Crise política causada por Bolsonaro pode alterar posição de líderes partidários no Maranhão

 

Josimar de Maranhãozinho, Edilázio Jr., Pedro Lucas Fernandes e Juscelino Filho podem ser obrigados a mudar de posição em relação ao Governo Bolsonaro

A movimentação partidária que agita os bastidores do Congresso Nacional desde os agressivos discursos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em Brasília e em São Paulo, no 7 de Setembro, está, de fato, tirando a bancada maranhense da zona de conforto e empurrando senadores e deputados federais para o jogo pesado, que pode produzir desfecho politicamente cataclísmico como a instauração de um processo de impeachment do presidente da República, por exemplo. Partidos como PL, PSD, PSL, DEM, e MDB, aliados do Governo Bolsonaro em diferentes graus, resolveram discutir, internamente e em grupo, a situação do presidente, avaliando, nessas discussões, a possibilidade de desembarcar da base governista e embarcar na Oposição. Nesse contexto, os deputados Josimar de Maranhãozinho (PL), Edilázio Jr. (PSD), Pedro Lucas Fernandes (PSL), Juscelino Filho (DEM) e Hildo Rocha (MDB), que apoiam o Governo central em maior ou menor grau, terão dias difíceis pela frente, principalmente se seus partidos resolverem romper com o presidente Jair Bolsonaro, com é a tendência de vários nesse momento.

Uma das expectativas mais fortes nesse cenário atinge o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que cultiva relações produtiva com Governo Bolsonaro, tendo inclusive admitido a hipótese de vir a ter sua pré-candidatura a governador apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro. Ontem, o chefão do PL, ex-deputado federal Waldemar Costa Neto, a quem Josimar de Maranhãozinho deve o poder supremo sobre o partido no Maranhão, admitiu a possibilidade de abandonar a base governista e discutir o processo de impeachment. Se essa decisão for tomada, Josimar de Maranhãozinho terá se tornar oposição ao bolsonarismo ou mudar de partido. Tal situação alcança os deputados federais Pastor Gildenemyr, que é bolsonarista roxo, e Júnior Lourenço, que seguirá a Josimar de Maranhãozinho em qualquer circunstância.

Ontem, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, anunciou que está se afastando do presidente Jair Bolsonaro, admitindo inclusive, também apoiar o processo de impeachment se o presidente continuar gerando crises. O gesto de Gilberto Kassab colocou o deputado federal Edilázio Jr., presidente do partido no Maranhão, em situação delicada. Como é sabido, Edilázio Jr. é bolsonarista assumido, integrando o suporte parlamentar e político do presidente. Sofrerá forte desgaste político se tiver de romper com o Governo Bolsonaro ou seguir outro caminho partidário. É a mesma situação dos deputados federais Hildo Rocha e João Marcelo Souza, que mantém uma relação amistosa com o Governo, mas que poderão mudar de rumo se o MDB vier mesmo a romper, como sinalizou ontem nota divulgada pelo presidente nacional, deputado federal Baleia Rossi (SP). Também o deputado Juscelino Filho, presidente do DEM estadual, cujo partido ameaça pular fora do trem desgovernado do presidente Jair Bolsonaro.

Dois dirigentes partidários maranhenses têm situação um pouco mais confortável, mas que também pode radicalizar em relação ao presidente da República: o senador Weverton Rocha (PDT) e o deputado federal André Fufuca (PP). Empenhado quase que inteiramente na pré-campanha ao Governo do estado, o senador Weverton Rocha poderá ter de mudar radicalmente sua agenda se o partido decidir entrar na briga pelo impeachment de Jair Bolsonaro, como vem acenando o presidente nacional Carlos Lupi. A situação do deputado André Fufuca é diferente, uma vez que por abrigar o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (AL), e o chefe da Casa Civil, senador Ciro Nogueira, assumiu a presidência nacional do PP, o que o coloca numa situação tão especial quanto delicada.

Esses parlamentares deverão mesmo sair da zona de conforto para entrar num jogo difícil, complicado e de desfecho rigorosamente indefinido, e ainda se encontra na fase preparatória. As próximas semanas devem rascunhar um cenário para claro a respeito do que eles vão enfrentar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino vê desatino e desgoverno em Bolsonaro e indica caminhos para tirá-lo do poder

Flávio Dino enquadra Jair Bolsonaro em vários crimes

Ao avaliar ontem, em entrevista ao portal UOL, a situação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governador Flávio Dino (PSB) fez observações que podem levar o chefe da Nação um destino político dramático. Vale conferir:

1 –  “Nós estamos vendo um presidente da República desatinado, desgovernado e perpetrador de múltiplos crimes. Esta conduta de ameaça ao Supremo, de ameaça a um dos seus ministros, é duplamente tipificada como criminosa no Código Penal, no artigo 359 L, na medida em que há uma ameaça, uma tentativa de subverter, de destruir o estado democrático mediante uma ameaça a um dos Poderes do Estado. Por outro lado, nós temos a própria lei de crimes de responsabilidade, a Lei 1079. A grande pergunta é: nada ocorrerá? Porque nós estamos diante de condutas que em si mesmas são graves. Mesmo que as ameaças não venham eventualmente a se concretizar, nós estamos vendo a economia sofrendo muito, em razão desse descontrole presidencial, e nós estamos vendo uma marcha batida em direção a uma ruptura. Então, nós temos que reagir imediatamente, prontamente, para conter esses desatinos, isto que é inaceitável, sob qualquer ponto de vista, e está hoje penalizando fortemente as famílias brasileiras mediante, por exemplo, a inflação de alimentos”.

2  –  “Quero crer que isso não vai ficar por isso mesmo, pelo que eu tenho visto e ouvido, seja no ambiente político, seja no âmbito político, seja no âmbito do próprio Poder Judiciário. Há vários caminhos, um dos quais o Tribunal Superior Eleitoral afastara o presidente da República, cassar ele próprio ou eventualmente a chapa, dependendo do contexto. E isso não depende das casas parlamentares. Basta o enquadramento dois fatos de 2018 na lei. Acredito que isto ocorrendo pode ser uma saída institucional. Nós temos também os processos de impeachment. Não acredito que o Arthur Lira consiga segurar isso indefinidamente. Nós temos ainda uma terceira hipótese: ao chamar um ministro do Supremo de canalha, ele cometeu um crime, um crime comum. Então, o próprio ministro pode entrar com uma ação penal contra ele. Então, o Supremo pode pedir à Câmara autorização para processá-lo criminalmente. De modo que eu acredito que, com o seu isolamento político, evidente a essas alturas, e o seu estágio de insanidade, saídas jurídicas há várias, e creio que uma delas vai acabar se viabilizando porque o País não aguenta esse nível de estresse, e não aguenta economicamente, uma vez que nós estamos vendo os indicadores se deteriorando”.

 

Fusão PSL/DEM pode gerar disputa entre Pedro Lucas e Juscelino Filho

Fusão PSL/DEM: Pedro Lucas Fernandes e Juscelino Filho podem disputar controle do novo partido

O que era apenas uma agenda de conversa visando decisões mais na frente, o processo de fusão PSL/DEM ganhou ontem ares de certeza quando os dois comandantes partidários, deputado federal Rodrigo Bivar (PSL-PE) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto assinaram nota conjunta se posicionando criticamente em relação às declarações do presidente Jair Bolsonaro no 7 de Setembro. Se for consumada, a fusão dará origem ao partido com mais força na Câmara Federal. No plano estadual, o novo partido deve produzir uma disputa de peso entre os deputados federais Pedro Lucas Fernandes, que comanda o PSL no Maranhão, e Juscelino Filho, chefe maior do DEM no estado. E como só haverá um partido, a pergunta a ser feita é a seguinte: quem vai comandar a nova legenda no Maranhão?  Pedro Lucas Fernandes, que conta com o apoio do pai, prefeito de Arame, Pedro Fernandes, ou com Juscelino Filho, que vem ampliando seu espaço na cúpula do partido? A resposta virá se a fusão for consumada.

São Luís, 09 de Setembro de 2021.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *