Roseana defende João Abreu e diz que Dino cria clima de ameaça, perseguição e intolerância

 

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Roseana defende João Abreu e acusa Flávio Dino de perseguição e intolerância

Até então se guardando numa posição cautelosa, evitando ao máximo se expor num confronto aberto com seu sucessor, a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) saiu ontem a campo para manifestar, em nota, sua “indignação” com a prisão do empresário João Abreu, chefe da Casa Civil e “homem forte” do seu governo até quando deixou o cargo, sem  maiores explicações, no final de 2013. Deu ao caso a limitação de episódio, com tintura puramente política, acusando o governador Flávio Dino (PCdoB) – não lhe citou o nome – de instaurar no Maranhão um “clima de perseguição e intolerância”, argumentando que “tais condutas não fazem parte da tradição pacífica da nossa gente”. Sem usar em momento algum o adjetivo  “inocente”, a ex-governadora defendeu o ex-auxiliar, afirmando ser ele um “empresário exemplar” e “incapaz de praticar os atos de que lhe acusam”, que vive agora a condição de vítima “de um plano de perseguição para constranger a mim e às pessoas que comigo trabalharam”.

Na sua nota, a ex-governadora ataca duramente o governador Flávio Dino e, da mesma maneira, alveja também o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Osmar Gomes, quando classifica de “absurda” a prisão de João Abreu, já que o ato resultou do cumprimento de uma ordem do magistrado.  A ex-governadora diz vir a público “manifestar minha indignação” com o que define como “um clima de ameaça e intolerância implantado no Maranhão”, e logo em seguida afirma que – ela e provavelmente o grupo que a rodeia – “estamos estarrecidos”. Tal reação é explicada, segundo ela, porque João Abreu se dedicou “com honestidade e competência” na condução da Casa Civil. Não mencionou que no seu segundo governo, há cerca de 20 anos, ele foi chefe da Casa Civil e, depois, comandou o Sistema Estadual de Saúde.

Na sua nota, a ex-governadora admite que o ex-secretário foi citado por “um acusado” em depoimento na Operação Lava Jato, preferindo não citar o nome de Alberto Youssef. Mas afirma que nada houve de anormal e irregular no acordo para o pagamento do precatório, que foi aprovado por todos os órgãos estaduais – Procuradoria de Justiça do Estado, Secretaria de Planejamento e Ministério Público Estadual – e homologado pela Justiça, descartando qualquer articulação nos bastidores envolvendo propina pela obtenção do acordo com a Constran, feito no valor de R$ 123 milhões em 24 parcelas iguais, o que é confirmado pela empresa e pela Justiça. Em suma, dá a entender que o inquérito – autorizado pelo Superior Tribunal de Justiça – e o pedido de prisão foram armados para “gerar espaços midiáticos que desviem a atenção da opinião pública para a paralisação em que se encontra o Maranhão”.

A ex-governadora dedica o último parágrafo ao governador Flávio Dino – cujo nome não cita – disparando um tiroteio duro, afirmando que ele foi eleito para governar o estado e não para “criar esse clima ideológico de perseguição”, Acusa o sucessor de gastar seu tempo “fazendo o que lhe é mais agradável, odiando, perseguindo, distribuindo culpas aos que não lhe são simpáticos e apalpando culpas dos culpados que lhe aplaudem”.

Curiosamente, a nota de Roseana Sarney reduz o caso a um episódio, tenta politizá-lo, mas não faz um desafio a Flávio Dino, não anuncia alguma providência política ou judicial para combater o estado de coisas que ela desenhou, dando a entender que o poder do governador de “perseguir” é ilimitado, só podendo ser lamentado, mas não combatido. Por estratégia ou  até por desânimo, Roseana, mesmo “indignada” e “estarrecida”, parece adotar uma posição conformista, à medida que não sinaliza qualquer gesto no sentido de se contrapor ao poder abusivo que ela e seus aliados, entre eles o ex-deputado Ricardo Murad (PMDB), denunciam.270101

A nota:

Em respeito ao povo do Maranhão, venho a público manifestar a minha indignação a esse clima de ameaça, perseguição e intolerância implantado no Maranhão, condutas que não fazem parte da tradição pacífica de nossa gente. Estamos estarrecidos com a absurda prisão do ex-secretário da Casa Civil, João Abreu, empresário exemplar, chefe de família respeitável, membro destacado da classe empresarial e incapaz de praticar atos de que lhe acusam. No meu governo dedicou-se com honestidade e competência na condução da Secretaria da Casa Civil.
Sua absurda prisão faz parte de um plano de perseguição para constranger a mim e às pessoas que comigo trabalharam e gerar espetáculos midiáticos que desviem a atenção da opinião pública para a paralisação em que se encontra o Maranhão.
É fato que existe uma citação de um dos acusados presos pela Lava Jato referente a um precatório que foi objeto de ação rescisória ajuizada pelo MP-MA em 27/08/2013. Cabe ressaltar que, quando foi objeto da ação rescisória, o caso estava em primeiro lugar na lista de precatórios. Era uma ação de indenização proposta por uma empreiteira, há mais de 25 anos, contra o Estado do Maranhão. Não há nada de irregular nesse acordo, aprovado por todos os órgãos estaduais e homologado pela Justiça.
O Governador venceu as eleições para governar e promover a justiça social e não para criar esse clima ideológico de perseguição. Mas gasta seu tempo fazendo o que lhe é mais agradável, odiando, perseguindo, distribuindo culpas aos que não lhe são simpáticos e apalpando as culpas dos culpados que o aplaudem.

Roseana Sarney

 

 PONTOS & CONTRAPONTOS

Queriam o quê?

O governador Flávio Dino não respondeu à nota da ex-governadora Roseana Sarney. Mas em duas mensagens no twitter, ele tratou da prisão do empresário João Abreu dizendo apenas tratar-se do desdobramento do trabalho da Polícia num inquérito autorizado pelo Superior Tribunal de Justiça. No se refere ao fato em si nem cita nomes. As duas notas deixam a impressão de que o governador está satisfeito com o desempenho da Polícia, e não dá indicação de que pretende medir força com a ex-governadora, parecendo ignorar solenemente a nota em que ela se manifesta sobre a prisão do ex-chefe da Casa Civil.

Habeas corpus

Até o fechamento deste post, por volta das 21h de sábado, nenhuma informação circulou a respeito da ação dos advogados Aldenor Rebouças e Carlos Seabra para relaxar a prisão do empresário João Abreu. Uma fonte disse à coluna que o mais provável é que eles protocolassem o pedido de habeas corpus à noite, de modo que a desembargadora de plantão, Maria das Graças, tivesse tempo para analisá-lo até o meio-dia de hoje. Uma fonte do meio jurídico avaliou que a decisão do juiz Osmar Gomes, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, não resiste a um argumento forte.

 

 

 

 

 

 

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