Se quiser eficiência, Braide terá de fazer ajustes na paquidérmica estrutura da Prefeitura de São Luís

 

Eduardo Braide: desafio de enxugar e racionalizar a máquina na Prefeitura

O prefeito eleito Eduardo Braide (Podemos) tem um grande desafio pela frente: racionalizar a paquidérmica máquina administrativa de São Luís, de modo que ela possa se tornar mais enxuta, funcional e eficiente, e ainda por cima menos onerosa. Atualmente, são injustificáveis 22 secretarias plenas, três secretarias extraordinárias, estrutura a que se somam três autarquias, uma fundação e cinco órgãos independentes. Durante a campanha, o então candidato Eduardo Braide declarou reiteradas vezes que está preparado para governar São Luís, e que esse preparo veio de estudos que dedicou à cidade, sua máquina administrativa e os desafiadores problemas a serem encarados. E sempre que falou em recursos, enfatizou que o caminho será reduzir e racionalizar gastos, sem mexer, é claro, com os poucos mais de 25 mil servidores espalhados pela megaestrutura que hoje move a Prefeitura da Capital na oferta de serviços aos seus 1,2 milhão de habitantes.

Qualquer avaliação sustentada em rigor técnico certamente concluirá pela inutilidade de pelo menos cinco secretarias, que extintas resultariam numa economia razoável em salários de secretários e assessores graduados, chefes e chefetes, e custeio. O organograma da Prefeitura de São Luís abriga, por exemplo, a Secretaria de Orçamento Participativo e a Secretaria Extraordinária de Governança Solidária e Orçamento Participativo, o que não faz qualquer sentido. É também difícil de entender que no mesmo organograma convivam a Secretaria de Articulação Institucional e a Secretaria Extraordinária de Assuntos Políticos, funções que uma Secretaria de Governo bem comandada e organizada, e com os assessores certos, pode atuar com bons resultados. Chama a atenção também o conflito de atribuições da Secretaria de Urbanismo e Habitação com o Instituto Municipal da Paisagem Urbana.

Outros casos de coincidências e superposição são facilmente observáveis na atual grade operacional da Prefeitura de São Luís – como a Secretaria de Criança e Assistência Social e a Secretaria de Segurança Alimentar, por exemplo -, sugerindo também que ajustes pontuais podem aliviar a pressão dos custos. Mais ainda numa instituição como a máquina administrativa ludovicense, que depois de mostrar pujança com dinheiro de empréstimos – que terão de ser pagos um pouco mais na frente -, se prepara para enfrentar um longo período de vacas magras. Tal situação certamente obrigará o novo prefeito a fazer mudanças cuidadosas, já que assumirá o comando da máquina sob uma densa nuvem cinzenta da crise fiscal que está se desenhando como consequência da pandemia do novo coronavírus.

O enxugamento da máquina se torna um imperativo, que se impõe pelo valor do Orçamento da prefeitura de São Luís para 2021: R$ 3,2 bilhões, dos quais nada menos que R$ 1,7 bilhão serão destinados à folha de pessoal – incluindo a Câmara Municipal -, o que equivale a R$ 143 milhões/mês, incluindo o 13º salário. A situação é tão complicada que, feitas as contas, de uma receita estimada de aproximadamente R$ 260 milhões mês, nada menos que 55% serão destinados à folha, o que, somados outros compromissos – e neles estarão empréstimos -, sobrarão apenas R$ 42 milhões mensais para investimentos.

Em resumo: para cumprir os compromissos que assumiu durante a campanha, o prefeito eleito Eduardo Braide terá de fazer ajustes na máquina e vai precisar da firmeza implacável do economista Simão Cirineu no controle da chave do cofre.

PONTO & CONTRAPONTO

 

Posição obtida pelo Maranhão contra a epidemia é o resultado de decisão política racional

Flávio Dino na epidemia: decisões certas nas horas certas

Os fatos vão aos poucos confirmando que o Maranhão foi mesmo um dos estados que melhor enfrentaram a epidemia do novo coronavírus em todo o País. Essa posição vem sendo consolidada nos últimos dias, quando o estado saiu de uma longa permanência situação de estabilidade para nos últimos três dias se destacar no mapa como um dos três estados com número de mortes em queda – os outros são o Pará e o Ceará. Isso se torna evidente enquanto quase todo o Brasil, a começar pelos estados mais ricos e desenvolvidos, como os três do Sul e os do Sudeste, amarga o recrudescimento da epidemia, com elevação forte do número de internações e morte, com a ameaça de colapso dos seus sistemas de Saúde.

É milagre? O novo coronavírus desviou rota e deixou o Maranhão de fora? O Maranhão gastou bilhões que não tinha? Foi buscar especialistas na Europa? Nada disso. O que aconteceu é visível e não deixa dúvidas: o governador Flávio Dino percebeu a gravidade da epidemia no momento certo e tomou a decisão política de combatê-lo com as armas que tinha: planejamento, aplicação racional dos recursos disponíveis, montagem de uma estrutura hospitalar que atendesse às necessidades do momento, tomou decisões duras como o fechamento, brigou em Brasília por recursos e conseguiu uma testagem acima da média nacional. Estimulados, os maranhenses, em sua maioria, corresponderam à política de combate traçada pelo Governo do Estado. Coube ao secretário Carlos Lula a execução bem sucedida do que foi planejado.

Em meio às incoerências do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), até os obscurantistas e negacionistas maranhenses reconheceram que o governador Flávio Dino fez a parte que lhe coube. E agora briga pelo que será a maior das conquistas: conseguir vacinas para imunizar os maranhenses.

 

Manoel dos Santos Neto lança hoje livro-reportagem sobre o jornalista Othelino Nova Alves

Capa do livro sobre a trajetória de Othelino Nova Alves

O jornalista e pesquisador Manoel dos Santos Neto entrega hoje ao cervo memorialístico do jornalismo maranhense mais uma contribuição de peso, com o lançamento do livro-reportagem “Othelino, um herói da imprensa livre”, no qual resgata “a trajetória, os embates, e o pensamento político de um homem do jornalismo do Maranhão”, Othelino Nova Alves (1911-1967). O biografado marcou época em São Luís nos anos 50 e 60, fazendo um jornalismo posicionado, impiedosamente crítico, e de enfrentamento direto com poderosos, o que lhe valeu  simpatizantes, críticos e inimigos. Advogado e político militante, Othelino Nova Alves fez um jornalismo passional e sem medida quando tinha um alvo, fosse ele um político ou a um agente público. Em sua coluna “Na liça”, no Jornal Pequeno, travou embates, denunciou desmandos, foi duro e implacável com desafetos. Atacou a ditadura e pagou preço alto: foi sequestrado e barbaramente torturado. A brutalidade das torturas que sofreu não lhe tirou a coragem e a ousadia como jornalista. Foi morto no centro de São Luís pelos disparos feitos por um delegado de Polícia com quem manteve forte embate. Praticante e defensor intransigente do jornal sem amarras, opinativo e adjetivado, por meio do qual externou sua veia crítica e suas paixões políticas, Othelino Nova Alves deixou uma marca no jornalismo, que reúne coragem, audácia e polêmica. E gerou uma linhagem de homens de imprensa, como o herdeiro Othelino Filho, que pontificou no jornalismo do Maranhão, e Othelino Neto, jornalista formado pela UFMA, que preferiu seguir os seus passos na política, sendo atualmente presidente da Assembleia Legislativa.

Prefaciado pelo jornalista Cunha Santos Filho, a reportagem biográfica realizada por Manoel dos Santos Neto será lançada hoje às 18 horas na antessala do plenário da Assembleia Legislativa.

São Luís, 15 de Dezembro de 2020.

 

Um comentário sobre “Se quiser eficiência, Braide terá de fazer ajustes na paquidérmica estrutura da Prefeitura de São Luís

  1. Senhor futuro prefeito, o amigo enfrentará grandes problemas administrativos para conduzir a sua administração e para isso,terá que ter firmeza nas suas decisões a começar pela formação do seu secretariado.A indicação de ex vereadores para cargos e que foram na Câmara uns péssimos representantes da população e não souberam administrar suas vidas políticas e seus mandatos ,é ser temeroso . Será que como gestores da coisa pública, agora não como fiscalizadores e sim como gerenciadores, serão melhores? Acho que não. O nobre precisará de gente da área, profissionais competentes de primeira linha para administrar ,negociar problemas como o inchaço que se encontra na prefeitura,com muitos funcionários fantasmas,secretarias com a mesma função e outros apadrinhados por antigos gestores como nas unidades mistas e por vereadores amigo do Edivaldo.A prefeitura precisa de gerentes competentes e técnicos,não de políticos apadrinhados. Renove,peça a esses partidos safados,que pouco fizeram para sua vitória,que já estava ganha anos atrás e muitos deles só apareceram quando o fato já estava consumado,que mostre profissionais competentes,gente ilibada,gente que pense na cidade, gente que pense em gente e não políticos com idade nova e mente retrógrada,onde a maioria pensa em se dar bem , nas maracutaias partidárias e nada mais. Quem nada é peixe e não seja caranguejo. Cuidado prefeito,o buraco é mais embaixo !

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