Proposta provocadora de CPI para a Saúde abre guerra ácida entre Eduardo Braide e Rogério Cafeteira

Andrea Murad abriu o tiroteio que confrontou Eduardo Braide e Rogério Cafeteira por causa de Wellington do Curso
Andrea Murad abriu o tiroteio que confrontou Eduardo Braide e Rogério Cafeteira por causa da provocadora proposta de CPI de Wellington do Curso

 

O pretexto é uma proposta de CPI sem muita consistência engendrada pelo deputado Wellington do Curso (PP) para investigar supostos malfeitos na área de Saúde, mas o que está mesmo acontecendo no plenário da Assembleia Legislativa é a eclosão das tensões pré-eleitorais e que se repetirá até as eleições do ano que vem. Nesse contexto, o embate travado ontem entre Oposição – que se manifestou pelas vozes de Andrea Murad (PMDB), Edilázio Jr. (PV) e Eduardo Braide (PMN) nada mais foi do que uma prévia do que deve acontecer com frequência de agora por diante. Motivada pela proposta de CPI do deputado Wellington do Curso e por declarações recentes do governador Flávio Dino (PCdoB) e do secretário de Saúde, Carlos Lula, a Oposição criou um factóide inteligente, por meio do qual conseguiu atrair a Situação para a briga, colocando no centro do ringue o líder do Governo, deputado Rogério Cafeteira (PSB), que mordeu a isca e entrou na ciranda de ataques e contra-ataques.

O que poderia ser um debate duro, com provocações ousadas da banda oposicionistas e reações ácidas e cortantes da liderança governista acabou degringolando para uma surpreendente troca de tabefes verbais, que em alguns casos doerem mais do que socos reais. O ponto alto foi o “bateu-levou” entre os deputados Eduardo Braide e Rogério Cafeteira. Eles foram ao paroxismo no embate, que de tão duro e ofensivo assanhou o bom senso do presidente em exercício Othelino Neto (PCdoB), levando-o a cometer a “indelicadeza” de encerrar a sessão. Para deixar o leitor mais à vontade para avaliar o episódio, a Coluna decidiu oferecer-lhe o pugilato verbal na forma como ele se deu. Segue, assim, o ponto alto do embate entre os deputados Eduardo Braide e Rogério Cafeteira:

Deputado Eduardo Braide – Senhor Presidente, Senhores Deputados, Senhoras Deputadas. Senhor Presidente, primeiro se  diz  que  conselho não se dá, porque  se   fosse   bom,   a  gente vendia e  não dava. Mas o primeiro  conselho que eu dou, Deputado  Edilázio,  é que o Deputado  Rogério Cafeteira  se acalme. Acho  que  o melhor  que ele pode fazer é  se acalmar. E uma  coisa  que eu percebo:  nós  estamos aqui há dois anos e meio, (…) praticamente, que o Deputado Rogério Cafeteira é líder do Governo Flávio Dino. E toda vez que é para se  discutir um tema do  Governo, o Deputado Rogério Cafeteira parte para os ataques pessoais. Isso demonstra nada mais do que a falta de argumentos para discutir as questões de Governo. E nesse ponto, eu quero dizer que todo governo tem o líder que merece. E acho que V. Ex.ª é bem a cara do Governo Flávio Dino. Em relação a outras situações, Deputado Rogério Cafeteira, eu quero dizer a V. Ex.ª que o período de mentiras em relação a minha pessoa ficou no ano passado. Foi isso que eu disse a V. Ex. E V. Ex.ª tanto se irritou. (…) Eu tive que tirar licença para ser candidato a Prefeito de São Luís. E na minha ausência, eu fui atacado covardemente da tribuna da Assembleia. Quero dizer que este ano é diferente. Estou aqui presente. É um deputado descendo de uma tribuna e eu subindo a outra para poder me defender. Então, deputado Rogério Cafeteira, o primeiro conselho que lhe dou “se acalme”. E quando tiver que discutir comigo, vamos discutir as questões de Governo.  V. Ex.ª vem para o ataque pessoal e me leva ao seguinte raciocínio: uma pessoa, para partir para o ataque pessoal, (…) ela tem que ser exemplo de vida. E me permita dizer, deputado Rogério Cafeteira, já não querendo lhe ofender, como V. Ex.ª fez comigo, mas não vejo em V. Ex.ª nenhum exemplo para partir para o ataque pessoal a ninguém desta Casa. Então se acalme, vamos discutir as questões de governo, estou pronto para discutir as questões de governo. V. Exa. sobe aqui à tribuna e faz piadas, outro dia subiu à tribuna aqui e foi dizer que era pra eu investigar como é estava a situação do meu gabinete, eu não entendi sinceramente que V. Exa. quis fazer com isso. Se foi em relação algum factoide que foi criado na época da campanha, V. Exa., eu quero dizer a V. Exa. que se for pra gente trazer essa discussão V. Exa. me força a antecipar tudo aquilo e todas as mentiras que foram tratadas em relação a minha pessoa no ano passado, não quero acreditar que V., Exa. estava nos bastidores dessas mentiras porque tudo está sendo apurado inclusive pela Polícia Federal. Então assim onde que eu quero dizer, deputado Rogerio, primeiro, se acalme, nunca destratei V. Exa. (…) Eu passei aqui três meses e meio de licença todo dia se revezava um deputado aqui pra falar de mim, agora não, agora estou presente aqui pra poder me defender, agora estou presente aqui, mais do que isso, pra dizer a verdade. Então um conselho que dou a V. Exa. vamos discutir as questões de governo, eu percebo que às vezes V. Exa., por não ter exatamente os argumentos pra defender o governo, não tem outra alternativa que não ser partir para o ataque pessoal, eu poderia aqui falar umas coisas pessoais de V., Exa. mas não vou fazer. (…) Então, eu acho que V. Ex.ª tem que se acalmar, eu acho que V. Ex.ª tem que preparar melhor seus argumentos em relação à defesa do Governo. Em relação a essa questão da CPI, continuo com o mesmo posicionamento. Assinei a primeira CPI, assinarei a segunda CPI, não farei nada de diferente. Então, o que quero dizer a V. Ex.ª é que pare com essa mania. Eu não falo só em relação a mim, eu vejo em relação a outros deputados desta Casa. Ainda há pouco V. Ex.ª praticamente agrediu verbalmente o deputado Wellington do Curso, (…) que estava tão somente fazendo uma argumentação no campo político que diz respeito à CPI. (…) O Governador Flávio Dino pede que V. Ex.ª ataque pessoalmente as pessoas? É pedido dele que V. Ex.ª ataque pessoalmente os deputados desta Casa?

Deputado Rogério Cafeteira – Deputado Braide, V. Ex.ª tem e trabalha bem isso, essa imagem do bom moço. V. Ex.ª não subiu e não falou comigo nesse tom, até porque eu não achei que tivesse sido agressivo com V. Ex.ª aqui. Se tem um fato passado e achei que V. Ex.ª me perdoe, que V. Ex.ª não se ofenderia na questão da CPI…

Eduardo Braide – Eu falei que V. Ex.ª foi agressivo com o deputado Wellington, não comigo…

Rogério Cafeteiro – Não, mas com o deputado Wellington mais agressivo do que V. Ex.ª foi ao debate para prefeito, deputado, foi impossível, V. Ex.ª o desqualificou na frente de todo mundo. Não vamos voltar nisso, vamos falar da nossa discussão. Eu e o deputado Wellington…

Eduardo Braide – Eu acho engraçado V. Ex.ª sobe a esta tribuna, vai dizer que tem que descer do palanque, tem que deixar de falar…

Rogério Cafeteira – Se V. Ex.ª não conceder o aparte não tem problema. Senhor Presidente, eu agradeço, o deputado Braide não quer conceder o aparte, não, é prerrogativa sua, deputado, é prerrogativa sua. Muito obrigado.

Eduardo Braide – É porque para variar mais uma vez a gente faz uma pergunta a V. Ex.ª e V. Ex.ª não responde, a pergunta que eu fiz foi muito simples: perguntar se é o governador Flávio Dino que pede que V. Ex.ª ataque pessoalmente os deputados? Porque falo a V. Ex.ª com muita sinceridade, eu não acho que seja bom para a Casa, não acho que isso seja bom para o ambiente aqui, acho que essa Casa tem que tratar as questões do Governo, tratar as questões de discutir como vai a saúde, como vai educação, o que faz para melhorar e não partir para o ataque pessoal, mas dada a frequência dos seus ataques pessoais aos deputados desta Casa, V. Ex.ª talvez me leve a crer que seja uma orientação do governador do Estado. “Rogério, vai lá e ataca fulano de tal para ver se ele para de atacar o Governo” porque se for esse o entendimento do governador, e se for essa a forma que V. Ex.ª pensa que eu vou deixar de usar a tribuna e me calar para criticar aquilo que eu entender que está errado no Governo, deputado Rogério Cafeteira, V. Ex.ª está perdendo seu tempo, porque não vai mudar absolutamente nada em eu fazer as críticas que faço ao Governo do Estado. Por outro lado, voltando ao assunto que V. Ex.ª disse da vez anterior, eu pedi a V. Ex.ª e V. Ex.ª já até se corrigiu, quando disse que perguntei qual foi a medida, a bem do povo do Maranhão, que eu votei contra como deputado estadual. V. Ex.ª disse que nenhuma. Então, deputado Rogério Cafeteira, o que eu percebo e aí me permita dizer, foi V. Ex.ª que disse dali, V. Ex.ª disse que meu sentimento público era tão grande que no final eu acabava votando favoráveis às matérias, ou não foi isso que V. Ex.ª disse?

Rogério Cafeteira – V. Ex.ª tem dificuldade de entender o sarcasmo das pessoas, não é deputado?

Eduardo Braide – Então, diga aí.

Rogério Cafeteira – Deputado, depois eu faço. V. Ex.ª quer agora dizer até o que eu devo responder, eu não sou depoente, deputado. E inclusive quando eu vou à Polícia Federal é para ver passaporte, eu não investigado, eu não nada.

Eduardo Braide – Assim como eu também não sou, deputado Rogério Cafeteira. Agora já que V. Ex.ª esta falando de investigação e aí convenhamos e eu não queria tocar nesse assunto, mas V. Ex.ª me força a tocar nesse assunto. Se o Governo que V. Ex.ª faz parte for tão sério, como V. Ex.ª diz, a operação que tem que prender o agiota com nome de banana, V. Ex.ª tem que ser um dos primeiros a ser ouvido, porque falando em gabinete, quem vivia visitando o seu gabinete aqui era esse agiota, suba à tribuna e explique qual é a relação que V. Ex.ª tinha em relação ao agiota? Não, eu não vou lhe conceder o aparte…

Rogério Cafeteira – Posso, deputado. Deputado de Anajatuba…

Eduardo Braide – Suba à tribuna e explique qual era a relação que V. Ex.ª tinha em relação ao agiota…Presidente, eu peço que mantenha minha palavra, eu não concedi aparte….

Rogério Cafeteira – Deputado de Anajatuba do Fantástico… Deputado eu vou lhe proporcionar a possibilidade de V. Ex.ª comprovar isso na Justiça. Não, deputado, eu vou pedir aqui e peço, porque o deputado gosta de…

Presidente em exercício Othelino Filho – Deputado Rogério e deputado Braide, eu pediria que nós não esticássemos esta discussão, porque ela não é saudável, convém que nós nos acalmemos e aí deixemos para amanhã se V. Exas. quiserem continuar este embate. Deputado Braide, me permita a indelicadeza de encerrar a Sessão.

Rogério Cafeteira – Mas ele pode botar o assessor dele Fabiano, lá de Anajatuba para me processar…

Presidente em exercício Othelino Neto – Me permita encerrar a Sessão, já que V. Ex.ª concluiu o pronunciamento.

Eduardo Braide – Permito em encerrar, Senhor Presidente. Só reforçando o pedido que fiz há pouco aqui da tribuna.

Presidente em exercício Othelino Neto – Declaro encerrada a presente sessão.

Em Tempo: Mesmo depois de encerrada a sessão, os deputados Eduardo Braide e Rogério Cafeteira seguiram trocando ofensas pesadas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Hora da verdade: João Alberto recebe Representação e tem cinco dias para decidir futuro de Aécio Neves

João Alberto tem nas mãos o futuro de Aécio Neves
João Alberto tem nas mãos o futuro de Aécio Neves, acusado de corrupção

Chegou a hora da verdade para o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, e em especial para o seu presidente, o senador maranhense João Alberto (PMDB). Ele recebeu ontem, oficial e formalmente, a Representação na qual dois partidos, o PSOL e a Rede Sustentabilidade, pedem a cassação do mandato do senador mineiro Aécio Neves (PSDB) – já afastado por decisão judicial – por quebra de decoro – ele foi acusado de corrupção e formação de quadrilha pelo delator da JBS, Joesley Batista. João Alberto tem prazo de cinco dias – até segunda-feira (26) – para analisar decidir se admite ou não a Representação contra o senador tucano. O prazo coincidirá com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que a partir de hoje (20) vai analisar duas ações relacionadas ao senador Aécio Neves, sendo que uma delas refere-se a um pedido de prisão.

Caso a Representação contra o parlamentar tucano seja admitida, o próximo passo será a designação do relator da matéria. De acordo com o regimento, o presidente do Conselho de Ética deve designar o relator em até três dias úteis, mediante sorteio entre os membros do órgão. O senador João Alberto ressaltou que, antes de tomar sua decisão, costuma conversar com os senadores do Conselho, em busca de consenso.

— Eu acho que um processo dessa magnitude não pode se resolver por 3 a 2, por 4 a 3. Nós temos que procurar a unanimidade. Você já pensou o que é cassar um senador por 8 a 7? Quer dizer, é um absurdo. E até mesmo a absolvição por 8 a 7. Nós temos que debater até encontrar um consenso — disse.

Indagado como vai se posicionar caso o Supremo Tribunal Federal acate o pedido de prisão contra Aécio, João Alberto afirmou que irá observar como o Plenário do Senado vai se comportar em relação à decisão. Isso porque, caso o pedido de prisão seja acolhido pelo STF, a Constituição prevê que o Senado se reúna para decidir se mantém, ou não, a prisão. João Alberto explicou que não tomará nenhuma decisão que passe por cima do Plenário da Casa, mas ressaltou que é preciso aguardar os fatos.

— Fica bem melhor aguardar os fatos para a gente trabalhar em cima dos fatos. Eu não quero fazer projeções. Vamos ver a decisão do Plenário do Supremo e evidentemente do Plenário do Senado. É claro que o Conselho de Ética encontrará uma maneira de ficar unido com o Plenário do Senado — destacou.

São Luís, 19 de Junho de 2017.

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