Pesquisa Datafolha aponta virada de Lula sobre Bolsonaro e reforça posição de Dino no Maranhão

 

Datafolha: Lula da Silva vence  Jair Bolsonaro num pleito sem chance para Sérgio Moro, Ciro Gomes, João Doria, Luciano Huck, Henrique Mandetta e João Amoêdo

A primeira pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial depois que o ex-presidente Lula da Silva (PT) politicamente reabilitado, com direito de votar e ser votado, sinaliza com clareza que o líder petista volta com grande força e com poder de fogo para voltar ao Palácio do Planalto. O quadro encontrado pelo Datafolha é o seguinte: se a eleição fosse agora, Lula da Silva bateria Jair Bolsonaro no 1º turno, com 41% dos votos contra 23%, aparecendo na sequência Sérgio Moro (sem partido) teria 7%, Ciro Gomes (PDT) 6%, Luciano Huck (sem partido) 4%, João Doria (PSDB) 3% e Henrique Mandetta (DEM) e João Amoêdo (Novo) 2%. No 2º turno, Lula da Silva liquidaria a fatura com 55% votos contra 32% de Jair Bolsonaro. O levantamento encontrou também 9% de eleitores que não votarão em ninguém e 4% que se apresentaram como indecisos. O Datafolha ouviu 2.071 pessoas em 146 municípios, de forma presencial, entre terça e ontem.

As primeiras informações, levantadas ontem à noite, deram conta de que a pesquisa caiu como uma bomba no 3º andar do Palácio do Planalto e nos principais gabinetes políticos de Brasília. Sua repercussão começou pouco antes da desastrada intervenção do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na CPI da Covid, onde, em meio a um verdadeiro bombardeio contra o Governo, atacou adversários e chamou o relator, Renan Calheiros (MDB-AL) de “vagabundo”, num lance revelador do grau de tensão que tomou de conta da família presidencial. A leitura dos números do Datafolha deve agravar ainda mais o clima político em Brasília, já que a previsão de analista é que o presidente agrave muito mais o clima de confronto com a CPI, podendo redirecionar suas baterias verbais para o ex-presidente.

Os números do Datafolha fortalecem a tendência, já desenhada por outros levantamentos menos confiáveis, de que a corrida presidencial está polarizada entre o presidente e o ex-presidente, não sobrando mais espaço para a chamada “terceira via”, preconizada por líderes politicamente equilibrados, como o governador Flávio Dino (PCdoB), por exemplo. Os demais aspirantes, como o lesa-magistratura Sérgio Moro, o incontrolável Ciro Gomes, o ‘nada a ver’ Luciano Huck, o ‘bom moço’ João Doria, o ‘salva-vidas’ Henrique Mandetta e o liberalíssimo João Amoêdo somaram minguados 22%, o que expressa a quase impossibilidade de um deles vir a se tornar párea para os dois líderes.

O recado da pesquisa Datafolha produzirá reflexos fortes no tabuleiro político do Maranhão, que começa a ganhar forma.  Primeiro fortalecendo o governador Flávio Dino (PCdoB) na tendência de aliança em torno da candidatura do ex-presidente Lula da Silva, consolidando a caminhada do líder maranhense na busca da cadeira de senador, arquivando definitivamente o projeto de disputar o Palácio do Planalto. Ao mesmo tempo, o fortalecimento de Lula da Silva na corrida presidencial reforça a posição do governador Flávio Dino no sentido de construir a unidade da aliança partidária que lidera em torno de uma candidatura à sua sucessão, já que o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), postulantes ao Governo, terão pouco suporte na corrida presidencial.

Por outro lado, a tendência mostrada pela pesquisa, fragiliza ainda mais os bolsonaristas, como o senador Roberto Rocha (ainda sem partido) e a prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (ainda no PSDB), que por via diversas e inconsistentes, têm se esforçado para passar a impressão de que o bolsonarismo tem algum futuro no Maranhão. O problema é que, em pesquisas anteriores, nas quais o presidente aparecia com chance de reeleição, nenhum deles apareceu com alguma chance nas disputas majoritárias no estado. Pela lógica – que em política pode ser contrariada -, a perda de fôlego de Jair Bolsonaro em relação à reeleição tende a diminuir ainda mais suas possibilidades nas próximas eleições.

A pesquisa trouxe à tona o cenário momento, mas com indicação de que esse retrato é uma tendência forte.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Comissão realiza hoje nova escuta para atualizar legislação ambiental

Fernando Barreto recebe de Othelino Neto ato que criou a Comissão de Juristas

A Comissão de Juristas que trabalha na elaboração do projeto de atualização do Código de Proteção do Meio Ambiente do Maranhão e da legislação ambiental do estado realiza hoje a segunda escuta pública, por meio da qual especialistas e até mesmo o cidadão comum podem colaborar com sugestões, de modo que a sociedade civil seja integrada ao esforço da Assembleia Legislativa para modernizar as leis que protegem os biomas maranhenses.  Ontem, o presidente da Comissão de Juristas, promotor Fernando Barreto (Meio Ambiente), apontou as escutas oportunidades essenciais neste momento em que o cuidado com o meio ambiente é tema de debates no mundo inteiro. “Se alguém tinha dúvidas da relevância da questão ambiental, as mudanças climáticas estão aí para provar o contrário. As nossas limitações são reflexos de consequência do nosso tratamento com a natureza. Por isso, a nossa relação com o meio ambiente precisa ser repensada”, pontuou.

Criada em Fevereiro pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Filho (PCdoB), a Comissão de Juristas é formada por 13 membros-representantes dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, do Ministério Público, da OAB/MA, da sociedade civil e especialistas na área ambiental. Na escuta de hoje será debatida a Política Estadual de Resíduos Sólidos e Estímulos Legais, temas de importância vital para os municípios maranhenses que ainda não implantaram políticas de tratamento de resíduos sólidos e ainda convivem com lixões.

A Comissão de Juristas tem prazo de 180 dias para entregar a Assembleia Legislativa a minuta de um projeto de atualização de toda a legislação ambiental maranhense.

 

Morre a educadora e ex-vereadora Simone Macieira

Simone Macieira com o filho Mário Macieira

Morreu ontem, vítima do novo coronavírus, a ex-vereadora Simone Macieira, uma referência na vida de São Luís nas últimas décadas. Educadora de renome, Simone Macieira exerceu vários cargos relevantes como profissional, entre eles o de delegada do Ministério da Educação no Maranhão, o de diretora geral da Biblioteca Benedito Leite e o de presidente do braço maranhense do Sebrae.

Simone Macieira foi politicamente ativa, desde a adolescência. Sua politização estava principalmente no fato de ser filha da médica e militante comunista Maria Aragão, que fez história dedicando a vida prestando atendimento médico a necessitados e mulheres e atuando na defesa dos oprimidos, tendo sido uma das principais referências na luta contra a ditadura. Simone Macieira elegeu-se vereadora em São Luís no pleito de 1988, candidata pelo PCdoB. Na Câmara Municipal, manteve suas posições em defesa de causas nobres.

Simone Macieira foi casada com o economista Roberto Macieira, ele também uma das referências da sua geração, e que como o pai, Carlos Macieira, foi prefeito nomeado de São Luís no início dos anos 80, gestão à qual ela prestou decisiva colaboração. Deixa filhos, entre eles o advogado Mário Macieira, ex-presidente da OAB-Maranhão, e netos.

São Luís, 13 de Maio de 2021.

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