Condenação de Lula e provável “absolvição” de Temer terão influência decisiva nas montagens no Maranhão

 

Flávio Dino e Roseana Sarney deverão se enfrentar nas eleições do ano que vem
Flávio Dino e Roseana Sarney deverão se enfrentar nas eleições do ano que vem

A condenação do ex-presidente Lula da Silva (PT) e os sinais claros de que o presidente Michel Temer (PMDB) caminha para se safar – pelo menos em princípio – das acusações que lhe pesam sobre os ombros rascunham um cenário em que o desfecho das duas mega encrencas terá influência decisiva na corrida sucessória do Maranhão. De um lado, a situação futura do ex-presidente Lula poderá nortear a caminhada do governador Flávio Dino (PCdoB), e com ele o momento que lidera e que reúne as condições de permanecer no poder. Do outro, o desfecho da berlinda em que se encontra o atual presidente será decisivo para o futuro político e eleitoral da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), cujo grupo poderá se recompor e voltar ao poder ou ser varrido de vez da política maranhense. O fato é que nenhum dos dois sairá incólume, para o bem ou para o mal, dessa crise. O Maranhão terá, mais uma vez, uma participação diferenciada em mais um momento crucial do tenso e imprevisível processo político e eleitoral que vem afetando o Brasil desde a deflagração da Operação Lava Jato, com a prisão do doleiro Alberto Yousseff, em São Luís, na noite de 17 de março de 2014.

A partir de agora, o governador Flávio Dino terá de trabalhar com dois cenários. O doméstico, no qual o roteiro é cuidar de sua reeleição, alimentando, assim, o projeto de permanência no poder do movimento que lidera, podendo também vir a ser candidato a senador, de modo a fortalecer a participação formal da esquerda no processo político via parlamento. E o nacional, para o qual poderá ser levado, seja como candidato a vice-presidente numa chapa liderada por Lula, caso o ex-presidente sobreviva à guilhotina política que poderá resultar da condenação, ou até como candidato a presidente se Lula for politicamente guilhotinado.

No plano doméstico, o governador vai aos poucos criando e consolidando as condições de partir para a reeleição sem maiores problemas. Lidera um Governo até aqui sem mácula no plano ético e administrativamente produtivo e inovado, e que conta com uma base, se não inteiramente sólida, suficiente para fazer a caminhada às urnas à frente de uma coligação ampla. Reúne, portanto, as condições para uma campanha bem sucedida. No plano nacional, Flávio Dino poderá ter de assumir o papel de líder, ocupando um espaço criado pelo vácuo de lideranças nessa seara, caso o ex-presidente Lula desmorone de vez. O prestígio e a influência que conquistou ao longo do tempo e que se consolidou quando assumiu a defesa da presidente Dilma Rousseff (PT) contra o impeachment, e em seguida com o apoio que vem dando ao ex-presidente Lula. Dentro e fora da seara governista ninguém hoje duvida que, cedo ou tarde, Flávio Dino liderará a chamada “esquerda democrática” – PT, PCdoB, PDT, entre outros -, podendo ser até candidato a presidente. E é nesse contexto que entra uma improvável, mas possível, candidatura ao Senado, o que o levaria ao plano nacional pela via formal. O fato é que, queira ou não, o governador do Maranhão está no epicentro da crise é visto como solução, o que ficou demonstrado com a notícia de que líderes petistas o sondaram  para ser o vice de Lula.

À medida que os fatos nacionais vão se desenrolando, a ex-governadora Roseana Sarney vai acrescentando possibilidade de se fortalecer e pavimentar politicamente sua volta ao Palácio dos Leões. Se o presidente Michel Temer sobreviver, como indicam os sinais, Roseana Sarney terá o suporte pemedebista que precisa para se candidatar. E mesmo a defenestração de Michel Temer e a consequente ascensão do presidente da Câmara Federal, o fluminense Rodrigo Maia (DEM), a ex-governadora poderá ter o suporte que precisa, já que Maia e o pai dele, o ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia (DEM), são muito ligados aos Sarney. É claro que essa montagem passa pelo deputado Juscelino Filho, que preside o DEM no estado, e o deitado estadual Stênio Rezende, mas isso não será  obstáculo.

Roseana Sarney sabe que se vier a ser candidata enfrentará dificuldades gigantescas, a começar pelos processos a que responde por cinta de supostos e cabeludos malfeitos praticados no seu Governo e que poderão impor-lhe a pecha de ficha-suja. Além disso, terá de encarar o PT, e  eventualmente o próprio Lula como adversário no Maranhão. Além do mais, terá se safar de uma elevada rejeição, de modo a mostrar sua força ao candidato presidencial que vier a representar no Maranhão. Mas como em política tudo é possível, não surpreenderá se Roseana Sarney resolva permanecer “aposentada”.

Como se vê, tanto Flávio Dino quanto Roseana Sarney está com os seus futuros políticos atrelados ao de-presidente Lula e ao presidente Michel Temer ao ex-presidente Lula da Silva, o que torna difícil prevê o desfecho de tudo isso.

PONTO & CONTRAPONTO

Mais de dois terços da bancada maranhense votará contra a autorização para processar Temer

Sarney Filho e Rubens Jr. lideram grupos a favor e contra a autorização para processar Michel temer
Sarney Filho e Rubens Jr. lideram grupos a favor e contra a autorização para processar Michel temer

Não será surpresa se o presidente Michel Temer receber o apoio de larga maioria dos deputados federais maranhense na votação em que Câmara Federal decidirá se autoriza ou não a abertura de processo contra o presidente da República. Devem votar contra a autorização os deputados federais Hildo Rocha (PMDB), João Marcelo (PMDB), Sarney Filho (PV), José Reinaldo tavares (PSB), André Fufuca (PP), Waldir Maranhão (PP), Juscelino Filho (DEM), Cléber Verde (PRB), Júnior Marreca (PEN), Victor Mendes (PSD), Pedro Fernandes (PTB) e Aluísio Mendes (Podemos). Os votos a favor de que a Câmara autoriza o Supremo Tribunal Federal a processar o presidente da República serão dados pelos deputados Rubens Jr. (PCdoB), Weverton Rocha (PDT), Deoclídes Macedo (PDT), Zé Carlos (PT), Eliziane Gama (PPS) e Luana Alves (PSB).

 

Roberto Costa denuncia que Prefeitura de Bacabal está sendo saqueada por uma quadrilha

Roberto Costa: se informando sobre a situação dos municípios
Roberto Costa denuncia quadrilha na Prefeitura de Bacabal

O deputado Roberto Costa (PMDB) decidiu jogar pesado contra o que denuncia como crimes de corrupção e formação de quadrilha na administração do prefeito Zé Vieira (PR) no Município de Bacabal.  Segundo Roberto Costa, recursos estariam sendo desviados das áreas de Saúde e Educação e o esquema de corrupção estaria sendo comandado pela primeira-dama Patrícia Vieira. O deputado pemedebista foi quarta-feira à Polícia Federal e ali protocolou uma denúncia detalhada do que, segundo ele, é o esquema de corrupção em Bacabal. Em duro discurso na Assembleia legislativa, Roberto Costa relatou que o prefeito Zé Vieira não trabalha, permanece o tempo todo em casa, recolhido em um quarto, e entregou a administração da cidade à sua mulher. “Bacabal não tem prefeito. Tem uma primeira-dama que manda e desmanda na administração, dando ordens, contratando e demitindo, autorizando pagamentos e contratando obras sem licitação. É um absurdo o que acontece na cidade de Bacabal”, declarou Roberto Costa, que manifestou a certeza de que a Polícia Federal investigará os desvios e confirmará “a formação de uma quadrilha em Bacabal”.

São Luís, 13 de Julho de 2017.

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