Ricardo Murad vai do céu ao inferno político, passando de candidato a governador a condenado por abuso de poder

Ricardo Murad e Tereza Murad: condenador por abuso nas eleições
Ricardo Murad e Tereza Murad: condenador por abuso nas eleições de 2012

Num intervalo de apenas três dias, nesta semana, o ex-deputado Ricardo Murad saiu da pista asfaltada na qual iniciava os movimentos para tentar decolar como candidato a governador, para atolar em terreno charco como condenado pela Justiça Eleitoral a ficar oito anos longe das urnas por causa de estripulias e abusos que, segundo a  juíza Josane Araujo Farias Braga, da 8ª Zona Eleitoral (Coroatá), ele cometera em 2012, como secretário de Estado da Saúde, para favorecer sua mulher, Tereza Murad, então candidata à Prefeitura de Coroatá.

A reviravolta interrompeu abruptamente a largada da corrida que faria rumo às eleições de 2018 e obrigou-o, agora, a concentrar recursos e energia para tentar reverter a condenação, sem o que terá apenas uma atuação fantasmagórica como mentor e coordenador informal do projeto de reeleição da filha, deputada estadual Andrea Murad (PMDB), e do genro, deputado estadual Souza Neto (PROS), e num plano mais geral, atuará em posição de comando – principal ou secundário – da campanha de Roseana Sarney (PMDB), provável candidata do Grupo Sarney ao Governo do Estado. Embora surpreendente e controversa, a situação se encaixa como uma luva encomendada no perfil político do ex-deputado estadual, ex-presidente da Assembleia Legislativa, ex-deputado federal, ex-prefeito de Coroatá, ex-secretário municipal de Governo de Coroatá, ex-gerente metropolitano e ex-secretário de Estado da Saúde – cargo no qual comandou o Saúde é Vida, o maior, mais arrojado e controverso programa do último Governo de Roseana Sarney.

Há pouco mais de uma semana, Ricardo Murad saiu de uma clausura que havia se imposto para dedicar-se à sua defesa contra a acusação de que cometera desvios cabeludos na Secretaria de Estado da Saúde, imbróglio que levou a Polícia Federal a buscá-lo em casa e levá-lo, em vexatória condução coercitiva, para depor na sua sede em São Luís. E como não poderia ser diferente, Ricardo Murad saiu da reclusão para, à sua maneira sempre estridente, agitar o meio político anunciando sua saída do PMDB e ingressar no nanico PRP e deixar no ar especulações sobre seu futuro político. Calculando cada passo, dias depois (23), Ricardo Murad voltou a público para anunciar sua candidatura ao Governo do Estado, gerando frisson na blogosfera e na classe político. Ontem (26), porém, uma explosiva decisão da Justiça Eleitoral de Coroatá o condenou a oito anos sem direitos políticos, interrompeu assim o roteiro por ele escrito e bem ensaiado, para retornar ao cenário político gerando fatos e atraindo atenção, movimentos nos quais é mestre com graduação, pós-graduação  e PHD.

Mas ninguém deve apostar alto que Ricardo Murad foi abatido de vez por uma decisão judicial de primeira instância acusado de abusar do poder. Quem o conhece – e sua trajetória confirma -, sabe que ele vai jogar pesado no tapetão judicial para livrar-se desse obstáculo e reverter os danos dessa reviravolta. Poucos são os políticos que jogam tão bem nessa seara onde só os craques e ousados sobrevivem. Uma avaliação cuidadosa e isenta da situação concluirá, sem maiores esforços, ser expressiva a probabilidade de o ex-secretário e seus advogados consigam, pelo menos, suspender os efeitos da sentença condenatória.

Ninguém duvida também de que Ricardo Murad venha a conseguir reverter a situação e seguir em frente com o seu projeto de poder. Afinal, não é a primeira que o ex-presidente da Assembleia Legislativa (1987/1989) vive uma situação complicada e que mistura gestão pública com política. E tudo indica que reverterá temporariamente a condenação, mesmo levando em conta o fato de que existe agora uma tendência na Justiça no sentido de que os juízes sejam mais rigorosos em condenação, de modo a tornar mais difícil a aceitação de recursos e a concessão de liminares com efeito suspensivo que autorizem fichas sujas a participar se processo votando e sendo votado, em situação sub júdice. Daí se razoável supor que, mesmo bombardeado pela Justiça Eleitoral, Ricardo Murad tem chance de disputar votos em 2018 como candidato a governador, senador, deputado federal e conforme anunciou.

Do ponto estritamente político, o projeto do ex-deputado Ricardo Murad de candidatar-se a governador pode ser entendido por vários vieses, menos o que o identifique como uma aventura. O primeiro seria uma estratégia para “puxar” as candidaturas de Andrea Murad e Souza Neto à reeleição. O segundo seria uma forma de pulverizar a votação para governador e assim levar a disputa para um segundo turno entre o governador Flávio Dino e Roseana Sarney. E o terceiro é que a candidatura de Ricardo Murad a governador poderia ser o “Plano B” do Grupo Sarney caso a ex-governadora resolva continua curtindo a aposentadoria que anunciou depois de passar o Governo para o então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Arnaldo Melo em dezembro de 2014.

O fato é que, mesmo duramente bombardeado pela via judicial, carregando agora uma condenação que poderá torná-lo um pária político por quase 3.300 dias, o que o segregará das eleições de 2018, 2020 e 2022, Ricardo Murad dá mostras de que continua ousado, polêmico e bom de briga. Se tem futuro político, o tempo dirá um pouco mais na frente.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Deputados contra e a favor de Michel Temer estão enfrentando cobranças nas ruas

Se g=for denunciado de novo, Michel temer terá o apoio da maioria da bancada maranhenseHildo Rocha
Deputados pró e contra Michel Temer estão enfrentando questionamentos e críticas.

Os deputados federais maranhense estão enfrentando a avaliação do cidadão sobre a decisão da Câmara Federal arquivar, por maioria, o pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o presidente Michel Temer (PMDB) e dois dos seus ministros, denunciados pelo Ministério como suspeitos de formação de quadrilha e também de tentativa de obstruir a Justiça. De um modo geral, os 11 parlamentares que votaram pelo arquivamento – Sarney Filho (PV), Hildo Rocha (PMDB), João Marcelo (PMDB), Victor Mendes (PSD), José Reinaldo Tavares (PSB), Júnior Marreca (PEN), Juscelino Filho (DEM), André Fufuca (PP), Pedro Fernandes (PTB), Aluísio Mendes (PTN) e Cléber Verde (PRB) – o mau humor do eleitorado que não quer Michel Temer na presidência da República. De um modo geral, o discurso dos deputados alinhados ao Palácio do Planalto se lastreie em três pontos: a denúncia “é fraca” e nada prova contra o presidente; garantir a permanência do presidente evitou que o País tivesse sua crise agravada pela agitação que certamente aconteceria com a escolha do novo presidente pela própria Câmara Federal; e, finalmente, é que, fora as denúncias, o Governo Michel Temer está avançando bem na retomada do processo econômico saudável. Uns estão enfrentando vaias aqui e ali, cobranças contundentes e críticas duras. Já os deputados de Oposição, que votaram contra o presidente – Weverton Rocha (PDT), Rubens Jr. (PCdoB), Eliziane Gama (PPS), Julião Amin (PDT), Zé Carlos (PT), Waldir Maranhão (PTdoB) – estão em situação bem mais confortável, embora enfrentem também, porém em menor escala, aliados de Michel Temer, que os criticam e estão tentando “prejudicar” o País onde as empresas estão começando a se revigorar reiniciando o processo econômico em novas de bases.

Em Tempo: os deputados Luana Costa (PSB) faltou à sessão e Deoclídes Macedo (PDT) foi substituído pelo titular da vaga, Julião Amin (PDT), que fez questão de participar da vtação histórica para dizer “não” ao presidente.

Tribunal de Justiça oxigena magistratura com promoções de juízes

Cleones Cunha (centro) n ato da posse dos magistrados
Cleones Cunha (centro) no ato da posse dos magistrados, ocorrida na quarta-feira

Um ato comandado nesta semana pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Cleones Cunha, movimentou segmentos da magistratura maranhense, Ele empossou sete juízes de Direito, cujas promoções e remoções foram aprovadas em sessão plenária administrativa realizada na  quarta-feira (25). Com a medida, a presidência do TJ, de acordo com proposta da Corregedoria Geral da Justiça, oxigenou parte da magistratura, avançando de acordo com as regras que norteiam a magistratura.

Os juízes Raphael Leite Guedes e Maria da Conceição Privado Rêgo foram promovidos, pelos critérios de antiguidade e merecimento, respectivamente. Raphael Leite Guedes passará a atuar na 1ª Vara da Comarca de Buriticupu (entrância intermediária). Já Maria da Conceição Privado Rêgo vai exercer suas atividades judicantes na Comarca da Ilha de São Luís (entrância final).

Os juízes Ivis Monteiro Costa (critério de antiguidade) e Josane Araújo Farias Braga (critério de merecimento) foram removidos para a Vara Única da Comarca de São Bento e para a 2ª Vara da Comarca de Vitorino Freire, respectivamente.

Representados por procuração pela magistrada Lavínia Helena Macedo Coelho, o juíz Holídice Cantanhede Barros (pelo critério de antiguidade) foi removido para o Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Pinheiro.

Também representado pela magistrada Lavínia Helena Macedo Coelho, o juiz Marcos Antonio Oliveira (pelo critério de antiguidade) foi promovido para o cargo de Juiz de Direito de entrância final, com titularidade na mesma unidade judiciária de entrância intermediária da qual é titular.

Delvan Tavares Oliveira (pelo critério de antiguidade) foi promovido para o cargo de Juiz de Direito de entrância final, com titularidade na mesma unidade judiciária de entrância intermediária da qual é titular. Ele foi representado também pela juíza Lavínia Helena Macedo Coelho.

Prestigiaram a cerimônia de posse a desembargadora Maria das Graças Duarte Mendes, os juízes Isabella Lago (diretora-geral do TJMA), Júlio Praseres (auxiliar da Presidência), Marilse Medeiros (secretária-geral da Esmam), Kariny Reis Bogéa Santos (3ª Vara da Comarca de Santa Inês), Flávio Gurgel  e familiares.

É isso aí.

São Luís 26 de Outubro de 2017.

 

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