Senado: Rocha oficializa candidatura à reeleição num cenário de enormes dificuldades

 

Roberto Rocha tem candidatura homologada em convenção do PTB

O senador Roberto Rocha teve sua candidatura à reeleição oficializada ontem em convenção do seu partido, o PTB, agremiação que controla há menos de três meses e que faz parte da base bolsonarista no Maranhão. O PTB também decidiu coligar com o PDT, que tem o senador Weverton Rocha como candidato a governador. O PSD, que tem Edivaldo Holanda Jr. como candidato a governador, e o PSC, cujo candidato a governador é Lahesio Bonfim, e que não têm candidatos a senador, o apoiarão informalmente. Nenhum dos candidatos a governador participou da convenção, que também foi inexpressiva em participação de prefeitos, parlamentares e lideranças de segmentos da sociedade organizada. Já na condição de candidato à reeleição, o senador petebista fez um longo discurso no qual justificou sua candidatura, explicou suas alianças e, como não poderia deixar de ser, disparou petardos na direção dos seus adversários.

Roberto Rocha entra na corrida eleitoral em busca da reeleição com enormes desafios para administrar e, se possível, superar. O primeiro e maior deles é o seu principal adversário, o ex-governador Flávio Dino (PSB), que embalado pelo prestígio que ampliou e consolidou em sete anos e meio de governo, situação que o coloca com cerca de 20 pontos percentuais à sua frente, segundo todas as pesquisas realizadas desde que confirmou seu projeto de reeleição, incluído a mais recente, da Econométrica. O segundo desafio do senador Roberto Rocha é percorrer o Maranhão em campanha carregando como bandeira o projeto de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), que está cerca de 30 pontos percentuais atrás do ex-presidente Lula da Silva (PT), que faz dobradinha com o candidato socialista Flávio Dino.

Ciente de que dificilmente levará a melhor no confronto com o ex-governador Flávio Dino, Roberto Rocha se movimentou para reunir em torno da sua candidatura todas as correntes identificadas com o bolsonarismo. Só que nem tudo é alinhamento. No PSD, por exemplo, o presidente estadual da legenda, deputado federal Edilázio Jr., é alinhado ao presidente Jair Bolsonaro, mas o candidato do partido a governador, Edivaldo Holanda Jr., ex-prefeito de São Luís, reafirmou ontem que não apoia sua candidatura à reeleição, reafirmando sua decisão, segundo ele irreversível, de ficar neutro na eleição senatorial. Já no PSC, o candidato a governador pelo partido, Lahesio Bonfim, que não nutre um naco sequer de simpatia pelo projeto de reeleição do senador, só declarou apoio à candidatura do parlamentar depois de chamado às falas pelo presidente regional do partido, deputado federal Aloísio Mendes.

A aliança com o senador Weverton Rocha, consumada na coligação PDT/PTB é o desfecho de movimentação em duas frentes. Numa delas, por não aceitar o fato de não ter sido escolhido candidato da aliança dinista, o senador Weverton Rocha rompeu com seus aliados tradicionais e se juntou com as forças bolsonaristas, lideradas pelo senador Roberto Rocha e pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho. A outra frente é a determinação do presidente Jair Bolsonaro de evitar a qualquer custo a eleição do ex-governador Flávio Dino para o Senado. O projeto original do senador Roberto Rocha era ser candidato a governador, mas foi “convencido” pelo presidente Jair Bolsonaro a candidatar-se à reeleição com o objetivo de inviabilizar a eleição de Flávio Dino, que o presidente tem como uma das mais fortes e intensas vozes da oposição a ele e ao seu governo.

O senador Roberto Rocha oficializou sua candidatura plenamente ciente das dificuldades que estão no caminho às urnas. A começar pelo fato de que a aliança político-partidária, que batizou de “Frente Ampla de Oposição”, não se refletiu nas pesquisas mais recentes, confirmando a regra segundo a qual apoios políticos nem sempre se traduzem em suporte eleitoral. Por outro lado, não se pode esquecer que eleições, principalmente as majoritárias, costumam produzir resultados imprevisíveis. O problema é que o ex-governador Flávio Dino é um político cuja base é consistente e está mobilizada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Neutralidade de Edivaldo Jr. na disputa senatorial tem duas faces

Edivaldo Jr.: nem Roberto Rocha nem Flávio Dino

“Tomamos a decisão da neutralidade, de não se envolver na disputa ao Senado. Queremos cuidar e discutir apenas o Governo e a nossa campanha. O que é importante em tudo isso é o relacionamento de respeito. Já é ponto pacífico: respeitamos a decisão do presidente e ele a nossa. O que importa é o diálogo”.

Com essa declaração, dada ontem em entrevista à Rádio Mirante AM, o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr., candidato a governador pelo PSD, parece ter colocado ponto final na discussão que envolve a sua decisão de não apoiar nem o senador Roberto Rocha (PTB), candidato à reeleição com o apoio da cúpula do seu partido, nem o ex-governador Flávio Dino (PSB).

Quando negociou o seu ingressou no PSD para disputar o Governo do Estado, Edivaldo Holanda Jr. incluiu no pacote a exigência de que o partido não lançasse candidato ao Senado, chegando a admitir que votaria no ex-governador Flávio Dino. Afinal, Edivaldo Holanda Jr. deve a Flávio Dino parte da sua eleição (2012) e da sua reeleição (2016) para a Prefeitura de São Luís. Ao decidir agora pela neutralidade pura e simples, o ex-prefeito de São Luís comete uma visível derrapada no campo da lealdade política.

Em relação ao senador Roberto Rocha, a situação é diferente. Ele foi vice de Edivaldo Holanda Jr. na Prefeitura de São Luís, cargo que deixou para disputar o Senado em 2914, vencendo a eleição contra o então deputado federal Gastão Vieira (MDB) e com o apoio total e decisivo de Flávio Dino, então candidato a governador. Logo em seguida os dois se afastaram e viraram adversários.

Em resumo: se sua decisão de não apoiar o projeto de reeleição do senador Roberto Rocha faz algum sentido, a decisão de não apoiar o ex-governador Flávio Dino é uma derrapada política muito difícil de ser compreendida.

 

PROS volta à aliança em torno de Weverton Rocha

Chico Carvalho perde de novo o controle do PROS para Marcos Caldas

De novo o peso da pressão política exercida pelo senador Weverton Rocha (PDT) causou reviravolta no comando do PROS. Decisão da Justiça havia derrubado o comando nacional do partido, resultando na troca de comando no braço maranhense da agremiação, foi ontem desfeita, voltando a ser tudo como antes no quartel de Abrantes. Esclarecendo: Por decisão judicial, até quatro dias atrás, o PROS estava sendo comandado no Maranhão pelo suplente de deputado estadual Marcos Caldas. Alinhado à candidatura do senador Weverton Rocha. Há três dias, nova decisão devolveu o partido ao comando do vereador de São Luís Chico Carvalho, que por estar na direção do Avante, indicaria a esposa para comandar o PROS, recolocando o partido na aliança comandada pelo governador Carlos Brandão (PSB). Mas ontem, nova decisão em Brasília desfez tudo, resultando que no Maranhão o partido passou novamente para o controle do suplente de deputado estadual Marcos Caldas e ao alinhamento à candidatura do senador Weverton Rocha. Há quem veja mais reviravoltas a caminho.

São Luís, 05 de Agosto de 2022.

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