Discurso de posse: Braide foca na gestão, promete governar sem reclamar e mantém distância do jogo político

 

Eduardo Braide: com semblante grave durante toda a fala, diz que foi eleito para governar e não para reclamar

“Não fui eleito para reclamar, eu fui eleito para governar, e é isso que faremos a partir de hoje”. “Governaremos para quem mais precisa, para aqueles que, durante muito tempo, ficaram sem a ação do Poder Executivo, seja municipal, estadual ou federal”. “São Luís tem pressa”.

As três declarações, feitas em momentos diferentes, pautaram o discurso de posse de Eduardo Braide (Podemos) na Prefeitura de São Luís. Nos nove minutos da sua fala, ele deu as linhas gerais do que será sua gestão, citou quatro áreas prioritárias (Saúde, Educação, Economia e Mobilidade) e sinalizou fortemente na direção de uma relação sem tremores com a Câmara Municipal (onde não tem maioria, mas pode construí-la sem problemas). Ao contrário do que muitos esperavam, Eduardo Braide não emitiu qualquer sinal no sentido de construir uma relação institucional com o Governo do Estado nem jogou loas no Governo Federal, deixando claro que sua grande aposta é mesmo na sua eficácia gerencial. Na mesma linha, ignorou completamente sua posição e a do seu partido no cenário político maranhense, dando a entender que prefere se manter distante dos embates políticos, pelo menos no primeiro momento do seu governo.

Na seara administrativa, o novo prefeito confirmou o compromisso de campanha de colocar em prática um plano de ação para os 100 primeiros dias, e apontou quatro áreas prioritárias. E deixou claro que a grande prioridade será a Saúde, com foco inicial na elaboração de um plano municipal de vacinação contra o novo coronavírus. Na Educação, que foi entregue à vice-prefeita Esmênia Miranda, vai investir imediatamente na preparação das escolas para o que definiu como um ano letivo “dobrado”, ou seja, recuperar o que foi perdido no ano passado e manter a programação do novo ano. Na mobilidade, informou que fará algumas intervenções para tornar o transporte de massa mais rápido. E anunciou que encaminhará à Câmara Municipal um pacote de medidas que, segundo espera, ajudarão a população a enfrentar a crise causada pela pandemia. Não foi além, só assinalando enfaticamente que “São Luís tem pressa”, numa espécie de recado à equipe.

Eduardo Braide passou ao largo da política na sua primeira fala como prefeito da Capital, que além da importância econômica, abriga mais de 15% do eleitorado ao Maranhão. Seu silêncio sobre esse aspecto da sua posição, no entanto, pode ser interpretado também como uma atitude política no sentido de não entrar agora nesse xadrez complexo e movediço, deixando para exercer o papel político que muitos querem lhe atribuir quando estiver com a sua gestão minimamente consolidada. Isso porque, mesmo considerando o profundo canyon que hoje o separa do governador Flávio Dino (PCdoB), de quem já foi aliado, Eduardo Braide é um político suficientemente racional e pragmático para não descartar a possibilidade de estabelecer um canal de comunicação institucional entre o Palácio de la Ravardière e o Palácio dos Leões. Vale lembrar que em momentos e circunstâncias diferentes, ele e o governador Flávio Dino já emitiram sinais nessa direção.

No campo político-partidário, alguns chefes de partido que o apoiaram querem transformá-lo na principal voz da Oposição no Maranhão. O prefeito, no entanto, mesmo sabendo que em algum momento terá de assumir esse papel, já que não há no horizonte da oposição maranhense ninguém mais credenciado, usa a prudência e o pragmatismo para refrear impulsos e segurar a onda para o momento mais adequado para se posicionar: os primeiros meses de 2022. Sabe que, devido ao elevado grau de comprometimento que assumiu com a população de São Luís, será desastroso qualquer movimento político-partidário em relação a 2022 que vier a fazer antes da hora. Para ele, o que interessa agora é criar as condições para fazer uma boa gestão. Qualquer movimento ou gesto incoerente poderá ter custo elevado.

Sem lamúria, reclamações e acusações, e ignorando a política partidária e os primeiros movimentos da guerra pelo poder estadual, Eduardo Braide avisou no seu discurso de posse que seu projeto político de agora é fazer um bom governo em São Luís, para depois, então, entrar no jogo pesado da briga pelo poder estadual.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Prefeito prestigia sua vice entregando-lhe uma missão complexa e desafiadora

Esmênia Miranda: vice prestigiada pelo titular

Poucas vezes um vice-prefeito foi tão prestigiado pelo prefeito quanto a professora Esmênia Miranda está sendo por Eduardo Braide. Oficial da Polícia Militar, com graduação em História e docente do Colégio Militar em São de São Luís, Esmênia Miranda recebeu uma das tarefas mais desafiadoras da nova gestão de São Luís: comandar a pasta da Educação com o compromisso de tirar milhares de crianças do atraso escolar causado pela pandemia do coronavírus e transformar a rede municipal de ensino em um sistema de educação básica de qualidade. Sobre sua responsabilidade estão mais de 250 escolas, nas zonas urbana e rural, que abrigam milhares de alunos. Existem muitas escolas em bom estado físico para funcionar a contento, mas também existem muitas outras em estados que vão de precário a inviáveis para receber crianças e professores. A vice-prefeita se mostra entusiasmada com o prestígio e com a missão que recebeu, sabe que enfrentará dificuldades enormes, mas está determinada a encarar o desafio.

Segue um registro que servirá de alerta para a vice-prefeita. Em 2010, quase três anos depois da posse, o então prefeito João Castelo (PSDB), insatisfeito com o desempenho da sua vice-prefeita, a médica Helena Duailibe, no comando da Secretaria Municipal de Saúde, reclamou e cobrou melhores resultados, enquanto a secretária, escudada na condição de vice-prefeita, insistia em seguir numa linha contrária à orientada pelo prefeito. A corda foi esticada a tal ponto que João Castelo demitiu Helena Duailibe durante entrevista a uma emissora de rádio de São Luís, causando um enorme mal-estar entre o prefeito e sua vice. A partir da demissão, o Sistema Municipal de Saúde entrou num processo de desarrumação que depois, meses antes de passar o cargo para Edivaldo Holanda Jr. (PTC), João Castelo teve de entregar a rede hospitalar de São Luís ao controle da Secretaria de Saúde do Estado, então comandada com carta branca pelo então deputado estadual Ricardo Murad (PMDB).

Claro que não se imagina uma situação parecida para o novo prefeito de São Luís e sua vice, que tem dado seguidas demonstrações de preparo. Mas nada custa lembrar que coisas assim podem acontecer.

 

Eleição do presidente da Câmara foi fruto do acordo do prefeito com o PDT

Osmar Filho: eleição por consenso foi acordo

Não surpreendeu a unanimidade conseguida pelo vereador Osmar Filho (PDT). O fato de ele ter sido presidente na legislatura passada nada teve a ver com a eleição de agora. A eleição se deu por força de um grande acordo armado pelo presidente do PDT, senador Weverton Rocha, com o então prefeito eleito Eduardo Braide, como parte do acordão que garantiu lastro partidário e uma boa margem complementar de votos para vencer com folga no segundo turno.

Se decidisse ignorar esse detalhe do acordo, Eduardo Braide teria conseguido facilmente 17 votos necessários para eleger um presidente do seu interesse. Poderia até, se quisesse, excluir o PDT do jogo, já que a pulverização partidária da Câmara de São Luís permite a um prefeito hábil montar uma base de apoio sem maiores dificuldades. O novo prefeito, porém, preferiu respeitar o acordo com o PDT, orientando seus aliados a votarem em Osmar Filho, que exercerá assim seu último mandato de presidente da Câmara Municipal de São Luís, já que em 2023 não mais poderá se candidatar à reeleição.

Eduardo Braide deverá eleger um presidente da sua inteira confiança na próxima eleição da Mesa Diretora.

Em tempo: Presidida por Osmar Filho, a Mesa Diretora da Câmara de São Luís tem a seguinte composição: 1º vice-presidente Gutemberg Araújo (PSC), 2º vice Paulo Victor (PCdoB), 3º vice Thyago Freitas (DC), 4º vice Octávio Soeiro (Podemos), 1º secretário Aldir Júnior (PL), 2º secretário Ribeiro Neto (PMN), 3ª secretária Karla Sarney (PSD) e 4ª Rosana da Saúde (Republicanos).

São Luís, 03 de Janeiro de 2021.

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