Sucessão: Econométrica mostrou cenário estável, mas com tendência a mudanças em breve

 

Roseana Sarney lidera seguida de Weverton Rocha e Carlos Brandão, segundo pesquisa Econométrica

Se a eleição para governador fosse agora e a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) fosse candidata, ela iria para o segundo turno com 25,1% dos votos, tendo como adversário o senador Weverton Rocha (PDT), com 22%. Em terceiro, com 10,5% da votação, estaria o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), à frente um trio surpreendentemente nivelado: o senador Roberto Rocha (sem partido) com 8,3%, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD) com 8,2% e o prefeito Lahesio Bonfim (PTB) com 8,1% dos votos. A corrida do primeiro turno seria fechada com Josimar de Maranhãozinho (PL) com 5,9%, Felipe Camarão (PT) com 2,5% e Simplício Araújo (SD) com 0,9%. Brancos, nulos e outros somariam 8,4%. A Econométrica entrevistou 1.659 pessoas, no período de 3 a 6 deste mês, dando à pesquisa um intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 2,4%, para mais ou para menos.

A 11 meses das eleições, o levantamento do Econométrica encontrou um quadro parecido com os das pesquisas mais recentes, com Roseana Sarney, Weverton Rocha e Carlos Brandão repetindo suas performances em relação às preferências do eleitorado. E os demais pré-candidatos se batendo na seara de um só dígito, com a surpreendente proximidade entre Roberto Rocha, Edivaldo Jr. e Lahesio Bonfim, embolados com oito pontos cada um. Josimar de Maranhãozinho com a sua poderosa máquina partidária repete o desempenho pífio de outras pesquisas só à frente de Felipe Camarão, que ainda não tem respaldo do PT para levar à frente o seu projeto de candidatura, e Simplício Araújo, que dificilmente manterá sua proposta de candidatura.

A leitura desses percentuais deve levar em conta, primeiro, o fato de que Roseana Sarney não é, e é quase certo que não será, candidata ao Palácio dos Leões, onde já residiu por 14 anos, devendo encarar as urnas em busca de uma cadeira na Câmara Federal. Weverton Rocha e Carlos Brandão são pré-candidatos assumidos, com a diferença de que o pedetista se encontra no exercício pleno do seu mandato de senador, enquanto o vice-governador só assumirá o comando pleno do Governo em abril vindouro, quando o governador Flávio Dino (PSB) renunciará para candidatar-se ao Senado. Nenhum observador de que sem Roseana Sarney no páreo e com Carlos Brandão no Governo esse cenário pode ser diferente.

No bloco intermediário há também situações a serem levadas em conta, entre elas o fato de que, enquanto Edivaldo Jr. já está definido como candidato do PSD, o que lhe permite correr o estado se apresentando como tal, o senador Roberto Rocha ainda não tem partido nem disse com clareza se será mesmo candidato a governador, e o prefeito Lahesio Bonfim, que estava sem partido e filiou-se ao PTB sem a certeza se o comando petebista lhe dará a vaga de candidato. A situação de Felipe Camarão, que está na luta sem o aval do PT, poderá mudar radicalmente se for confirmado candidato do partido em dobradinha com o ex-presidente Lula da Silva.

Além desses fatores que podem mudar a situação de pré-candidatos, há sinais de que a corrida ao Palácio do Planalto poderá ter influência na briga pelo Palácio dos Leões. Difícil, por exemplo, duvidar do peso de declarações de Lula da Silva apoiando Felipe Camarão, ou eventualmente a Weverton Rocha, ou ainda a Carlos Brandão? Não se pode desconsiderar a influência da eventual dobradinha Weverton Rocha/Ciro Gomes, o mesmo em relação a Carlos Brandão com um eventual candidato tucano a presidente. Como também pode ser um erro menosprezar o eventual apoio do presidente Jair Bolsonaro a Josimar de Maranhãozinho, Roberto Rocha ou Lahesio Bonfim.

Em resumo: as pesquisas de agora são importantes e bem-vindas, registram a fotografia do momento, apontam tendências, indicam caminhos. Mas a política é dinâmica, e o que parece obvio agora pode sofrer mudanças radicais. Só para lembrar um dado: em 2002, José Reinaldo Tavares, que era vice-governador, assumiu o Governo e se lançou candidato à reeleição com apenas 2% das intenções de voto, segundo pesquisa Econométrica. Foi reeleito em turno único.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pré-candidatos têm rejeição elevada

No mesmo cenário das preferências, no qual aparece à frente com 25,1% das intenções de voto para o Governo do Estado, a ex-governadora Roseana Sarney lidera também o duro e implacável item em que é medida a rejeição, quando o entrevistado diz em quem não votaria de nenhum. Roseana Sarney desponta como campeã com nada menos que 43,6%. O segundo mais rejeitado pelo eleitor é o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, com nada menos que 33,6%, seguido por Carlos Brandão (22%), Roberto Rocha (18,8%), Simplício Araújo (18,4%), Weverton Rocha (17%), Edivaldo Holanda Jr. (16,8%), Felipe Camarão (16,1%) e Lahesio Bonfim (11.6%).

Esses percentuais tiram qualquer aspirante do eixo, porque, ao contrário dos de preferência, que indicam aprovação, a rejeição reúne toda a carga negativa de um meio onde o que prevalece mesmo é a disputa.

 

Votos “rebeldes” na PEC dos Precatórios mostrou a inconsistência de partidos no Brasil

Bira do Pindaré tentou, em vão, reverter votos do PSB à PEC dos Precatórios

A votação, ontem, da PEC dos Precatórios, aprovada por 323 votos contra 172, serviu para mostrar aos brasileiros a inconsistência dos partidos políticos, evidenciada na distância entre o discurso e a prática e entre os comandos partidários seus detentores de mandato. Isso ficou muito claro no PSB e no PDT. Na legenda socialista nada menos que nove deputados “peitaram” o comando partidário e votaram de acordo com a orientação do Palácio do Planalto. No PDT, o comando partidário conseguiu reverter sete dos 12 que votaram no primeiro turno, amargando o alinhamento de cinco pedetistas à orientação governista. Vice–líder da bancada do PSB, o deputado Bira do Pindaré entrou de cabeça na sua bancada tentando reverter a “rebeldia”, mas seu trabalho foi em vão. Já o presidente do PDT, Lupi, fez um discurso colocando os deputados pedetistas contra a parede, conseguiu mudar alguns votos, mas teve de engolir cinco votos à PEC dos Precatórios, que deu ao Palácio do Planalto os bilhões de reais que precisava para bancar o polêmico e eleitoreiro Auxílio-Brasil.

São Luís, 10 de Novembro de 2021.

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