Com vitória magra, Erlânio mantém Weverton na Famem, num pleito em que Gentil e Brandão mostraram força

 

Erlânio Xavier, ao lado do vice Luciano Genésio, comemora a vitória que fortalece Weverton Rocha

Deu a lógica do favoritismo pré-eleitoral, mas não ocorreu o “massacre” anunciado: com 112 votos (53,8%) contra 96 (46,2%) do prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), o prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT), foi reeleito presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem). Foi, de longe, a eleição mais movimentada e politicamente legítima e intensa realizada na entidade nos últimos tempos, tendo lhe devolvido a marca de organização municipalista corporativa, mas de grande peso no tabuleiro da política estadual. Em meio a bandeiraços e torcidas organizadas e a um frenético jogo de conchavos, nada menos que 213 dos 217 prefeitos participaram, dos quais cinco invalidaram seus votos, resultando na apuração de 208 votos válidos. Tal movimentação pode ser explicada pelo grande pano de fundo que motivou a disputa: a guerra evidente entre o senador Weverton Rocha (PDT), apoiador do presidente Erlânio Xavier, e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), incentivador de Fábio Gentil. E nesse ponto o líder pedetista levou a melhor.

Foi uma vitória indiscutível, mas bem menor do que os 150 votos previstos por seus partidários. Atuando com um braço forte no viés municipalista da entidade e com outro na estruturação municipal do projeto de poder do senador Weverton Rocha, o presidente Erlânio Xavier fez um bom trabalho no primeiro mandato e vinha em campanha aberta pela reeleição. Incentivado pelo vice-governador Carlos Brandão, o prefeito caxiense Fábio Gentil, ao contrário, só entrou na disputa recentemente – após inclusive ter enfrentado a Covid-19 -, o que tornou sua votação surpreendente. Sua entrada interrompeu uma articulação que pretendia minar outras candidaturas, criando uma situação que pudesse levar à reeleição por consenso, como aconteceu em 2016.

Político experiente, o presidente Erlânio Xavier conhece bem o terreno onde vem pisando. Sabe que sua votação não foi consagradora, mas a renovação do mandato lhe garantiu a oportunidade de fortalecer o projeto de poder do senador Weverton Rocha, que é o seu objetivo maior. Sim, porque quase ninguém o conhece como o bom prefeito da pequena Igarapé Grande (12 mil habitantes), reeleito com 90% dos votos. Sua estatura política está direta e indelevelmente ligada ao senador Weverton Rocha, que o fez vice-presidente do PDT e coordenador de todas as suas ações políticas e eleitorais. A presidência da Famem o tirou da sombra do senador, deu-lhe a oportunidade de se mostrar um bom articulador – que ele aproveitou bem, diga-se -, mas não lhe deu espaço para exercer ainda a sua própria liderança. Daí ser geral a certeza de que no comando da Famem ele segue a orientação política do senador Weverton Rocha. A ameaça que fez de retaliação ao vice-governador Carlos Brandão – “Lá na frente ele vai ver!”-, na véspera do pleito, dá bem a medida dessa relação.

O pleito municipalista produziu outro fato político importante: o crescimento do prefeito Fábio Gentil no cenário estadual. Eleito prefeito de Caxias (166 mil habitantes) em 2016 contra o poder avassalador do Grupo Coutinho, ele fez um mandato diferenciado, independente, com resultados excepcionais, foi reeleito com 75% dos votos, consolidando sua liderança política no município e na região Leste. A candidatura à presidência da Famem, definida quando o concorrente já vinha em campanha aberta pela reeleição, lhe deu a oportunidade de exercer o seu poder de articulação e, ao mesmo tempo, atuar no âmbito estadual. Portanto, qualquer avaliação politicamente isenta concluirá que Fábio Gentil, mesmo não tendo vencido a eleição, saiu-se bem politicamente. Os 96 votos que recebeu, quando aliados do presidente apostavam que ele seria massacrado, ainda que significando uma derrota pontual, deram-lhe estatura política para ter assento na mesa de decisões da própria Famem e fora dela. Saiu do pleito, portanto, como uma nova liderança no Maranhão.

Nesse contexto, a posição do vice-governador Carlos Brandão é parecida. Seu candidato não ganhou a eleição, mas também não perdeu o que não tinha. Se de um lado viu o seu adversário na corrida sucessória ser mantido no comando político da Famem, o que configura, indiscutivelmente, uma clara desvantagem política, de outro obteve a preciosa informação de que os prefeitos maranhenses estão divididos em duas grandes correntes. Um jogo que pode ser zerado em abril do ano que vem, quando ele assumir o comando do Estado e confirmar sua candidatura à reeleição.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Festa, envolvimento surpreendente e quebra de tabu na republicana eleição na Famem

Alguns fatos relevantes foram registrados na importante eleição para o comando da Famem. Eles a tornaram um pleito diferente, republicano e sem amarras, mesmo tendo como pano de fundo a guerra pelo Palácio dos Leões.

Festa – Não há como não registrar que a eleição transcorreu dentro do “normal político”, com bandeiraços, charangas, cabos eleitorais e todos os ingredientes de uma eleição. Os candidatos e os eleitores se movimentaram e se expressaram naturalmente, sem a preocupação. Tudo aconteceu dentro do jogo democrático.

Cabo eleitoral – Chamou a atenção a participação ostensiva do deputado federal Juscelino Filho, presidente estadual do DEM, como cabo eleitoral do presidente Erlânio Xavier. A surpreendente postura do parlamentar de Vitorino Freire é explicada pela aliança nacional do PDT com o DEM, que no Maranhão resultou no desastre eleitoral que foi o projeto de eleger o deputado Neto Evangelista (DEM) prefeito de São Luís, perda em parte compensada pelo acordo subterrâneo que facilitou a anêmica reeleição do prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (DEM). A forte participação de Juscelino Filho visou o fortalecimento do senador Weverton Rocha.

Tabu quebrado – Uma das presenças mais notadas na sede da Famem foi a do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), que foi efusivamente cumprimentado por colegas, abraçou os dois candidatos a presidente e votou sem dizer em quem. Com o movimento, que atraiu as atenções e foi muito comentado, o prefeito de São Luís sinalizou que, ao contrário da maioria dos seus antecessores, vai participar das ações municipalistas, podendo ser uma voz de muito peso dentro da entidade. Vale aguardar.

 

Dino confirma que Maranhão ajudará o Amazonas e diz que responsáveis pagarão pelo caos país

Flávio Dino: apoio ao Amazonas

O Maranhão vai receber alguns amazonenses com Covid-19 e poderá enviar ao Amazonas alguns insumos para ajudar no esforço que está sendo feito para debelar a situação de caos causada pelo aumento assombroso dos casos da doença e do colapso que atingiu a rede hospitalar de Manaus, onde está faltando oxigênio. O anúncio foi feito pelo governador Flávio Dino (PCdoB), cujas ações planejadas e eficientes do seu Governo colocou o Maranhão entre os estados que melhor enfrentaram a pandemia do novo coronavírus.

– Impossível não se indignar e não se emocionar. O Maranhão está pronto para ajudar no que for necessário, como já informei ao governador Wilson (Lima) –  declarou o governador maranhense em entrevista ao portal Radar, ontem à noite, em meio a repercussão da caótica situação amazonense.

Flávio Dino manifestou mais uma vez sua indignação e chamou de “irresponsáveis” os que tratam a Covid-19 como uma “gripezinha”. Para o governador do Maranhão, os negacionistas que contribuíram para que a situação chegasse onde chegou no País devem pagar “pelo caos perante os tribunais, perante a história e perante Deus”.

São Luís, 15 de Janeiro de 2021.

 

Um comentário sobre “Com vitória magra, Erlânio mantém Weverton na Famem, num pleito em que Gentil e Brandão mostraram força

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *