Com o apoio de Cleide Coutinho, Brandão reúne as duas maiores forças políticas de Caxias

 

Carlos Brandão conta em Caxias com a deputada estadual  Cleide Coutinho e com o prefeito Fábio Gentil

O anúncio de que a deputada estadual Cleide Coutinho (PDT) declarou apoio ao vice-governador Carlos Brandão (PSDB a caminho do PSB), decisão por ela comunicada ao pré-candidato do seu partido, senador Weverton Rocha, produziu um fato diferenciado na fase prévia da corrida ao Governo do Estado: as duas principais forças políticas de Caxias, o quarto maior colégio eleitoral do Maranhão, com quase 100 mil eleitores, vão somar esforços em favor do candidato apoiado pelo governador Flávio Dino (PSB). Isso porque o prefeito da Princesa do Sertão, Fábio Gentil (Republicanos), reeleito em 2020 com 78% dos votos, é um dos principais aliados de Carlos Brandão, devendo assumir papel relevante na campanha dele. Isso não quer dizer que os dois grupos, que são adversários, se juntem, sendo lógico prever que essas forças baixarão a guarda na disputa majoritária estadual, apoiando também a candidatura do governador Flávio Dino ao senado, mas manterão seu “estado de guerra” na disputa proporcional, lutando pela eleição dos seus candidatos a deputado federal e estadual.

Por mais que alguns manifestem insatisfação, a decisão da deputada Cleide Coutinho de apoiar o vice-governador Carlos Brandão, se contraria o rumo do PDT, tem justificativa convincente, a começar pelos laços de amizade que sempre ligaram ela e o deputado Humberto Coutinho, o grande líder do grupo, ao vice-governador. Além disso, os Coutinho participaram ativamente do Governo de José Reinaldo Tavares, no qual Carlos Brandão foi o operoso influente chefe da Casa Civil, o que resultou no grande movimento que levou Jackson Lago ao poder na histórica eleição de 2006. Naquela eleição, os Coutinho votariam em Carlos Brandão para deputado federal, mas um pedido do governador José Reinaldo, com a concordância de Brandão, levou o Grupo Coutinho a apoiar o ex-juiz federal Flávio Dino, que se elegeu deputado federal. Em 2010, os Coutinho apoiaram a reeleição de Carlos Brandão para a Câmara Federal e respaldaram a escolha dele para vice-governador em 2014. Esse histórico explica com clareza a posição da deputada Cleide Coutinho, que também comunicou que deixará o PDT.

A posição do prefeito Fábio Gentil de apoio a Carlos Brandão, contrariando a orientação do seu partido, o Republicanos, está politicamente justificada. Nas eleições municipais de 2016, na dura disputa do então vereador Fábio Gentil com o prefeito Leo Coutinho, o vice-governador apoiou o prefeito, que tentava a reeleição. Filiado ao Republicanos em 2020, Carlos Brandão entrou de cabeça na campanha à reeleição de Fábio Gentil, uma vez que o Grupo Coutinho não lançou um candidato e apoiou o deputado estadual Adelmo Soares (PCdoB). Com o aval forte de Carlos Brandão, Fábio Gentil se reelegeu com 78% dos votos. Em janeiro de 2021, na guerra quase declarada entre o senador Weverton Rocha e o vice-governador Carlos Brandão pelo comando da Famem, Carlos Brandão apoiou fortemente Fábio Gentil contra o presidente Erlânio Xavier (PDT), prefeito de Igarapé Grande, que se reelegeu apoiado ostensivamente por Weverton Rocha. Ambos saíram daquela eleição ainda mais próximos politicamente.

Essas posições têm poder de fogo para reduzir fortemente o espaço da candidatura do senador Weverton Rocha em Caxias. Isso porque outras forças, bem menos influentes, se posicionarão na corrida eleitoral, como o próprio PDT, que deverá ganhar nova direção reafirmando apoio a Weverton Rocha, enquanto a tendência natural do PT será seguir a orientação do comando estadual e apoiar a candidatura do vice-governador. Na ciranda política caxiense o braço do MDB, que pela lógica deve seguir a orientação do comando estadual, tende a aliar-se o vice-governador, situação que norteará a posição de todos os partidos com representação na Princesa do Sertão.

As decisões tomadas pelos mais importantes e fortes braços partidários de Caxias indicam como a roda vai girar nos mais diferentes municípios do Maranhão, tanto a favor de Carlos Brandão quanto de Weverton Rocha. Esses movimentos políticos nos municípios definirão o cenário eleitoral da disputa pelo Palácio dos Leões.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Cléber Verde e parte do Republicanos estão com Weverton Rocha

Cléber Verde fala em recente evento com Weverton Rocha Rocha na região Sul

Justa a reação indignada do deputado federal Cléber Verde, presidente do Republicanos no Maranhão, à notícia falsa dando conta de que ele estaria na iminência de declarar apoio ao vice-governador Carlos Brandão. O parlamentar é apoiador declarado do senador Weverton Rocha e faz parte do grupo de líderes partidários que se formou em torno do pré-candidato do PDT. Em nenhum momento, nos últimos meses, circulou sequer algum boato com essa informação. Cléber Verde participou, na linha de frente, de todos eventos e reuniões relacionados com a pré-candidatura de Weverton Rocha, numa movimentação reforçada por declarações nesse sentido em diversas entrevistas.

Ao mesmo tempo em que Cléber Verde reafirma seu apoio a Weverton Rocha, o faz consciente de essa posição não é unânime dentro do seu partido. Isso porque, dos 25 prefeitos eleitos pelo Republicanos em 2020, pelo menos metade já está alinhada ao vice-governador Carlos Brandão, número que pode aumentar. E a explicação é simples: em 2020, Carlos Brandão estava filiado ao Republicanos e entrou de cabeça na campanha, vendo eleitos muitos candidatos por ele diretamente apoiados, como o prefeito de Caxias, Fábio Gentil, e a prefeita de Colinas, Valmira Miranda, para citar apenas dois exemplos.

Portanto, a menos que haja uma reviravolta radical, não há como negar de que o deputado federal Cléber Verde e uma banda expressiva do Republicanos estejam com o senador Weverton Rocha.

 

JP e Mical têm posições inseguras no PTB

Mical Damasceno e Josivaldo JP com Graciela Nienov, que os nomeou para postos do PTB

O deputado federal Josivaldo JP e a deputada estadual Mical Damasceno entraram em estado de alerta máximo por causa da crise de lavagem de sujeira na qual está mergulhado o comando nacional do PTB. E a explicação é simples: ambos foram recentemente alçados a posições importantes no partido, ele assumiu a presidência do PTB no Maranhão e ela, que era a presidente, foi nomeada chefe nacional do PTB Mulher.

O problema é que os dois chegaram a esses postos por decisão e nomeação da presidente nacional do partido, Graciela Nienov, que chegou ao posto pelo agora tresloucado ex-deputado federal Roberto Jefferson, que foi preso por incentivo ao terrorismo de extrema-direita, e que hoje detém o título de “presidente de honra” do PTB. Ocorre que Jefferson e Nienov, que eram “carne e unha”, romperam por diferenças que envolvem até acusação de desvio de dinheiro do partido. Roberto Jefferson, que está em prisão domiciliar, tenta retomar o comando petebista.

O fato é que, se Graciela Nienov continuar no comando do PTB, Josivaldo JP e Mical Damasceno podem permanecer onde estão. Mas se Roberto Jefferson conseguir virar o jogo, a situação dos dois pode se complicar, e muito.

São Luís, 05 de Fevereiro de 2022.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *