Inocentado no caso dos cavalos, Juscelino Filho enfrenta outra guerra em duas frentes

Juscelino Filho: outras batalhas e mais a guerra familiar

O ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil) foi inocentado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) da acusação de que teria utilizado jatinho da FAB para se deslocar para São Paulo, onde participou de um leilão de cavalos de raça. O TCU decidiu arquivar a investigação depois de constatar que o ministro não abusou da sua prerrogativa na viagem – que custou R$ 130,4 mil aos cofres públicos – nem causou danos ao erário. O arquivamento já era esperado pelo ministro e seus aliados, depois de um período de forte tensão, durante o qual a queda de Juscelino Filho da pasta foi dada como certa em vários momentos. O clima criado com a denúncia só foi amenizado depois que o ministro conversou com o presidente Lula da Silva, que assegurou sua permanência na pasta até que o TCU chegasse à uma conclusão, o que aconteceu na segunda-feira.

O fato de ter saído ileso da sua participação na festança   equina não resolveu o maior dos problemas do ministro Juscelino Filho. A encrenca maior tem uma ponta de relação com cavalos de raça, que cria em fazendas espalhadas pelo município de Vitorino Freire. O deputado federal, e não o ministro, Juscelino Filho está no epicentro de uma investigação, feita pela Polícia Federal, na qual é suspeito de participar de supostos desvios de recursos – mais de R$ 6 milhões – das emendas que destinou para a construção e restauração de estradas no interior do município, que é sua terra natal, principal base eleitoral e administrado por sua irmã, a prefeita Luanna Rezende.

A investigação está avançando com celeridade, tendo o ministro já sido interrogado pela Polícia Federal, em Brasília, apresentando os argumentos da sua defesa. Ele nega com veemência qualquer desvio dos recursos, afirma que o traçado das estradas não beneficiou de propósito as fazendas da família – incluindo uma para a criação de cavalos de raça -, e que a acusação não faz qualquer sentido. Essas posições já foram tornadas públicas em duas notas divulgadas pelo gabinete do ministro das Comunicações. A julgar pela movimentação da equipe da Polícia Federal que atua no caso, o desfecho da investigação será conhecido até meados de julho, podendo ser o ministro denunciado à Justiça ou inocentado, como no caso da festa equina no interior de São Paulo.

Além da investigação, que o desgasta dentro e fora do Governo, formando ao seu redor um ambiente de tensão e instabilidade, o ministro Juscelino Filho, como todo político em ascensão, tem adversários e até mesmo inimigos. E esses, como é de se esperar, fazem o que podem para desgastá-lo. Um dos focos de intrigas envolvendo seu nome está dentro do seu próprio partido, o União Brasil, uma colcha de retalhos que agrega diferentes níveis da direita. Considerado um dos líderes da ala progressista do UB, Juscelino Filho enfrenta ali conspiratas com focos na ala mais ligada à direita conservadora e à extrema direita, que não quer o partido no Governo do PT. Essa turma ele tem conseguido controlar, uma vez que tem forte apoio nas alas menos conservadoras.

Não bastassem as pressões que enfrenta na medição de força com seus adversários no partido, o ministro Juscelino Filho, em aliança com a irmã prefeita, enfrenta verdadeira guerra doméstica, travada com seu tio, o ex-deputado Stênio Rezende, que tem como aliada a esposa, a deputada estadual Andreia Rezende (PSB), pelo controle da Prefeitura de Vitorino Freire. Stênio Rezende quer ser o candidato da família à sucessão de Luanna Rezende, que já é reeleita, mas os irmãos não aceitam e já lançaram até candidato, um aliado conhecido como Fogoió. Há quem diga que Stênio Rezende estaria por trás de algumas das denúncias que vêm atormentando a vida do ministro das Comunicações.

Escorado no argumento de que é inocente, o ministro Juscelino Filho vem ganhando força no ministério, certo de que será inocentado também no caso das emendas. E tem exibido mais uma convicção: a de que o candidato por ele apoiado será eleito em Vitorino Freire.

PONTO & CONTRAPONTO

Participação de Soeiro em evento de Câmara acende luz amarela no PSB

Ações como a presença de Otávio Soeiro
em ato de Fábio Câmara não serão
toleradas por Paulo Victor

A presença do vereador Octávio Soeiro (PSB), partido que tem o deputado federal Duarte Jr. como candidato à Prefeitura de São Luís, num ato de pré-campanha do ex-vereador Fábio Câmara, pré-candidato do PDT à sucessão do prefeito Eduardo Braide (PSD), acendeu a luz amarela no comando de campanha do candidato socialista, que tem como um dos coordenadores o presidente do PSB em São Luís o vereador Paulo Victor, presidente das Câmara Municipal.

Por mais que o vereador Octávio Soeiro jure de pés juntos que esteve presente ao ato, mas não fez campanha para Fábio Câmara, o fato de ele ter participado, se colocado ao lado do pré-candidato pedetista, caracteriza fortemente a sua total concordância com o que estava acontecendo ali. Isso porque não é razoável que um vereador ligado a um candidato a prefeito se faça presente no palanque do candidato adversário. Não faz qualquer sentido numa corrida eleitoral.

Quando deixou seu partido para se filiar ao PSB, o vereador Octávio Soeiro sabia que a legenda tem candidato e que não faz esse tipo de concessão. Aliás, nenhum partido é flexível a esse ponto. A menos que seja um ato deliberado de rebeldia, mas aí a situação é outra e tem de ser resolvida dentro do partido, de acordo com as suas regras.

O presidente do PSB de São Luís, vereador Paulo Victor, deve usar o exemplo de Octávio Soeiro para dar um aviso bem claro: quem não abraçar a causa, deve deixar o partido o quanto antes, para não ter o dissabor de ser mandato embora.

Pesquisas estão no “forno” para mostrar como está a corrida em grandes municípios

Pesquisas dirão como está a disputa
entre Eduardo Braide e Duarte Jr.

Pelo menos seis pesquisas estão em andamento para medir a corrida eleitoral em grandes municípios e que devem ser divulgadas nos próximos dias. Há informações de que dois institutos conceituados estão ouvindo o eleitorado de São Luís, para saber a quantas anda a medição de força entre o prefeito Eduardo Braide (PSD), que busca a reeleição, e o deputado federal Duarte Jr. (PSB). Esses levantamentos investigam o impacto do lançamento da candidatura da suplente de deputada federal Flávia Alves (Solidariedade) ao Palácio de la Ravardière.

Uma das pesquisas mais aguardadas é a que mede o embate entre os candidatos a prefeito de Imperatriz, principalmente depois que a cidade alcançou os 200 mil eleitores e o direito de ter a disputa em dois turnos, o que, mudou radicalmente a perspectiva dos pré-candidatos. Ali estão na corrida para valer o deputado estadual Rildo Amaral (PP), o deputado federal Josivaldo JP (PSD), o ex-deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB) e Mariana Carvalho (Republicanos).

São aguardadas informações sobre o que está pensando o eleitorado de Caxias, que tem de um lado o engenheiro Gentil Neto (PSB), apoiado por uma aliança do grupo liderado pelo prefeito Fábio Gentil (Republicanos) e o grupo Coutinho, comandado pela ex-deputada Cleide Coutinho, e os pré-candidatos de oposição Paulo Marinho Jr. (PL) e Daniel Barros (PDT). O cenário de Codó, onde se confrontam o prefeito José Francisco (PSDB), candidato pá reeleição, e o empresário Chiquinho da FC (PT). E o de Timon, entre a prefeita Dinair Veloso (PDT), que tenta renovar o mandato, e o deputado estadual Rafael Brito (PSB).

São Luís, 15 de Maio de 2024.

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