
Weverton Rocha, Roberto Rocha, André Fufuca e Eliziane Gama
Ela ainda não se filiou ao PT nem admitiu a hipótese de, uma vez filiada à legenda, aceitará a missão de se candidatar ao Senado, como quer a corrente do partido alinhada ao governador Carlos Brandão (sem partido) em torno da pré-candidatura do secretário Orleans Brandão (MDB), mas o simples fato de ter sido colocada como possível opção para uma das duas vagas, a deputada Iracema Vale, presidente da Assembleia Legislativa, causou uma tempestade na nos bastidores da corrida senatorial. Os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), candidatos à reeleição, e o ministro do Esporte André Fufuca (PP) entraram em estado de alerta máximo e iniciara movimentos para reforçar os seus cacifes políticos e eleitorais. A preocupação deles aumentou diante do fato de que o governador Carlos Brandão, que continua afirmando que não será candidato a senador, causou a impressão simpatiza com a possível candidatura da parlamentar à Câmara Alta.
Até agora, as pesquisas mais recentes mostraram um quadro em que, sem as candidaturas do governador Carlos Brandão e da deputada federal Roseana Sarney (MDB), a disputa para as duas vagas do Maranhão no Senado está acirrada. Nela, o senador Weverton Rocha, que integra a base do Governo Brandão, aparece como líder, mas seguido muito de perto pelo ex-senador Roberto Rocha (que deve se filiar ao Novo), e logo atrás deles aparecem o ministro André Fufuca, que está alinhado ao Palácio dos Leões, e pela senadora Eliziane Gama, que vem se afastando da aliança governista e deve se alinhar ao prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), caso ele venha a ser candidato a governador, ambos com nítido potencial de crescimento. O cenário de agora é o de que a corrida às cadeiras de senador ganhou um desenho de imprevisibilidade, com os quatro pré-candidatos melhor situados em condições de chegarem lá.
A ainda hipotética entrada da deputada Iracema Vale na corrida ao Senado altera, muito, o cenário desenhado até aqui. Começa com o fato de que ela não é um nome político qualquer, à medida que é detentora de um lastro político e eleitoral incomum, e com um grande potencial de crescimento. Além disso, como ela própria sinalizou, só aceitará a candidatura se for convocada para representar o grupo a que pertence, descartando a possibilidade de entrar numa aventura solitária de altíssimo risco. Como candidata do grupo liderado pelo governador Carlos Brandão e em nome do PT, ela entrará como parte da chapa majoritária e embalada pelo suporte da aliança partidária. Ou seja, será candidata para valer, parte de um projeto maior, que inclui a candidatura de Orleans Brandão ao Governo do Estrado e a reeleição do presidente Lulas da Silva (PT).
Iracema Vale pode buscar uma reeleição tranquila e sem riscos à Assembleia Legislativa, podendo até repetir sua espantosa votação de 2022, quando saiu das urnas ultrapassando pelas primeira vez na história a fronteira dos 100 mil votos. Pode também tentar uma cadeira na Câmara Federal, uma corrida um pouco mais difícil, mas possível com o seu cacife político e eleitoral. Numa situação mais complexa e improvável, já que o vice-governador Felipe Camarão (PT) não abre mão da sua candidatura ao Governo, poderia ela ser candidata à vice-governança numa chapa de composição do PT com o MDB. E, finalmente, numa reviravolta radical, poderia até mesmo concorrer ao Palácio dos Leões. A indicação para o Senado, feita pela corrente petista alinhada à pré-candidatura do emedebista Orleans Brandão, resume o seu potencial político e eleitoral.
Petista de raiz, tendo sido vereadora quatro vezes e prefeita de Urbano Santos duas vezes pela legenda do presidente Lula da Silva, só migrando para o PSB em 2021 num grande ajuste partidário para 2022, que resultou na reeleição do governador Carlos Brandão em turno único, na eleição do ex-governador Flávio Dino para o Senado com mais de dois milhões de votos, e na dela própria com votação recorde para a Assembleia Legislativa, Iracema Vale não terá nenhuma dificuldades de se movimentar dentro do PT caso decida entrar na corrida senatorial.
PONTO & CONTRAPONTO
Contrato do TJ com BRB envolvendo R$ 2,5 bilhões em depósitos judiciais causa tensão no Judiciário
É de tensão e mal-estar o clima no andar de cima do Tribunal de Justiça do Maranhão. E o motivo é o contrato que o Poder Judiciário maranhense firmou com o Banco Regional de Brasília (BRB) por meio do qual o banco candango ganhou chancela para administrar os mais de R$ 2,5 bilhões de Depósitos Judiciais do Maranhão.
O contrato foi firmado em agosto de 2025, quando a o pavio da bomba que liga o Banco Master ao BRB já tinha sido aceso e estava prestes a explodir, o que aconteceu trazendo à tona a maior fraude bancária da história do sistema financeiro brasileiro. Nesse contexto, o BRB aparece como o principal prejudicado com a relação, podendo amargar um prejuízo de pelo menos R$ 5 bilhões, correndo até o risco de liquidação.
A situação do BRB acendeu o alerta vermelho no colégio de desembargadores do TJ, onde vozes que não avalizaram o contrato do Judiciário do Maranhão com o banco brasiliense adotaram uma posição de cobrança. Nesse ambiente, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Froz Sobrinho, que negociou e firmou o contrato do TJ com o BRB, tenta acalmar os ânimos mostrando as vantagens financeiras do acordo.
O problema é que os argumentos do presidente Froz Sobrinho não “batem” com a situação do BRB, que era apontado como um dos bancos mais sólidos do País, mas que por conta do seu envolvimento com o escândalo do banco Master, entrou num túnel de incertezas, levando especialistas a temerem pelo seu futuro como instituição bancária. E é nesse rolo que estão os R$ 2,5 bilhões dos Depósitos Judiciais do Maranhão.
Na sessão administrativa de quarta-feira (18), o presidente Froz Sobrinho ouviu do ex-presidente, desembargador Paulo Velten, que ele é o único responsável por esse contrato, informando que não foi consultado sobre o assunto. O diálogo tenso e ríspido de Froz Sobrinho e Paulo Velten sugeriu que turbulências podem estar a caminho.
Edson Araújo é expulso do PSB por envolvimento na fraude do INSS
Aconteceu o que já corria como verdade nos bastidores da política: o deputado estadual Edson Araújo não pertence mais aos quadros do PSB. Ele foi expulso do partido na esteira lamacenta da monumental falcatrua que lesou milhões de aposentados do INSS em mais de R$ 5 bilhões com descontos ilegais feito por entidades que diziam proteger os seus interesses.
A expulsão do parlamentar dos quadros do PSB se deu por decisão da cúpula nacional do partido em meio ao avanço das investigações da Operação Sem Desconto, que o identificou como um dos operadores do esquema criminoso por meio de entidade do setor pesqueiro. Segundo a Polícia Federal, Edson Araújo movimentou cerca de R$ 18 milhões em apenas seis meses de 2025, algo absolutamente incompatível com a sua realidade financeira. E todos os indícios encontrados pela PF apontam para o seu envolvimento direto na fraude.
Ao oficializar a expulsão, a Executiva Nacional do PSB justificou a medida como necessária diante da incompatibilidade das condutas apuradas com as diretrizes éticas da legenda. A base do argumento são relatórios financeiros enviados à CPMI do INSS, que revelaram a movimentação bancária atípica em seis meses de 2025. O parlamentar nega irregularidades ou corrupção.
Edson Araújo era um dos mais antigos e respeitados quadros do PSB no Maranhão, pelo qual se elegeu para quatro mandatos consecutivos, tendo como base eleitoral entidades representativas de pescadores nas diversas regiões do Maranhão. Politicamente isolado, provavelmente encerrará sua carreira ao final do atual mandato.
São Luís, 30 de Janeiro de 2026.




























