Cenário sucessório em Caxias vai mudando e tornando imprevisível o desfecho em outubro

Gentil Neto está definido como candidato do prefeito Fábio Gentil;
na oposição, Paulo Marinho Jr.,Daniel Barros e Lycia Waquim
vão definir qual dos três será o adversário

Os últimos movimentos políticos e partidários em Caxias, o quinto mais importante colégio eleitoral do Maranhão, indicam que a Princesa do Sertão terá uma corrida eleitoral com desfecho absolutamente imprevisível. Ali, o rascunho inicial da disputa vem sendo modificado radicalmente, sugerindo que o “passeio” inicialmente previsto para Gentil Neto (PSB), candidato da aliança formada pelos grupos Gentil, liderado pelo prefeito Fábio Gentil (Republicanos) e Coutinho, representado ainda pela ex-deputada Cleide Coutinho (ainda no PDT), parece estar se transformando numa caminhada difícil. E o motivo é que segmentos de oposição conseguiram o que parecia impossível: sentar e conversar. Isso deu origem a um movimento que hoje se dá ao luxo de ter três opções com consistência: o ex-vice-prefeito Paulo Marinho Jr. (PL), Daniel Barros (PRD) e Lucia Waquim (PSDB), acertando que um pouco mais na frente o que estiver melhor será o candidato do grupo.

Nos cálculos de atento observador da cena política caxiense, se a eleição fosse agora e Gentil Neto enfrentasse qualquer um dos três nomes da oposição, o resultado seria absolutamente imprevisível. Informações sobre intenções de votos estão sendo guardadas a sete chaves pelos dois lados, só circulando, em grupos muito fechados, dados encontrados em levantamentos qualitativos, feitos apenas para acompanhamento.

Até onde se sabe, e para a surpresa de muitos, não há problema insolúvel na aliança Gentil/Coutinho. Até ontem, a informação segura era a de que nesse campo a candidatura do engenheiro Gentil Neto é questão fechada, sem qualquer possibilidade de alteração. O que existe é uma medição de força nos bastidores pela indicação do candidato a vice. Em princípio, a lógica sugeria que, como o candidato a prefeito é do grupo Gentil, o candidato a vice-prefeito fosse indicado pelo grupo Coutinho. Mas, pelo que andou circulando na política caxiense, essa equação não está funcionando como uma regra imutável, uma vez que há nomes fortes dos dois lados reivindicando a vaga de número 2 na chapa.

Na seara oposicionista há uma certa euforia por conta da reunião dos grupos, mas existem dificuldades consideráveis para a definição do candidato mantendo a união do grupo. Paulo Marinho Jr. (PL) conta com seu cacife pessoal de ex-vice-prefeito e atual suplemente de deputado federal, tendo sofrido um grande bacle com a morte da médica e ex-prefeita Márcia Marinho, sua mãe e apoiadora. O vereador Daniel Barros anda empolgado com a grande adesão à sua pré-campanha de rua, na qual usa o nome “Daniel Fiscal do Povo”, uma alusão à sua condição de vereador combativo. E, finalmente, o lançamento recente da advogada Lycia Waquim, como pré-candidata do PSDB, partido que, sob o comando do ex-prefeito de Imperatriz e atual chefe da Casa Civil do Governo Brandão, renasceu nas cinzas e está ocupando grandes espaços em todo o estado.

A evolução do cenário político de Caxias tem alterado também os movimentos do Palácio dos Leões. Até semana a passada, todos os gestos do governador Carlos Brandão (PSB) eram direcionados ao candidato da aliança Gentil/Coutinho, Gentil Neto. Mas não passou despercebida sua manifestação de simpatia pela pré-candidatura de Lycia Waquim, lançada pelas lideranças tucanas como uma aposta alta. E mais do que isso, sem reações de insatisfação por Paulo Marinho Jr. e Daniel Barros, que até aqui faz a pré-campanha mais agressiva.

Com larga experiência nesse jogo e grande poder de fogo ainda acumulado, o prefeito Fábio Gentil vem reforçando cuidadosamente a posição do seu candidato, Gentil Neto, tendo também de administrar o bombardeio oposicionista sobre sua administração. E que entra em contagem regressiva com alguma perda de popularidade, o que é absolutamente normal, principalmente numa cidade que respira política e tem o confronto e os resultados surpreendentes como tradição.

E pelo que se ouve de alguns observadores caxienses, isso é só o começo, pois muita coisa está a caminho.

PONTO & CONTRAPONTO

Oposição de Othelino Neto: Leões se manterão como estão se posição for pessoal

Othelino Neto será rebatido
por Neto Evangelista

O Palácio dos Leões ainda não considera a postura do deputado Othelino Neto (PCdoB) com o um problema político grave.

Segundo um experiente deputado governista, os duros pronunciamentos que o parlamentar vem fazendo na Assembleia Legislativa, focando a área de Saúde do Estado, têm causado certo incômodo. Mas o Governo avalia que estão sendo rebatidos à altura pelo seu líder, deputado Neto Evangelista (União Brasil).

De acordo com esse parlamentar, com o auxílio da cúpula do Sistema Estadual de Saúde, o líder governista tem conseguido minimizar as denúncias de Othelino Neto, colocando o confronto numa espécie de “zero a zero”, apesar do barulho que vem causando.

Esse mesmo parlamentar, que circula muito no Palácio dos Leões e tem conversado com o governador Carlos Brandão, diz que, enquanto esse discurso oposicionista for um caso isolado do deputado Othelino Neto, a situação vai continuar como está, com o líder Neto Evangelista respondendo no mesmo tom.

Mas se essa postura evoluir para uma posição do PCdoB, a história será outra e o caldo pode entornar.

Vale anotar o seguinte: até aqui o tom oposicionista do PCdoB está restrito ao discurso do deputado Othelino Neto. Os outros deputados do partido – Rodrigo Lago, Júlio Mesquita, Ana do Gás e Ricardo Rios – se mantêm leais à base governista em diferentes graus.

Rodrigo Lago e Júlio Mesquita têm feito críticas ao quadro geral de algumas áreas, mas com o cuidado de não responsabilizar o Governo. Ana do Gás mantém alinhamento total, principalmente porque é candidata da situação à Prefeitura de Santo Antônio dos Lopes. E Ricardo Rios virou secretário de Estado para manter o suplente de deputado Zé Inácio (PT) no parlamento.

O detalhe é que o deputado Othelino Neto não tem usado o PCdoB nos seus pronunciamentos, deixando claro, pelo menos até aqui, tratar-se de um posicionamento pessoal.

Paulo Victor vai atuar em ações políticas do PSB na corrida à Prefeitura

Paulo Victor; ações políticas

O presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor, deve assumir a presidência do PSB na Capital. É nessa condição que ele vai coordenar uma parte das ações da pré-campanha a da campanha propriamente dita do candidato do partido, deputado federal Duarte Jr., ao Palácio de la Ravardière.

Essa tarefa foi passada ao vereador-presidente, que conhece bem as reentrâncias da São Luís política e eleitoral. E também pelo fato de que a coordenação política da campanha de Duarte Jr. ter sido entregue ao vice-governador Felipe Camarão (PT).

Mas o presidente da Câmara Municipal não ficará de todo de fora das ações políticas do PSB em relação à corrida à Prefeitura. Ele será o principal coordenador da bancada do partido e legendas aliadas no plenário da Casa, onde a postura do grupo será de oposição cerrada ao prefeito Eduardo Braide (PSD).

São Luís, 14 de Abril de 2024.

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