Números do Ibope mostram que disputa entre Braide e Duarte Jr. será dura e com desfecho imprevisível

 

Eduardo Braide sai na frente, mas Duarte Jr. surpreende e chega perto, diz Ibope

Não surpreendeu, e está dentro da lógica que vem movendo essas eleições, o resultado da pesquisa Ibope sobre a disputa do 2º turno para a prefeitura de São Luís, divulgada ontem à noite pela TV Mirante. Como era esperado, Eduardo Braide (Podemos) apareceu com 49% das intenções de voto, podendo ter de 46% a 52%, se aplicada a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. Duarte Jr. (Republicanos) recebeu 42%, podendo ter entre 39% a 45%, se levada em conta a margem de erro. A pesquisa também informou que 7% disseram que anularão o voto ou votarão em branco, e 2% não souberam ou não quiseram responder. Apurando-se apenas votos válidos, que não leva em conta brancos, nulos e indecisos, o resultado do Ibope revelou o seguinte: Eduardo Braide tem 54% das intenções de voto e Duarte Júnior 46%. Qualquer equação que for montada agora com esses percentuais certamente remeterá para uma conclusão realista: não há como prognosticar o desfecho dessa eleição.

Os números do Ibope apontaram o favoritismo de Eduardo Braide, mas não foram suficientes para lhe dar a segurança e a confiança do favorito que dificilmente será alcançado. Já Duarte Júnior, mesmo aparecendo atrás, foi fortemente beneficiado, uma vez que os números do Ibope o apontam como uma ameaça concreta e indiscutível, com potencial para tornar a disputa ainda mais dura e imprevisível. Uma conta simples mostra as linhas gerais do cenário acima. Eduardo Braide saiu das urnas do 1º turno com 37% dos votos válidos, alcançando agora 54% de intenções, um ganho equivalente a 17 pontos percentuais, que pode ser mantido, aumentar ou diminuir durante a campanha. Duarte Júnior, por sua vez, saiu do 1º turno com 22% dos votos e começa o segundo com 42% de intenções, um ganho equivalente a 20 pontos percentuais, três pontos percentuais a mais do que o adversário.

Os números do Ibope sinalizam, portanto, que os dois candidatos têm potencial para chegar à Prefeitura de São Luís no dia 29. O que vai confirmar o favoritismo de Eduardo Braide ou promover uma guinada em Duarte Júnior será a capacidade de cada um de convencer o eleitorado. Isso porque essa é uma disputa decisiva, envolve muito mais do que a Prefeitura de São Luís pura e simples, estando incluída no pacote de ganhos uma expressiva carga de poder político que terá peso importante, ou até mesmo decisivo, nas eleições gerais de 2022. Eduardo Braide e Duarte Júnior sabem disso e vão se desdobrar para assumir o controle dessa máquina poderosa a partir de 1º de Janeiro do ano que vem.

A campanha começou ontem criando o clima de uma disputa renhida, voto a voto, como se os candidatos já soubessem que se enfrentarão numa parada dura. Eduardo Braide começou exibindo a manifestação de apoio de Neto Evangelista (DEM) – que foi eliminado na terceira colocação no 1º turno – e de quatro vereadores eleitos, e focando sua proposta administrativa na área da Saúde. Duarte Júnior saudou o Dia da Consciência Negra, lembrando figuras como a líder comunista Maria Aragão e o líder balaio Negro Cosme. Falou um pouco da sua trajetória e pediu uma oportunidade. E argumentando ser preciso que o eleitor “conheça bem” os candidatos, disparou chumbo grosso contra Eduardo Braide. O programa de Duarte Júnior fechou forte com o governador Flávio Dino inteiramente engajado usando o slogan do candidato: “Bora resolver?”

Ao contrário de outras disputas, a corrida de agora para a Prefeitura de São Luís tem ingredientes como juventude, ousadia, audácia e coragem impregnados nos dois candidatos, e evidenciados ontem com clareza na largada de Duarte Júnior. Isso prediz que a campanha será intensa, com muita animação e elevado nível de tensão política.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PT de São Luís apoia Duarte Jr., mas figuras importantes do partido seguem outro rumo

Márcio Jardim avisa que não seguirá a orientação de Honorato Fernandes na corrida em  São Luís

O braço maranhense do PT, em especial seu antebraço ludovicense, mais uma vez se torna um berço de divergências, alimentando o já clássico clima de conflito que move o partido em tempos de decisão eleitoral. Ao mesmo tempo em que o PT de São Luís, comandado pelo pragmático vereador Honorato Fernandes, que foi vice de Rubens Jr. (PCdoB), declarou apoio a Duarte Jr. no 2º turno da corrida à Prefeitura de São Luís, figuras proeminentes da seara petista, como Márcio Jardim, que faz parte da direção nacional, avisam que não seguirão a posição do governador Flávio Dino. Na mesma linha, o deputado estadual Zé Inácio, único representante do PT na Assembleia Legislativa, avisou que vai se posicionar por um candidato, mas preferiu manter o nome em segredo por enquanto.

Essa falta de sintonia interna é a cara do PT maranhense. Desde os anos 80 do século passado, quando a agremiação ganhou forma no estado, todas as suas decisões foram tomadas sem consenso. Durante muito tempo, o PT teve o PDT como aliado preferencial, tendo eleito Domingos Dutra como vice de Jackson Lago em 1996. E o partido também rachou durante o longo período em que esteve aliado ao MDB e ao Grupo Sarney.  As diferenças que vieram à tona em relação à disputa deste ano em São Luís é mais um episódio que alimenta a personalidade impar do partido, que na opinião apaixonada do deputado Zé Inácio “é o único que pratica a democracia interna”.

 

Reeleito em Imperatriz, Assis Ramos revela projeto de disputar o Governo

Assis Ramos: depois de Imperatriz, São Luís

No calor da euforia com a reeleição, o prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (DEM) teria revelado, de alto e bom som, o seu projeto de disputar o Governo do Estado. Não deixou claro se logo agora em 2022 ou em 2026. Nada impede o prefeito de Imperatriz de projetar seu futuro político com esse objetivo. Delegado de Polícia de carreira, que estreou na política em 2016 como um outsider, desbancando graúdos como Ildon Marques, e atropelando os candidatos Ribinha Cunha, apoiado pelo então prefeito Sebastião Madeira, entre outros. Agora, enfrentando o deputado Marco Aurélio (PCdoB), Sebastião Madeira em pessoa e Ildon Marques, e vencendo eleição, Assis Ramos acha que tem cacife para entrar na briga pelo Governo do Estado, na qual já medem forças o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), o senador Weverton Rocha (PDT) e o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), relação que pode aumentar com a ex-governadora Roseana Sarney (MDB).

São Luís, 21 de Novembro de 2020.

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