Presidenciáveis poderão ter forte influência nas campanhas dos candidatos ao Palácio dos Leões

 

Roseana Sarney e Henrique Meirelles, Roberto Rocha e Geraldo Alckmin, Maura Jorge e Jair Bolsonaro e Odívio Neto e Guilherme Boulos juntos na corrida eleitoral

O debate entre os oito candidatos a presidente da República, realizado quinta-feira pela Rede Bandeirante, deixou no ar pistas claras e nebulosas a respeito de como se comportarão os candidatos ao Governo do Maranhão em relação aos presidenciáveis dos seus partidos – com exceção do governador Flávio Dino (PCdoB), que apoia o projeto de candidatura do presidente Lula da Silva (PT), situação que o impede de fazer uma campanha incisiva em nome do líder petista. A primeira evidência é a de que a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), o senador Roberto Rocha (PSDB), a ex-prefeita Maura Jorge (PSL) e o professor Odívio Neto (PSOL) já têm elementos bem definidos para reforçar os seus discursos de campanha também com os passos trilhados a partir de agora pelos seus respectivos candidatos presidenciais. Além de oferecer aos eleitores elementos para que eles pudessem formar as primeiras impressões reais a respeito dos aspirantes ao Palácio do Planalto, o debate da Band foi decisivo para estabelecer uma relação direta entre eles e os seus irmãos partidários que brigam pelo Palácio dos Leões.

A partir de agora, a emedebista Roseana Sarney deverá incorporar na sua agenda e no seu programa de campanha a candidatura do ex-banqueiro e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Nos bastidores do Grupo Sarney corre que, com o aval do ex-presidente José Sarney, seu orientador político, Roseana Sarney estaria inicialmente inclinada a fazer campanha associando o seu nome ao de Lula. Mas a decisão da convenção do MDB de confirmar a candidatura de Henrique Meireles – com o aval do presidente Michel Temer e do ex-presidente José Sarney, ambos presentes à reunião partidária -, obrigou a ex-governadora a segurar o refrão lulista. O “Fator Meirelles” colocou Roseana Sarney em situação incômoda em relação à corrida presidencial. Tanto que dentro da sua própria coligação – e fora dela também -, o clima é de forte expectativa sobre a como a candidata do MDB vai se posicionar em relação ao seu colega de partido.

Já a situação senador Roberto Rocha é muito confortável. Ele não só vai assumir a bandeira do candidato presidencial tucano Geraldo Alckmin, como usará todos os recursos possíveis para levá-la aos mais distantes rincões eleitorais do Maranhão. Além de ser o candidato do PSDB, o entusiasmo do senador pelo ex-governador de São Paulo é justificado também pela forte ligação que eles mantêm desde os anos 90 do século passado, quando seu pai, o ex-governador Luiz Rocha, filiou-se ao PSDB, partido pelo qual realizou o velho sonho de ser prefeito de Balsas. Essa relação foi reforçada durante as articulações que levaram Roberto Rocha a retornar ao PSDB numa verdadeira “volta por cima”. Esses e outros fatores de natureza partidária farão com que Roberto Rocha mergulhe na campanha do presidenciável tucano, que dá sinais de ser um dos candidatos mais fortes da corrida ao Planalto.

O debate da Band consolidou o projeto de Jair Bolsonaro no Maranhão. Ainda que imersa num oceano tormentoso de dificuldades, Maura Jorge está há muito decidida a ser, de fato, o braço político do presidenciável do PSL no estado, tendo para isso o total aval dele. Ciente de que suas chances na corrida ao Palácio dos Leões são remotas, se não inexistentes, Maura Jorge encontrou na candidatura de Jair Bolsonaro o motor político que precisava para se manter no cenário da disputa estadual. Foi repreendida pelo Grupo Sarney e recebeu acenos de Roberto Rocha para coligar com o PSDB – inclusive com direito a fazer a campanha do seu presidenciável de maneira independente -, mas superou a reprimenda e recusou a oferta politica, preferindo manter-se na “onda” bolsonariana, tornando-se voz maranhense mais elevada da direita conservadora.

Quem também consolidou posição em relação à disputa presidencial foi o professor Odívio Neto, que viu o candidato presidencial do seu partido, o PSOL, Guilherme Boulos, sair dos estúdios da Band como uma “agressiva”, mas boa surpresa, principalmente por funcionado como o contrapeso dos candidatos “graúdos”, nos quais identificou “vários tons de Temer”. Ciente de que não tem qualquer chance de sucesso nas urnas, Odívio Neto vai levar a mensagem do PSOL e de Guilherme Boulos contra a cultura política em voga no País. E o professor Franklin Douglas, um entusiasta da linha de ação do PSOL, prevê que Guilherme Boulos vai melhorar seu discurso e sua postura durante a campanha.

E é quase certo que os candidatos a presidente incluam o Maranhão nos seus roteiros de campanha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Flávio Dino acredita que nada há de errado com a candidatura de Carlos Brandão

Flávio Dino não abre mão de ter o vice Carlos Brandão como candidato à reeleição 

O contrário do que estavam esperando até mesmo membros da base governista, o governador Flávio Dino registrou a chapa da coligação “Maranhão de Todos” tendo o vice-governador Carlos Brandão (PRB) como candidato à reeleição. Com a decisão, o chefe do Executivo decidiu deixar para a Justiça a decisão sobre o questionamento feito pelo MDB sobre a elegibilidade do vice-governador. A cúpula emedebista pediu ao Ministério Público que impugne a candidatura de Carlos Brandão, alegando estar ele inelegível por haver assumido o Governo por cinco dias em Janeiro, quando o governador viajou aos Estados Unidos. Na próxima semana, o PCdoB, numa ação conjunta com o PRB, baterá às portas do Superior Tribunal de Justiça (TSE) protocolando uma consulta sobre o assunto. A resposta da corte maior da Justiça Eleitoral determinará o passo seguinte da coligação em relação à candidatura. O governador Flávio Dino e o seu círculo de ferro estão confiantes de que nada vai acontecer com a candidatura do vice-governador Carlos Brandão.

 

Depois de recepções tímidas, Roseana Sarney foi recebida em clima animado por aliados em Imperatriz

Escudada pelo vice Ribinha Cunha, Roseana é recebida em Imperatriz agora em campanha oficial

Depois de várias passagens por Imperatriz sem recepção festiva, a ex-governadora Roseana Sarney voltou a sorrir no aeroporto  da antiga Vila do Frei. Ao desembarcar ali na quarta-feira para fazer a sua primeira incursão à Região Tocantina na condição de candidata oficial do MDB ao Governo do Estado, ela foi recepcionada por uma pequena multidão de simpatizantes da sua candidatura mobilizada pelo seu vice, o empresário Ribinha Cunha (PSC), e pelo seu maior aliado na região, o prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (MDB). Quando ali chegou em pré-campanha há pouco mais de um mês, Roseana Sarney foi recebida por um pequeno grupo de aliados, que se desmobilizou tão logo aconteceu a rodada de cumprimentos e de declarações de apoio. O clima nesta semana foi diferente.

São Luís, 10 de Julho de 2018.

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