Articulações indicam que o PT deve se aliar ao PSB em chapa liderada por Brandão

 

Lula da Silva, Gleise Hoffmman e Flávio Dino: gesto de unidade, ontem, em Brasília

A reunião de quarta-feira (19) de Carlos Brandão com a cúpula estadual do PT, e a conversa, ontem, do governador Flávio Dino (PSB) com o ex-presidente Lula da Silva e cúpula nacional do partido, ambas avaliadas como “altamente positiva”, foram sinais fortes de que o braço maranhense do partido se encontra a caminho de um acordo para apoiar a pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão (ainda no PSDB) ao Palácio dos Leões. O acordo ainda não foi amarrado por causa da presença do vice-governador nos quadros do PSDB, mas deverá ser consumado, já que o pré-candidato está com um pé no PSB, devendo completar assim as condições políticas e partidárias para se tornar um candidato viável à sucessão do governador Flávio Dino. Esses movimentos do governador e do vice-governador aproximam cada vez mais o PT do vice-governador, ao mesmo tempo em que distanciam o PT do senador e pré-candidato Weverton Rocha (PDT), que também vem trabalhando duro para conseguir o apoio do ex-presidente Lula da Silva e do seu partido. E tudo indica que o quadro da disputa no âmbito da aliança governista deve ser resolvido mesmo na reunião do dia 31.

O martelo da migração do vice-governador Carlos Brandão do PSDB para o PSB já está erguido, sendo que a única pendência é a migração de Carlos Brandão. O vice-governador trabalha para que, mesmo migrando para o PSB, o PSDB permaneça na sua área de influência. O problema é que, no plano nacional, o PDT está afastado do PT por causa da pré-candidatura presidencial de Ciro Gomes, que inviabiliza uma aliança que possa reforçar o projeto de candidatura do senador Weverton Rocha, mesmo estando a agremiação brizolista até mesmo abrir a vaga de candidato a vice para o partido do ex-presidente Lula da Silva. No geral, o PT está mergulhado em debates sobre a relação com o PSB e com o PDT.

Dentro do PT, a situação visível é que o partido ainda não tem uma posição bem amarrada. Mas, no geral, os três grupos que ali se digladiam tendem a se unir em torno do projeto avalizado pelo governador Flávio Dino. O primeiro grupo tem no comando a corrente liderada pelo atual presidente do partido, que está em processo de “fusão” com a banda comandada pelo ex-presidente e atual vice-presidente Augusto Lobato, da qual faz parte também o deputado estadual Zé Inácio e o deputado federal Zé Carlos Araújo, apontado por muitos como o nome forte para vice de Carlos Brandão. O segundo é o grupo que tem força concentrada em São Luís, comandado pelo ex-vereador ludovicense, Honorato Fernandes, incluindo outras forças menos expressivas do PT. E o terceiro, formado por petistas independentes, liderado pelo professor Chico Gonçalves, atual secretário de Direitos Humanos, e que hoje conta com a mais nova estrela do PT maranhense, Felipe Camarão, atual secretário de Educação.

Aliados de Carlos Brandão garantem que, na ponta do lápis, ele tem a maioria do partido decidida a alinhar-se à sua pré-candidatura. Mas isso não significa que o senador Weverton Rocha esteja fora do jogo pelo apoio do PT. Apesar da candidatura de Ciro Gomes como obstáculo, o líder pedetista mantém um canal de diálogo com o ex-presidente Lula da Silva, com quem conversa com frequência e de quem já teria ouvido declaração de simpatia ao seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões. No epicentro desse tabuleiro, porém, encontra-se o governador Flávio Dino, apoiador da pré-candidatura de Carlos Brandão, e cuja palavra tem peso dobrado nas articulações para a formação da aliança. A conversa de ontem, em Brasília, muito provavelmente definiu os pontos finais da aliança, que para ser confirmada depende agora de o vice-governador fechar seu ciclo de conversão ao socialismo democrático, filiando-se ao PSB.

Nos bastidores partidários, muita gente já dá como fato consumado a aliança PT/PSB, com chapa liderada por Carlos Brandão, com um vice petista. Na seara do senador Weverton Rocha, ninguém admite a inclinação do PT para compor com o PSB, todos reafirmando que a aliança PDT/PT vai sair, mesmo que informalmente, já que a pré-candidatura de Ciro Gomes inviabiliza uma aliança formal.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Othelino Neto tem agenda incrementada com ascensão de Ana Paula à Prefeitura de Pinheiro

Othelino Neto acompanha a prefeita  Ana Paula Lobato em ação social em Pinheiro

O presidente da Assembleia Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB), aumentou consideravelmente os itens da sua agenda desde a semana passada. Explica-se: além dos compromissos como chefe do Poder Legislativo, das suas atividades como deputado e de ser um dos articuladores do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo, o parlamentar foca também a atenção em Pinheiro, onde sua mulher, Ana Paula Lobato (PDT), assumiu a Prefeitura por causa do afastamento do prefeito Luciano Genésio (PP), acusado de corrupção. Sempre que pode, o presidente do parlamento estadual se desloca até Pinheiro, onde acompanha as ações em curso e atua como conselheiro informal da prefeita Ana Paula Lobato.

 

Eleição na Câmara Municipal é primeiro desafio para Braide

Eduardo Braide apoia Dr. Gutemberg contra Paulo Victor

A eleição da nova Mesa da Câmara Municipal de São Luís será o primeiro grande teste político para o prefeito Eduardo Braide (Podemos). Com a experiência de quem conhece bem o peso do parlamento na gestão municipal, o prefeito entrou de cabeça na disputa apoiando a candidatura do vereador Dr. Gutemberg (PSC), que tem como líder estadual o deputado federal Aloísio Mendes, presidente regional do partido. Ao assumir o apoio à candidatura do vereador Dr. Gutemberg, o prefeito Eduardo Braide se posicionou contra a candidatura do vereador Paulo Victor (PCdoB), apoiado pelo Palácio dos Leões. Em resumo: se Dr. Gutemberg vencer, o prefeito Eduardo Braide viverá os dois últimos anos da sua gestão se maiores problemas na Câmara. Mas se a vitória for do vereador Paulo Victor, o prefeito não terá vidas fácil.

São Luís, 25 de janeiro de 2022.

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