Maranhenses irão às urnas para consolidar a transição reelegendo Flávio Dino ou estancá-la devolvendo o poder a Roseana Sarney

 

Flávio Dino lidera com folga, Roseana Sarney aparece em segundo, Maura Jorge à frente de Roberto Rocha e Odívio Neto e Ramon Zapata quase sem pontuação

Os 4,7 milhões de eleitores maranhenses se preparam para decidir neste Domingo, 7 de Outubro, o futuro político imediato do Maranhão e do Brasil. Eles irão para as urnas para completar a transição política iniciada em 2014, reelegendo o governador Flávio Dino (PCdoB) e os candidatos ao Senado da coligação “Todos pelo Maranhão”, Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS), ou interrompê-la devolvendo o poder ao Grupo Sarney com a eleição da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) para um quinto mandato e os candidatos da coligação “O Maranhão quer mais”, Edison Lobão (MDB) e Sarney Filho (PV), para o Senado. Escolherão também os 18 deputados federais e os 42 deputados estaduais, e tomarão a decisão eleitoral suprema de um Estado democrático: a escolha do presidente da República. A pesquisa mais recente, da Econométrica, divulgada na Sexta-Feira (05), apurou, como as outras, que 60,2% dos maranhenses preferem completar a transição reelegendo o governador Flávio Dino contra 30,9% que disseram preferir a restauração do ancien regime dando um quinto mandato à ex-governadora Roseana Sarney. Com esse posicionamento identificado pelas pesquisas, a maioria dos maranhenses responderá negativamente à aventura bolsonarista de Maura Jorge (PSL), dando-lhe alguns pontos percentuais, e rejeitará fortemente o projeto de “terceira via” proposto pelo senador Roberto Rocha (PSDB), quase na mesma medida com que deverá dizer “não” à esquerda radical representada por Odívio Neto (PSOL) e Ramon Zapata (PSTU).

Ao longo da campanha eleitoral, a maioria dos eleitores do estado sinalizou com clareza solar sua preferência pela consolidação da transição, que na verdade começou em 2006, com a histórica eleição do governador Jackson Lago (PDT), foi interrompida em 2009 no tapetão judicial e nas eleições de 2010, com a reeleição de Roseana Sarney e retomada com a eleição de Flávio Dino em 2014. Nenhuma pesquisa apontou em outra direção, o que desde logo ficou cristalizado como uma tendência consistente e com todos os sinais da irreversibilidade. Houve uma prolongada indefinição em relação à corrida senatorial, causada principalmente pelo cacife político e eleitoral dos candidatos do Grupo Sarney, o bem sucedido senador Edison Lobão e o eficiente deputado federal Sarney Filho, ambos vitoriosos nas urnas desde suas primeiras eleições, em 1978. Mas têm como adversários dois bons frutos da nova geração, Weverton Rocha e Eliziane Gama, forjados nas trincheiras oposicionistas, de onde construíram até aqui carreiras recém-iniciadas, mas brilhantes. Com os resultados eleitorais previstos pelas pesquisas, a transição se completará integralmente, também pelo fato de serem fortes os sinais indicando que a coligação liderada pelo governador Flávio Dino deve sair das urnas com maioria ampla na bancada federal e na composição da Assembleia Legislativa.

Se o que está desenhado for confirmado – e é quase integral a possibilidade de confirmação , esse desfecho obedecerá à lógica que move os ciclos de poder ao longo da História, exemplificada no Maranhão recente pelo vitorinismo, liderado pelo cacique Victorino Freire a partir de 1945, que foi desbancado pelo sarneysismo em 1965, quando o então deputado federal José Sarney chegou ao poder pelas urnas, e que agora está sendo despachado pelo movimento forjado e galvanizado pelo governador Flávio Dino, já rotulado de dinismo. O recado mandado através das pesquisas e que está a caminho pela via das urnas é que o sarneysismo está cansado, defasado, exaurido, perdeu lastro e foco, estando agora lutando pela sobrevivência. Tem, claro, todo o direito de tentar reverter e evitar o tombo final da derrocada, à medida que tem um mérito indiscutível: manteve-se cinco décadas no poder pelo voto direto, independentemente do fato de que algumas dessas eleições foram ruidosamente questionadas.

Além das circunstâncias históricas, os quatro anos de  Governo mostraram que o governador Flávio Dino vai muito além do uso do poder pelo poder, dando às suas ações um caráter clara e profundamente reformador, como a substituição de obras físicas e faraônicas pelo investimento direto nas pessoas, por exemplo, reforçado por uma saudável transparência e, tão ou mais importante: a condição de ficha limpa que ostenta juntamente com os que integram sua equipe e formam o seu círculo político mais próximo. Tanto que fez uma campanha mostrando suas realizações, seus critérios e sua postura. Baseada numa tentativa infrutífera de desqualificar Flávio Dino e seu Governo como um todo, a campanha de Roseana Sarney pregou um assistencialismo desregrado, algo distorcido, prometendo remédio, transporte, energia e leite de graça aos carentes, acrescentando ao pacote a promessa de pagar-lhe também o gás de cozinha.

Será uma escolha decisiva, que manterá o Maranhão na rota traçada pelo dinismo ou o devolverá ao rumo do sarneysismo.

Em Tempo: O levantamento da Econométrica está registrado no TRE/MA sob o protocolo MA-07175/2018 e tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,6 pontos percentuais.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Haddad terá maioria no Maranhão, mas Bolsonaro pode surpreender

Fernando Haddad já está à frente de Jair Bolsonaro ena preferência dos maranhenses, segundo nova pesquisa 

O candidato da aliança PT, Fernando Haddad pode sair das urnas maranhenses com pelo menos 50,7% dos votos válidos, deixando o candidato do PSL, Jair Bolsonaro bem atrás com 23,9% dos votos, seguido de Ciro Gomes (PDT) com 8,5, Geraldo Alckmin (PSDB) com 4,1% e Marina Silva (Rede) com 1,8%. Uma tendência nascida nas eleições em que o ex-presidente Lula da Silva (PT) encantou o eleitorado local arrebanhando centenas de milhares de seguidores fiéis e compensou suas votações transformando o Maranhão num dos polos do Bolsa Família e de outros programas. Mas, diferentemente dos outros pleitos presidenciais, o lulo-petismo dominante no Maranhão tem sido duramente afetado por fatos bombásticos como a condenação e prisão do ex-presidente e a ascensão de um ex-capitão do Exército e deputado federal de vários mandatos, Jair Bolsonaro, que encarna a direita dura e antipetista, que muitos identificam como facista e com tendência golpista. Será uma luta de vida ou morte para essas correntes. O resultado dessa corrida tensa, ao longo da qual alguns fantasmas que atormentam o Brasil e sua democracia, como a ditadura militar, saíram dos porões do esquecimento, assim como os da inflação e o desemprego infernizam hoje a vida de mais de 11 milhões de brasileiros. Fernando Haddad encontra-se na defensiva, apontado como representante dos responsáveis pelo  terremoto econômico que sacode o País desde 2015. Jair Bolsonaro é a consequência disso, um produto da crise política, econômica e oral. Se for uma ameaça, o Brasil poderá ter de enfrentá-la, dando à nossa incipiente democracia a oportunidade de ser testada e dar a prova de que tem condições de sobreviver intacta às essas intempéries. Afinal, uma democracia só é plena e plural quando suporta os arroubos da esquerda, a cautela do centro e os riscos da direita. Elegendo Fernando Haddad, os maranhenses estarão dizendo que topam seguir em frente com o lulo-petismo. Optando por Jair Bolsonaro, o recado será o de que não temem o afloramento de um regime com tinturas facistas. E como não há uma terceira via confiável e sedutora, é aguardar.

 

Se as previsões se confirmarem hoje, Adriano Sarney será o único elo formal da família Sarney com a política

Adriano Sarney pode ser a única voz do sarneysismo na política brasileira

A se confirmar as previsões a respeito do que sairá das urnas, a família Sarney sobreviverá pela presença de apenas um membro no cenário político formal: o jovem deputado estadual Adriano Sarney (PV), que deverá se reeleger segundo todas as listas de prováveis futuros deputados estaduais que estão circulando. Primogênito do deputado federal Sarney Filho (PV) e neto predileto do ex-presidente José Sarney, Adriano Sarney vem encarnando integralmente o sarneysismo como oposição ao governador Flávio Dino, contra quem mantém artilharia intensa na tribuna da Assembleia Legislativa. Moderado e afável e sem a malícia política do avô, o jovem parlamentar revelou-se técnica e culturalmente preparado, com estudos na área de Economia em universidades norte-americanas e francesas. Há quem diga que a carga de ser o responsável pela sobrevivência do sarneysismo será muito pesada para ele, enquanto outros acham que com a orientação do chefe maior ele poderá garantir a sobrevida política da família. A conferir.

São Luís, 6 de Outubro de 2018.

 

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