Bancada maranhense no Congresso não quer saber de impeachment

 

locasteliz
Lobão é contra, Castelo não quer apoiar e Eliziane vai seguir o PPS, que é a favor 

Se depender da bancada maranhense, a aliança PSDB/DEM/PPS não conseguirá sequer fazer com que a proposta de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) dê alguns passos de tramitação no Congresso Nacional. A coluna sondou e chegou à conclusão de que a totalidade dos senadores e a quase totalidade dos deputados federais  pelo Maranhão, mesmo os que representam os partidos envolvidos no projeto, não apoia a deposição da presidente da República, pelas mais diversas razões. Quase nenhum parlamentar maranhense vê, até aqui, consistência na iniciativa dos tucanos, também não crê que a estratégia prospere e, se prosperar, para muitos deles a possibilidade de aprovação é zero.

Formada pelos senadores Edison Lobão (PMDB), João Alberto (PMDB) e Roberto Rocha (PSB), a bancada maranhense no Senado não dá suporte à proposta de impeachment, por eles vista como inteiramente descartada, portanto, não tendo a menor chance de ganhar volume, independentemente da força da oposição na Casa. Ex-ministro de Minas e Energia e um dos denunciados na Operação Lava Jato como beneficiário de recursos de campanha oriundos da Petrobras, o senador Edison Lobão não aceita a acusação e faz frente a qualquer tentativa de atingir o Palácio do Planalto. Membro destacado da bancada do PMDB, Lobão trabalha intensamente nos bastidores do Congresso para livrar-se da denúncia feita pelo Ministério Público Federal, como também age intensamente para inviabilizar qualquer tentativa de cerco à presidente da República.  O senador João Alberto atua na mesma linha, operando dentro e fora da bancada do PMDB para minar movimentos da oposição, como também para desarmar espíritos dentro do PMDB, contribuindo efetivamente para diminuir as tensões nas duas Casas do Congresso.

Uma tênue dúvida paira sobre o senador socialista Roberto Rocha. Primeiro porque ele vem atuando discretamente, sem muita exposição, evitando assim entrar em conflitos desnecessários, e depois por conta do seu partido, o PSB, que foi governista de primeira linha nos Governos Lula e no primeiro Governo Dilma, só se tornando oposição – sem muita agressividade – com a frustrada candidatura do ex-governador Eduardo Campos à presidência. Com a morte trágica e prematura de Campos, o PSB ficou meio à deriva, mas vem dando sinais de que caminha para se realinhar ao Palácio do Planalto, ainda que com rasgos de independência. São fortes, portanto, os sinais de que Rocha seja contrário à proposta de impeachment.

Na Câmara Federal, a bancada maranhense é, se não inteiramente, maciçamente contra a proposta de impeachment da presidente Dilma. Os três representantes do PMDB, deputados Hildo Rocha, João Marcelo de Souza e Alberto Filho, são radicalmente contra a aspiração do PSDB, seguindo orientação da bancada e por entendimento pessoal. Os dois deputados do PV, Sarney Filho e Victor Mendes, também não veem sentido na proposta de impeachment e com certeza não abraçam a iniciativa do grupo PSDB/DEM/PPS, o mesmo acontecendo com Aluísio Mendes (PTdoB) e Cléber Verde (PRB). Único representante do PTB na bancada maranhense, o deputado Pedro Fernandes é firmemente contra o impeachment, apesar dos arroubos de uma ala dissidente do seu partido, que defende a saída da presidente da República.

Integrante de proa da bancada governista na Câmara Federal, os deputados José Carlos da Caixa (PT), Rubens Júnior (PCdoB) e Weverton Rocha (PDT) estão inteiramente fora do listão dos que querem o impeachment da presidente Dilma. Na mesma linha estão Júnior Marreca (PEN) e André Fufuca (PEN), que são aliados integrais do governo, e Juscelino Filho (PRP), que também segue a mesma orientação. Já Waldir Maranhão (PP), que é vice-presidente da Câmara Federal, encontra-se na linha de tiro da Operação Lava Jato e tudo o que não quer é ouvir falar em impeachment.

Por motivos diferentes, três posições chamam atenção. A primeira é a do deputado José Reinaldo (PSB), que segue, em princípio, a orientação do PSB, mas tem cacife político para, se assim entender, seguir a própria consciência, já tendo demonstrado essa independência quando foi governador. João Castelo (PSDB), ainda que a iniciativa seja dos chefes mais afoitos do tucanato nacional, dificilmente se posicionará a favor do impeachment da presidente Dilma, já que se sente devedor do apoio que ela deu à sua gestão na Prefeitura de São Luís. E, finalmente, a deputada Eliziane Gama, que provavelmente é o único integrante da bancada a ser favorável, por puro pragmatismo, já que seu partido, o PPS, é ponta de lança nesse jogo tramado pelo PSDB, de quem é hoje linha auxiliar.

No mais, é aguardar e conferir. Isso na hipótese, para muitos remotíssima, de o plano tucano prosperar, é claro.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

Na vanguarda

Na palestra com que deu a largada na desafiadora tarefa de montar um projeto de desenvolvimento econômico e social para o Maranhão, que na sua avaliação tem um “potencial extraordinário”, o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, economista e filósofo, para muitos controvertido, disse o seguinte: “A pasta de Assuntos Estratégicos é para ajudar a presidente Dilma e todo o governo a construir um novo modelo de desenvolvimento baseado na ampliação das oportunidades, calcada em uma estratégia que tem olhos e braços e dê asas ao dinamismo humano”. Alguém entendeu? A coluna também não.

 

Na vanguarda II

Logo em seguida, o ministro Mangabeira Unger saltou do controvertido para o óbvio ululante: “Precisamos trabalhar com diversos vieses produtivos para evitar a monocultura dos cereais, que ocorre no Sul do estado. Não adianta capacitar o povo se não democratizarmos a produção, é preciso assegurar para os empreendedores emergentes o acesso ao crédito e as práticas avançadas de tecnologia”. É como se estivesse anunciando a descoberta da pólvora.

 

Na vanguarda

Entusiasmado com as formulações desenvolvimentistas do ministro Mangabeira Unger, o governador Flávio Dino avalizou: “Estamos engajados neste esforço de construir um Nordeste melhor, e consequentemente, o Maranhão faz parte deste desenvolvimento”.

 

São Luís, 20 de Abril de 2015.

 

 

Um comentário sobre “Bancada maranhense no Congresso não quer saber de impeachment

  1. Nada mais improdutivo que esse tipo de palestra , encontro , confraria ou qualquer outra denominação que se queira dar a esse modelo de evento! Próprio das esquerdas essa fixação patológica por debates , debates e debates , mesmo quando o óbvio salta aos olhos! Essa gente adora discutir pobreza , desenvolvimento , ect , mas se trata apenas de retórica vazia ,devaneios e beiram o precipício das alucinações e do messianismo .Aliás é o discurso mofado de esquerda a maior arma desses incompetentes que, infelizmente, ainda encontra ressonância em meio a uma população sem apreço pela busca de informações para elaborar sua própria opinião tornando-se , cada dia mais , presa fácil para esse maniqueísmo perpetrado com palavras rebuscadas mas sem nenhuma praticidade ou objetividade!! Perda de tempo total!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *