Lula da Silva (PT), pode ter desdobramentos no Maranhão.
Nos bastidores partidários, corre a informação de que a definição do PSD sobre o palácio do Planalto pode ter influência forte na decisão do prefeito de São Luís, Eduardo Braide, sobre ser ou não ser candidato ao Palácio dos Leões. Isso porque será com o candidato do PSD a presidente que ele montará o palanque no Maranhão.
De acordo com rumores, confirmados por fontes próximas ao prefeito, a definição do candidato a presidente terá peso na decisão do prefeito Eduardo Braide, que, se optar por concorrer, quer liderar no Maranhão um partido que tenha identidade nacional, a começar por um candidato a presidente da República.
Com a desistência do paranaense Ratinho Júnior – que decidiu ficar no Governo para impedir a eleição do senador Sérgio Moro -, o PSD tem duas opções para presidente da república: o goiano Ronaldo Caiado e o gaúcho Eduardo Leite. Pelas avaliações feitas de ontem para cá, a tendência é favorável a Ronaldo Caiado.
Não se conhece a preferência do prefeito Eduardo Braide nessa equação.
Maranhãozinho dá demonstração de força, mas sabe que enfrentará problemas para manter comando do PL

indicando Fabiana Vilar para substituí-lo
como candidata à Câmara federal
Ao anunciar a candidatura da deputada estadual Fabiana Vilar (PL) à Câmara Federal, deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) deu uma demonstração ousada de que a condenação a seis anos de cadeia, em regime semiaberto por conta das suas milionárias estripulias com emendas parlamentares não lhe tirou a base política bem forjada que construiu no Maranhão.
Primeiro, ele mostra que, pelo menos por enquanto, tem o controle absoluto do braço maranhense do PL, independentemente da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro a presidente das República pelo partido. E depois, a demonstração de força política funcionou como um recado de que ele e seu grupo estão vivos e querem ter influência na corrida ao Palácio dos Leões.
É claro que essa é uma reação do primeiro momento, com ele saindo na frente para criar a resistência ao que vem por aí em relação ao seu partido. Não é segredo que os Bolsonaro não gostam de Josimar de Maranhãozinho, que o ex-presidente o chamou de corrupto e tentou tomar-lhe o controle do partido no Maranhão é que seja possível que Flávio Bolsonaro queira fazer o mesmo. Não há dúvida, portanto, de que o poder de fogo de Josimar de Maranhãozinho será testado em pouco tempo.
Quanto à escolha da deputada Fabiana Vilar para substitui-lo na Câmara Federal, Josimar de Maranhãozinho não surpreendeu, uma vez que a parlamentar tem sido sua porta-voz na Assembleia Legislativa e no Governo do Estado. Ela representou o grupo como secretária de Agricultura no Governo Flávio Dino e atualmente lidera a bancada estadual do PL. Pensa como ele e é de sua extrema confiança. São Luís, 24 de Março de 2026.




























