Roberto Costa fecha 2019 como líder de um movimento destinado a mudar a cara do MDB maranhense

 

Roberto Costa encara o desafio de mudar a cara do MDB no Maranhão

Nos últimos tempos, o Maranhão tem assistido a líderes da nova geração assumir e dar sobrevida promissora a partidos que caminhavam para a prateleira da História política estadual, a exemplo do hoje deputado federal Márcio Jerry, que comandou a transformação do PCdoB na maior força política maranhense da atualidade, e do deputado federal Juscelino Filho, que tirou o DEM da gaveta do esquecimento e devolveu-lhe parte da força de outros tempos. Nesse cenário de redefinições e transformações partidárias, o deputado estadual Roberto Costa fecha 2019 como o líder que, desafiando a lógica e empreendendo uma complicadíssima obra de engenharia política, está redesenhando a cara ao MDB no Maranhão, o que significa, em certa medida, mudar também a cara do sarneysismo. Atual vice-presidente do partido, o deputado tem usado habilidade e ousadia para oxigenar a maior e mais importante cidadela política do sarneysismo, enfrentando o poder de caciques, os quais, inicialmente resistentes, vão aos poucos compreendendo que o MDB tem de se renovar, sob pena de acabar. O ano que termina foi decisivo para que o MDB, sob o comando eficiente do ex-senador João Alberto e fortemente influenciado pela ala jovem comandada por Roberto Costa, tenha dado passos largos no caminho da renovação.

A guinada começou após o anúncio do resultado das eleições de 2018, quando o MDB foi duramente castigado nas urnas: não elegeu Roseana Sarney governadora, perdeu duas vagas no Senado, só elegeu dois deputados federais (Hildo Rocha e João Marcelo) e dois estaduais (Roberto Costa e Arnaldo Melo). Por pressão da ala jovem, o MDB iniciou um movimento para mudar o comando e a linha de ação. Em meados de dezembro do ano passado, a ex-governadora Roseana Sarney se dispôs a substituir a João Alberto na presidência do partido, mas Roberto Costa se contrapôs, argumentando que o MDB precisava de uma mudança radical, que dessa vez às novas lideranças, e anunciou a própria candidatura a presidente. Roseana Sarney reagiu vetando-o. O partido começou 2019 num cabo de guerra entre Roberto Costa e Roseana Sarney, com a participação do deputado Hildo Rocha, que também vetou Roseana Sarney e se lançou candidato. Diante do risco de um racha fatal, em março foi selado um acordo: João Alberto na presidência tendo Roberto Costa como vice-presidente.

Roberto Costa assumiu na prática o comando político do partido, adotando uma linha de ação mais flexível, adotando uma linha pragmática na Assembleia Legislativa, abrindo canais de conversação, como as sondagens para lançar o juiz federal Carlos Madeira candidato a prefeito e diálogo com outras alas do Grupo Sarney, aproximando o braço maranhense do novo presidente nacional, deputado federal paulista Baleia Rossi, ele próprio líder de uma guinada que renovou o comando nacional do partido. Essa relação foi estreitada ao longo do ano e resultou na vinda de Baleia Rossi ao Maranhão, em novembro, onde foi homenageado por Roberto Costa na Assembleia Legislativa e participado de um encontro de líderes emedebistas cujo ponto alto foi o lançamento da ex-governadora Roseana Sarney como candidata a prefeita de São Luís – ela ficou de pensar.

Roberto Costa atua agora para costurar rasuras internas, dialogando com as diversas correntes do partido, numa operação destinada a alcançar a unidade do MDB para as eleições municipais do ano que vem. Na semana passada, por exemplo, esteve em Brasília, onde manteve várias reuniões com o presidente emedebista, uma delas ao lado do deputado Hildo Rocha, a quem pediu apoio para prosseguir com os ajustes no MDB maranhense. Agora, o desafio maior é preparar o partido para as eleições municipais, tendo como estratégia básica lançar candidatos no maior número possível de municípios, a começar por São Luís e Imperatriz. Enquanto isso, seu principal avalista, o ex-senador João Alberto, mantém o partido bem administrado, como uma máquina política com estacas fincadas em todas as regiões do Maranhão, devendo lançar pelo menos 120 candidatos a prefeitos e centenas de candidatos a vereador.

2020 será decisivo para o projeto de renovação do MDB comandado por Roberto Costa com o aval da ala jovem e, em certa medida, dos caciques do partido.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Osmar Filho não será candidato a prefeito de São Luís, mas terá papel importante no processo

Osmar Filho: dúvida 

Pelo menos uma decisão já estaria tomada dentro do PDT: o vereador Osmar Filho, presidente da Câmara Municipal, não será candidato a prefeito nas eleições do ano que vem. Ele poderá ser candidato a vice-prefeito em chapa liderada por um candidato do PCdoB ou numa aliança do seu partido com o DEM, ou cuidará de renovar seu mandato, o que parece ser o seu caminho mais provável. Isso não significa dizer que o presidente da Câmara Municipal esteja fora do jogo sucessório. O que é verdadeiro é o fato de que todas as avaliações indicam não ser esse o seu momento de encarar uma disputa majoritária, pois suas chances nessa guerra pela sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) são modestas diante de candidatos com o poder de fogo de Eduardo Braide (Podemos), Rubens Júnior ou Duarte Júnior (PCdoB), Neto Evangelista (DEM), Bira do Pindaré (PSB), Wellington do Curso (PSDB) e Yglésio Moises (sem partido). Nesse tabuleiro, o presidente da Câmara Municipal terá papel importante no fortalecimento do candidato que vier a apoiar, podendo também se reeleger de novo como campeão de votos, o que poderá até garantir sua continuidade no comando do Legislativo municipal. Osmar Filho já tem experiência política suficiente para perceber que o cenário não lhe é favorável como pré-candidato a prefeito, mas lhe sorrir abertamente se resolver renovar o mantado.

 

Flávio Dino comemora pagamento antecipado dos servidores durante cinco anos

Flávio Dino 

O governador Flávio Dino (PCdoB) anuncia o pagamento antecipado do mês de dezembro aos servidores do Estado, comemorando também o fato de que nos seus 60 meses de Governo pagou os servidores rigorosamente em dia, incluindo o 13º salário nestes cinco anos. O governador tem todo o direito de fazer esse registro em clima de entusiasmo. Afinal, além do fato em si, a manutenção rigorosa do pagamento dos servidores se dá num contexto em que boa parte dos estados enfrenta gigantescas dificuldades para cumprir essa obrigação e outros não têm conseguido cumpri-la, gerando uma cadeia de problemas. Os governadores que amargam essa dificuldade estão cm seu futuro político seriamente comprometido.

São Luís, 24 de dezembro de 2019.

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