Dino diz que ida de Bolsonaro ao Supremo foi “ridícula e inédita” e revelou sua ignorância institucional

 

Flávio Dino critica ida de Jair Bolsonaro ao Supremo levando empresários para pedir apoio contra isolamento social

“Essa ridícula e inédita ´marcha sobre o Supremo` ratifica que Bolsonaro não tem a menor noção de como funcionam a Constituição, a forma federativa de Estado e a relação entre os três Poderes. Já se imagina um ditador. Não será”. Com essa declaração, que mistura consciência institucional, convicção política e forte dose de acidez, o governador Flávio Dino (PCdoB) criticou duramente a clara tentativa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), acompanhado de ministros e empresários de emparedar ontem o Supremo Tribunal Federal fazendo uma visita de surpresa ao seu presidente, ministro Dias Toffoli, com o nítido objetivo de constranger a Corte. “Ele tentou matar a Federação”, reforçou o governador, ontem à noite, ao participar da Brazil Conference, juntamente com outros três governadores, considerando a iniciativa presidencial uma tentativa agressiva, mas fracassada, de romper a harmonia e a independência dos Poderes da República.

De fato, jamais se viu na História republicana– recheada de episódios surpreendentes – um momento tão sem lógica como a tal “marcha sobre o Supremo” de ontem comandada pelo presidente da República, acompanhado de “45% do PIB” e de ministros-generais. Nem os generais ditadores que se revezaram no comando do Brasil durante as duas décadas do regime de chumbo se deram o direito de protagonizar tal patacoada. A reunião, que seguiu rigorosamente um roteiro traçado no terceiro andar do Palácio do Planalto, com o presidente da República dando senhas para que o ministro Paulo Guedes e empresários se manifestassem, foi transmitida ao vivo por assessores do presidente sem qualquer consulta ao dono da Casa. Pior: o objetivo foi buscar o apoio do Supremo aos esforços do presidente e de alguns barões da indústria para minar a luta dos governadores e prefeitos contra o avanço do novo coronavírus por meio do isolamento social. A pressão não funcionou, porque Dias Toffoli reagiu avaliando que os governadores e prefeitos estão certos ao priorizar a vida e qualquer projeto de flexibilização terá de ser negociado com eles.

Não precisa ser constitucionalista para perceber com clareza que o presidente da República cometeu, no mínimo, uma incoerência institucional quando levou ministros e representantes de “45 do PIB” à Corte maior para choramingar suas perdas econômicas por causa das medidas de isolamento social. Uma análise mais aprofundada certamente concluirá que ao comandar tal visita fora de hora e fora das regras, o presidente causou uma perigosa lesão na relação institucional com o Judiciário.

Qualquer cidadão medianamente esclarecido sabe que no estado democrático de direito a boa relação entre os Poderes não significa compadrio entre os chefes do Executivo, do Judiciário e do Legislativo. Ao contrário, a chave do equilíbrio está exatamente no fato de que os Poderes são independentes e que a harmonia prevista na Carta Magna é fruto dessa independência. Então, se o presidente da República quer agradar aos “45% do PIB”, deve procurar dois caminhos, como assumir a posição de líder da Nação e abrir um amplo canal de entendimento político com governadores e prefeitos, sem viés partidário – ele nem partido tem -, e sem a estupidez ideológica que via de regra embala os atos de apoio organizado pela sua turma; ou então usar sua força política no Congresso Nacional para definir novas regras, o que para ele é impossível.

Jair Bolsonaro não enveredará por nenhum dos dois caminhos, pois não tem a dimensão do que é ser um líder, e também porque não tem cultura política nem compreensão institucional, exatamente pelo fato de que, como diz o governador Flávio Dino, “ele (Jair Bolsonaro) não tem a menor noção de como funcionam a Constituição, a forma federativa de Estado e a relação entre os três Poderes”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

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Na luta da imprensa na cobertura da pandemia, a jornalista Regina Sousa faz a diferença

Regina Sousa: presença forte na cobertura da pandemia

A guerra que o Maranhão trava contra o avanço do novo coronavírus tem produzido uma expressiva galeria de personalidades engajadas que, tanto quanto os heróis da Saúde, que batalham na primeira linha, fazem o confronto em diversas frentes, tornando-se personagens de um batalhão de elite. O governador Flávio Dino (PCdoB) é o grande comandante do exército que está em campo, não só pela condição de governante, mas também, e principalmente, pelo seu engajamento na luta pela vida. Ao seu lado, o secretário de Saúde, Carlos Lula, o prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PDT), entre outros com forte atuação paralela. Na seara da imprensa, não há dúvida que a TV Mirante tem tido importância capital na movimentação desse cenário de tensão. Destaque-se a atuação do repórter de Rede Alex Escobar e do experiente e competente Sidney Pereira, que têm documentado a guerra sanitária com um trabalho de excelência jornalística. No âmbito do braço maranhense da Rede Globo, porém, a presença mais forte na linha de frente tem sido a da repórter Regina Sousa, pela intensidade e pela qualidade da sua atuação.

Parte da bem sucedida geração de jornalistas formados na TV Mirante por Rômulo Barbosa, de quem recebeu longo e meticuloso aprendizado, Regina Sousa é hoje uma jornalista plena, que domina como poucos a técnica e a arte de encarar a câmera. É competente na apuração e excelente na forma que dá ao material que garimpa, tratando com agudo senso jornalístico tanto assuntos complexos e delicados, que exigem lapidação de repórter arguto, quanto os acontecimentos previsíveis e imprevisíveis de uma cobertura de rua, sua especialidade. Hoje, Regina Souza produz tanto peças jornalísticas especiais em qualquer área, que demandam pesquisa ou investigação, como também encara com consciência jornalística e absoluta segurança um “ao vivo” sobre qualquer assunto e em qualquer circunstância. Por trás do seu desembaraço está sempre a mão firme da competente Chefe de Redação  Eveline Cunha, responsável direta pelo bom desempenho da equipe.

Na cobertura da pandemia do novo coronavírus no Maranhão, Regina Sousa tem sido marca registrada nos telejornais da TV Mirante. Mostra as ruas, a desobediência civil, apura problemas hospitalares, ouve familiares abatidos com a perda de entes queridos, conversa com médicos e especialistas de diversas áreas que lhe digam algo que possa contribuir para reforçar o combate ao inimigo invisível e letal, entrevista médicos, prefeitos, secretários e governador. E com a autoridade da presença diária no front jornalístico, com o destemor e a determinação de quem corre um risco calculado, documentando a tragédia familiar dos que partem abatidos pela Covid-19, como também a comemoração aliviada que vencem a doença, a repórter Regina Sousa sai da impessoalidade e se engaja ao encerrar suas reportagens recomendando, às vezes em tom de apelo, às vezes em tom de cobrança, o uso de máscaras e o hábito de lavar as mãos. Isso com absoluta simplicidade e, ao que parece, vacinada contra o vírus do estrelismo.

 

Big Data: maioria apoia bloqueio total na Ilha de Upaon Açu

Se havia alguma dúvida sobre a aprovação do bloqueio total (lockdown) na Ilha de Upaon Açu pela maioria da população, essa foi para o espaço: a medida tem o respaldo de 84% dos ludovicenses ouvidos pelo instituto Big Data em pesquisa feita em parceria com a TV Difusora. O mesmo levantamento revelou que 69% aprovam a atuação do governador Flávio Dino na guerra à pandemia, contra 22% que não aprovam e 8% que não souberam responder. O desempenho do prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior, tem a aprovação de 54% dos ludovicenses, enquanto 32% não aprovam e 14% estão em cima do muro.

O levantamento do Big Data confirma o que vem sendo sinalizado: a população de São Luís, que é esclarecida e politizada, avalia que a linha de ação adotada pelo governador Flávio Dino é o melhor caminho para combater a pandemia. Resta mostrar isso na prática respeitando o bloqueio total durante os sete dias que ainda faltam.

São Luís, 08 de Maio de 2020.

Um comentário sobre “Dino diz que ida de Bolsonaro ao Supremo foi “ridícula e inédita” e revelou sua ignorância institucional

  1. Sobre a ida do Presidente da República Jair Bolsonaro (sem antro partidário) – eleito por mais de 57 milhões de eleitores: brasileiros honestos, trabalhadores, e aversos a maracutaias e cambalachos – foi uma demonstração de coragem, de peito, de audácia. Foi lá na casa dos dissimulados homens da corte suprema, e enfrentou-os com altives. O Presidente é intrépido, ele não fica falando de longe através de notinhas em blogs e da imprensa comprada. É fato que o Presidente é extemporâneo e às vezes episódico, mas ele transmite autenticidade, não se verifica nele querer passar por pseudo intelectual. Ele não tem a fanfarronice de lideres incultos oriundos da classe servil, nem tampouco a erudição de um homem das letras, mas ele tem algo que há muito se faz necessário no nosso país: apreço pelas nossas tradições, um olhar para dentro, para os nosso valores: a Família e a nossa Fé. Eis porque o Presidente foi com destemor pagar uma visita ao STF.

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