Acordo da dívida dos Estados é jogada de Temer para atrair apoio político, mas estratégia não alcança Dino

 

dino temer
Dino mantem relação institucional, mas não politica, com Temer

Vários analistas interpretaram o acordo que suspende por seis meses o pagamento, pelos Estados, das parcelas das suas dívidas, dando aos governadores uma folga financeira de 150 dias, como uma jogada de largo alcance político do presidente interino Michel Temer (PMDB), que com o gesto para atrair para o Palácio do Planalto apoio dde líderes estaduais em duas frentes. A primeira é a consumação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o que o transformará em presidente efetivo; e a segunda é o suporte político para que, em sendo efetivado, possa governar sem vozes discordantes a tirar-lhe o sono. Se, de fato, concebeu essa estratégia para se consolidar no cargo, o chefe interino da Nação não deve ter incluído o governador Flávio Dino (PCdoB). Pelo menos é o que se deduz no primeiro momento, de vez que não há qualquer sinal que indique uma mudança de posição do chefe do Governo do Maranhão, que parece continuar a apoiar a presidente afastada e a pregar que o processo de impedimento em curso no Senado da República é um golpe de Estado disfarçado de legalidade.

Desde que a presidente Dilma foi suspensa e exilada no Palácio da Alvorada, o governador Flávio Dino tem se mantido fiel à linha de respeitar o Governo interino de Temer como o responsável formal e legal, mas provisoriamente, pela gestão da máquina federal, por reconhecer que, independente das circunstâncias em que a titular da Presidência da República foi afastada, o seu substituto legal é o vice-presidente. Daí não ter o governador maiores dificuldades é dialogar e formular pleitos ao presidente interino e aos ministros de Estado, os quais, tanto quanto o chefe maior, se encontram submetidos ao incômodo e intranquilo regime da interinidade. Todos estão cientes, portanto, que se a presidente afastada se safar do impeachment e o PT voltar ao poder, como querem seus adversários, ou do golpe, como pregam seus aliados, estarão no olho da rua.

O governador Flávio Dino tem todas as condições de se relacionar institucionalmente com o Governo Michel Temer mantendo uma posição de oposição. Para começar, é titular de um mandato incontestável, conquistado em turno único e com uma larga e esmagadora maioria, num pleito limpo e sem qualquer rasura. Seu partido, o PCdoB, é aliado do PT nos planos estadual e federal, mas sem estar subordinado a qualquer acordo que fira sua autonomia política. Além disso, o governador tem deixado claro que a máquina e os recursos públicos não têm dono e que nenhum Estado poderá ser discriminado por ser administrado por um partido adversário. E pelo menos até aqui, o governador do Maranhão tem se portado com correção política impecável, atuando aberta e claramente contra o processo de impedimento da presidente Dilma, mas sem mover uma palha para criar situações que possam criar embaraços para o governo interino.

Um exemplo recente traduz fielmente a linha de coerência do governador Flávio Dino nesse cenário em que qualquer gesto pode ganhar interpretações positivas ou negativas. Há menos de duas semanas, o chefe do Executivo maranhense foi recebido em Brasília pelo atual ministro da Defesa Raul Jungman, um dos representantes do PPS no governo interino. A conversa se deu em torno de pleitos maranhenses naquele ministério, como também projetos maiores como o que transformará São Luís em sede de uma das esquadras da Marinha. A situação foi a seguinte: um governador do PCdoB, aliado da presidente do PT afastada, foi recebido por um ministro do PPS no Governo do PMDB, que substituiu a um ministro do PCdoB (Aldo Rebelo). Nitroglicerina pura, que, no entanto, não causou nenhuma explosão devido à natureza institucional da reunião. E o governador saiu sem reclamar.

Na reunião de segunda-feira no Palácio do Planalto, quando o presidente interino Michel Temer anunciou  acordo da dívida,o governador do Maranhão participou como defensor da iniciativa – que, aliás, é fruto de pressão dos líderes estaduais.cordo de renegociação das dividas dos Estados. E, provavelmente não por acaso, foi colocado quase na cabeceira, separado do presidente interino apenas pelos ministros Gedel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Eliseu Padilha (Casa Civil), e tendo ao lado o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Prestígio gratuito? Provavelmente não. Afinal, interessa ao presidente interino mostrar ao País que consegue dialogar também com os contrários, entre os quais Flávio Dino é um dos mais destacados. E certamente não desagrada ao governador maranhense ser visto pelo país inteiro como um opositor firme, coerente com seu viés político e ideológico, mas com uma faixa larga de pragmatismo quando o que está em jogo são os interesses do seu Governo, os quais, segundo afirma sempre, são também os do Maranhão.

Os desdobramentos da crise política desenharão o futuro dessa relação.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Frota entra na contramão do ninho e declara apoio a Edivaldo Jr.
sergio eliziane
Sérgio Frota não apoia Eliziane Gama e vai com Edivaldo Jr.

Estava escrito nas estrelas que a relação do PPS com o PSDB em torno da pré-candidatura da deputada federal Eliziane Gama não seria bem amarrada. Principalmente porque sufocou três aspirantes com potencial para pleitear a vaga de candidato: o deputado federal João Castelo, o deputado estadual (licenciado) Neto Evangelista e o deputado estadual Sérgio Frota. Os dois primeiros fizeram de contas que engoliram a aliança articulada pelo presidente tucano, o vice-governador Carlos Brandão, numa operação que envolveu a cúpula nacional do PSDB. O terceiro, que vinha disposto a brigar internamente para garantir a vaga de candidato tucano a prefeito não engoliu a rasteira. Inicialmente tentou mudar a decisão do partido conversando com seus pares e reafirmando sua aspiração, mas nada conseguiu. Assim, por não ter alcançado a vaga de candidato do partido e por não fechar com projeto político e eleitoral da deputada Eliziane Gama, Sérgio Frota decidiu entrar na contramão do partido e declarar apoio ao prefeito Edivaldo Jr. (PDT), causando forte rebuliço dentro do ninho dos tucanos. Para Frota, a cúpula do PSDB comete erro político grave ao se aliar ao PPS e dar suporte a um projeto que na opinião dele não é o melhor caminho para São Luís nem para o partido. Na avaliação do presidente do Sampaio Corrêa, o melhor caminho para os tucanos seria lançar candidato próprio. A segunda opção seria apoiar a candidatura do prefeito Edivaldo Jr. à reeleição, que na sua avaliação é um projeto mais consistente e mais viável.

 

PDT e PCdoB amarram acordo em Imperatriz
marco curado
Marco Aurélio desiste e PCdoB declara apoio a Rosângela Curado na disputa em Imperatriz

Articulações internas destravaram o PCdoB de Imperatriz, que anunciou aliança com o PDT em torno da candidatura da enfermeira Rosângela Curado à sucessão do prefeito Sebastião Madeira (PSDB), indicando o vereador Adonilson como candidato a vice. O acordo foi possível com a decisão do deputado Marco Aurélio de desistir de brigar pela vaga de candidato a prefeito pelo PCdoB. Desfecho natural de uma articulação que já vinha sendo realizada há tempos pelo presidente estadual do PCdoB, Márcio Jerry, com o aval do governador Flávio Dino. Se amarra em definitivo a chapa liderada pela pedetista Rosângela Curado, a decisão do PCdoB sufocou o projeto eleitoral do deputado Marco Aurélio, que para muitos era viável. Ao mesmo tempo, a chapa PDT/PCdoB teria fechado as portas para o PSDB do prefeito Sebastião Madeira, que na avaliação de pedetistas e comunistas é uma força nada desprezível no cenário político e eleitoral de Imperatriz.

 

São Luís, 21 de Junho de 2016.

3 comentários sobre “Acordo da dívida dos Estados é jogada de Temer para atrair apoio político, mas estratégia não alcança Dino

    1. Caro Paulo Gomide. Ao contrário do que você afirma, não há em mim um traço de ressentimento por haver trabalhado no Sistema Mirante. Ao contrário, vive ali pelo menos 3/4 da minha vida profissional e, lhe asseguro, fiz a minha parte e a empresa fez a dela. O nosso divórcio foi tranquilo, sem um só trauma nem motivo para vingança. Quanto à sua afirmação política, se você lesse o texto despido de partidarismo, veria com clareza que não há elogio, mas correção jornalísticas de destacar a coerência política por demonstrada pelo governador até agora. Repórter Tempo não não nasceu para agradar a ninguém, mas para fazer um jornalismo honesto, sem lado, e que só pode ser compreendido por quem é politica e mentalmente são.

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