Braide sai do Podemos e vê perda antecipada para presidência da Câmara. Sofreu derrota?

 

Eduardo Braide se livrou de Sérgio Moro, mas terá de conviver institucionalmente com Paulo Victor

O gabinete principal do Palácio de la Ravardière foi fortemente atingido ontem por um turbilhão político. Ali, o prefeito Eduardo Braide rompeu com o Podemos, partido pelo qual se elegeu e que vinha tentando transformar, a médio prazo, na base de uma força política no Maranhão. A menos de 500 metros dali, no Palácio Pedro Neiva de Santana, o vereador Gutemberg Araújo (PSC), candidato a presidente da Câmara Municipal apoiado pelo prefeito Eduardo Braide e pelo senador Weverton Rocha (PDT), anunciou sua desistência da disputa, abrindo caminho para que o seu adversário, vereador Paulo Victor (PCdoB), seja eleito presidente, provavelmente por aclamação, na próxima semana. Os dois fatos terão repercussão forte na política ludovicense, algum reflexo na corrida eleitoral no estado e na corrida presidencial.

A decisão de deixar o Podemos, por “não compactuar com a forma com que a direção nacional tentou impor os rumos do partido no Maranhão”, causou estrago forte no braço maranhense do partido, e afundou ainda mais a pré-candidatura presidencial do ex-juiz Sérgio Moro, que assim correrá o risco de ficar sem palanque no estado. Eduardo Braide não simpatizou com a decisão do Podemos de bancar a candidatura presidencial de Sérgio Moro, tanto que não se manifestou sobre o assunto, agindo como se ignorasse a existência política e partidária do ex-ministro da Justiça e hoje inimigo do presidente Jair Bolsonaro (PL). O prefeito faz um jogo tão discreto e cauteloso, que deixou o Podemos sem dar qualquer pista sobre seu novo pouso partidário nem sinalizou em relação ao projeto de candidatura presidencial que abraçará.

A impossibilidade de ter um aliado na presidência da Câmara Municipal numa aliança com o PDT, articulada pelo senador Weverton Rocha, começou a ganhar forma quando o então líder do Governo, vareador Marcial Arruda (Podemos), que tentava mostrar-lhe que a aliança com os pedetistas eram uma aposta de alto risco, foi substituído exatamente pelo vereador pedetista Raimundo Penha. O domínio dos vereadores do PDT sobre o candidato governista Gutemberg Araújo, por orientação expressa do senador Weverton Rocha, afastou vários vereadores do grupo e atraiu para a disputa na Câmara os fluídos da corrida ao Governo do Estado, com governador Flávio Dino e o vice-governador Carlos Brandão se posicionando pela candidatura do vereador Paulo Victor. O resultado é que, sem adversário, o vereador do PCdoB – visto por muitos como uma revelação em matéria de articulação política – pode ser aclamado presidente.

A saída do Podemos parece ser o desfecho de um passo político bem calculado – Sérgio Moro seria um fardo difícil de carregar em São Luís -, que deixa Eduardo Braide à vontade para atuar sem pressões na corrida eleitoral deste ano, podendo programar o seu futuro partidário para o ano que vem, já de olho na reeleição em 2024. Já em relação à eleição na Câmara Municipal, está claro que o prefeito se deixou levar pelo jogo do PDT, que mesmo emagrecido na política de São Luís, tentou dar as cartas na eleição do presidente. Não dá para perceber qual foi o seu papel de fato na construção do cenário que ganhou forma no Palácio Pedro Neiva de Santana, com a virtual eleição de um vereador adversário, com militância forte e efetiva no PCdoB, partido que está na cabeça da lista dos adversários do atual Governo municipal.

Vistos de fora e de longe, os dois fatos que agitaram ontem o Palácio de la Ravardière podem ser interpretados como um mau momento político para o prefeito de São Luís. Afinal, não é fácil para um prefeito em um só dia deixar o partido pelo qual se elegeu e que esperava transformar numa força para o futuro, e, ao mesmo tempo, saber que a eleição para a presidência da Câmara Municipal está perdida. Mas a Coluna já disse várias vezes e vai repetir: Eduardo Braide é um político pragmático, que calcula cuidadosamente cada passo que dá nessa seara, e por isso dificilmente sairá desse turbilhão como derrotado.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Articulação de Othelino Neto encerra crise na AL com eleição de Ariston Ribeiro presidente da CCJ

Ariston Ribeiro foi eleito presidente da CCJ após articulação de Othelino Neto, que resultou na renúncia de Márcio Honaiser à presidência

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Assembleia Legislativa tem novo presidente, o deputado Ariston Ribeiro (Republicanos). A escolha se deu após a renúncia do deputado Márcio Honaiser (PDT), que permitiu uma nova composição do órgão legislativo, encerrando um arremedo de crise aberto com a eleição dele a quase um mês, que deu ao PDT maioria na Comissão, situação fortemente contestada pela maioria governista como uma jogada do senador Weverton Rocha destinada a criar dificuldades para o futuro governador Carlos Brandão (PSB). A mudança foi articulada numa ampla negociação conduzida pelo presidente Othelino Neto (PCdoB), que mesmo avaliando que não houve ilegalidade na eleição de Márcio Honaiser, compreendeu que mantendo CCJ sob controle quase total do PDT, levaria fatalmente a uma crise institucional com o Poder Executivo, que hoje tem cerca de dois terços do plenário.

A reação da maioria governista à eleição de Márcio Honaiser à presidência da CCJ com uma contestação na Justiça. O recurso dos governistas foi parar nas mãos da desembargadora Nelma Sarney, que despachou favoravelmente aos contestadores, tornando inválida a eleição, decisão que ela própria desfez no dia seguinte, agora dando razão a Márcio Honaiser, criando um forte mal-estar entre os três Poderes. Desde então os governistas boicotaram o funcionamento da CCJ, alegando falta de legitimidade por conta da suposta ilegalidade da eleição.

Nesse meio tempo, o presidente Othelino Neto usou o seu poder de articulação para desfazer o cenário de crise encontrar uma fórmula por meio da qual a CCJ ganhasse outra composição e a Assembleia Legislativa voltasse a funcionar plenamente. O desfecho da ação política do presidente da Casa resultou na renúncia do pedetista Márcio Honaiser e na eleição do republicano Ariston Ribeiro para a presidência. A mudança deixou a CCJ com a seguinte composição:  Presidente: Ariston Ribeiro (Republicanos). Titulares: Roberto Costa (MDB), Márcio Honaiser (PDT), Ricardo Rios (PDT), Wendel Lages (PMN), Adriano Sarney (PV) e Zé Inácio (PT).

 

Rubens Jr. reforça o time do PT para a Câmara Federal

Rubens Jr. reforça, junto com Zé Carlos e Felipe Camarão, time do PT para deputado federal, mas que pode dar o vice de Carlos Brandão

A decisão do deputado federal Rubens Jr. de migrar do PCdoB para o PT emagreceu o partidão e turbinou o projeto do PT de eleger uma grande bancada federal. Além do deputado Zé Carlos Araújo, que tem cacife para se reeleger, o PT conta com a forte candidatura do secretário Felipe Camarão, e agora reforça seu time com um político jovem e bem-sucedido nas urnas, vitorioso e bem votado em quatro eleições, duas de deputado estadual e duas de deputado federal.

Chama a atenção o fato de que esses três nomes fortes do PT para a Câmara Federal estejam sendo lembrados no zunzum dos bastidores como nomes igualmente fortes para a vaga de vice na chapa de Carlos Brandão (PSB).

São Luís, 29 de Março de 2022.

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