Weverton Rocha e Carlos Brandão vivem situações diferentes na montagem das suas bases de apoio

 

Carlos Brandão e Weverton Rocha consistências diferentes em matéria de base de apoio partidário

A decisão do governador Flávio Dino (PCdoB) de adiar, por causa do agravamento da pandemia, para o final deste mês, o início das consultas partidárias na aliança que lidera em busca de um candidato de consenso à sua sucessão não retardou o processo político nessa direção. Os dois nomes mais fortes na disputa interna, o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), mais do que manter, intensificaram o ritmo das suas articulações em busca de suporte político e partidário para viabilizar seus projetos de candidatura. Nessa intensa movimentação nos bastidores dos partidos, Carlos Brandão e Weverton Rocha vêm jogando pesado na atração de aliados. Nesse momento, por mais que assessores e porta-vozes se esforcem para apresentar cada um deles como o mais forte, a verdade é que o jogo, que vinha equilibrado, com impulsos eventuais de um lado e de outro, começa a sofrer desequilíbrio, com maior ou menor consistência na base de apoio de cada um. Traduzindo: depois de um longo período em que mostrou força exibindo aliados expressivos, o senador Weverton Rocha parece ter esgotado seu manancial de apoio, enquanto o vice-governador Carlos Brandão parece ganhar musculatura a cada dia.

Em pouco mais de um mês, Weverton Rocha atuou como um furacão. Ganhou força com declarações de apoio da senadora Eliziane Gama (Cidadania), dos deputados federais Juscelino Filho (DEM), Cléber Verde (Republicanos) e Pedro Lucas Fernandes (PSL) e do ex-prefeito de Timon, Luciano Leitoa (PSB), tendo ainda a expectativa do possível aval do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), que continua no ar. O pré-candidato pedetista fez questão de que esses apoios fossem declarados como fatos consumados, passando ao meio político e ao eleitorado mais atento a impressão de que sua pré-candidatura está montada numa base partidária forte.

Uma avaliação mais apurada aponta algumas inconsistências na base de apoio do senador Weverton Rocha. A senadora Eliziane Gama lhe dá prestígio, mas o partido dela, o Cidadania, praticamente não existe no Maranhão. A declaração de apoio do PSB, por sua vez, perderá sentido se o governador Flávio Dino e seu grupo migrarem para a agremiação socialista. E a manifestação do deputado federal Pedro Lucas Fernandes, recém-chegado ao PSL, provavelmente não representa inteiramente a base que encontrou no partido. Quanto ao Republicanos, por mais forte que seja o comando do deputado federal Cléber Verde, ninguém duvida de que pelo menos metade das suas forças não seguirá o senador. O aliado mais forte de Weverton Rocha é o DEM, que vem mantendo parceria com o PDT no plano nacional.

No seu campo, o vice-governador Carlos Brandão se movimenta para contar, de saída, com dois aliados fortes, o PCdoB e o PT. E se o PCdoB se fundir com o PSB, não há dúvida que o novo partido, que deve se chamar Socialistas, apoiará o projeto de candidatura de Carlos Brandão. E mesmo se houver apenas a migração do governador Flávio Dino para o PSB, o partido se inclinará por Carlos Brandão, com o aval do deputado federal Bira do Pindaré, que preside a legenda em São Luís e não acompanhou o presidente Luciano Leitoa na declaração de apoio a Weverton Rocha. O PT vem dando seguidas demonstrações de que se unirá ao PCdoB na base de apoio de Carlos Brandão, que, além da base petista, contará também com o bordão do ex-presidente Lula da Silva na sua campanha. No caso do Republicanos, contas feitas por observadores tarimbados indicam que pelo menos metade da base municipal – prefeitos e vereadores – do partido apoiará Carlos Brandão, ainda que não migre para o PSDB.

O cenário do momento é exatamente esse. E nele o senador Weverton Rocha, hoje um político forte e de horizonte largo, trabalha para consolidar a ampla, mas inconsistente, base de apoio que vem construindo, para evitar que parte dela se desmanche. No contrapeso, o vice-governador Carlos Brandão está fazendo o caminho inverso, construindo aos poucos uma base consistente, sem risco de desmanche.

Vale, porém, lembrar que as convenções que formarão as alianças partidárias e desenharão a disputa só ocorrerão daqui a um ano, uma margem de tempo na qual as tendências podem se consolidar ou sofrer reviravoltas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Como uma suspeita de crime ambiental gera frustração num cidadão que a presencia

Dunas da Avenida Litorânea de São Luís correm risco de sofrer crime ambiental

A Polícia Militar do Maranhão é uma instituição que se moderniza a cada momento, principalmente pelas múltiplas frentes em que atua. Às vezes, porém, sua fragmentação por conta de ações especializadas produz situações que deixam o cidadão comum surpreso e inseguro, mesmo tendo ele um razoável grau de esclarecimento. O relato que se segue deixa bem claras situações que podem ser causadas por esse xadrez.

Um caminhante habitual da Avenida Litorânea, ao passar por um bar que tem uma duna ao lado, deparou-se com uma pá-carregadeira em ação, tirando areia da borda da duna e despejando-a em duas caçambas, num caso claro de crime ambiental. Cumpriu seu trajeto de ida, e na volta, movido pela estranheza, perguntou a um homem, que parecia ser o responsável pela operação, quem havia autorizado a remoção da areia da borda da duna. Surpreso com a indagação, e demonstrando certo desconforto, o homem respondeu: Foi o pessoal do bar que mandou”. O caminhante perguntou se havia uma autorização legal para a operação. O homem pareceu mais desconfortável ainda e deu as costas dizendo que não sabia. Surpreso, e reforçando a suspeita de que se tratava de um crime ambiental, o caminhante se dirigiu a um atendente do bar e perguntou quem era o responsável pela ação da pá-carregadeira. Com um sorriso nada espontâneo e nenhuma convicção, ele respondeu: “Isso é coisa da Prefeitura”. A contradição entre essa resposta e a outra deixou claro trata-se de um crime ambiental.

O caminhante seguiu caminho e menos de 200 metros à frente encontrou uma viatura da PM. Dirigiu-se aos policiais, relatou o que vira, mostrando inclusive o local, onde a operação se desenrolava. Sem se alterar, o policial reagiu assim: “Olha, você tem de ligar para o CIOPS e pedir que eles mandem o Ibama para ver isso”. Perplexo diante da reação do policial, o caminhante esboçou uma argumentação. O policial foi incisivo: “Ligue para o Ciops, que eles mandarão o Ibama”. E explicou o que era visível da porta da viatura: Polícia de Turismo. Ou seja, deu a entender que, acontecesse o que acontecesse ali, não fosse um caso envolvendo turistas, seria por eles ignorado.

Foi como uma ducha de água fria no caminhante, que perplexo e com uma forte sensação de frustração e impotência, seguiu caminho. Cerca de um quilômetro e meio à frente, numa coincidência quase milagrosa, o caminhante encontrou uma blitz da Prefeitura voltada exatamente para conscientização sobre a necessidade de preservação ambiental. Procurou o responsável e relatou-lhe o que presenciara minutos antes. O servidor ouviu o relato com boa vontade e reagiu com firmeza: “Vamos lá agora”. E se dirigiu a uma viatura da Secretaria Municipal de Trânsito.

Agora aliviado, mas chocado com o que presenciara e com resultado do contado com a viatura da PM, o caminhante seguiu seu rumo, certo de que cumpriu o seu papel de cidadão.

 

Roberto Rocha em contagem regressiva para entrar no Patriotas junto com Jair Bolsonaro

Roberto Rocha aguarda a filiação de Jair Bolsonaro ao Patriotas para fazer o mesmo

O senador Roberto Rocha deve anunciar nos próximos dias o seu rumo partidário. Ele deve se filiar ao Patriotas, e o fará no mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro fizer o mesmo. O senador ainda não disse como vai participar da eleição do ano que vem. Fontes próximas dele dizem que seu caminho é disputar o Governo do Estado, descartando a possibilidade de tentar renovar o mandato de senador. Quanto ao partido, especula-se que assumirá o comando do Patriotas no Maranhão, desbancando o deputado federal Júnior Marreca Filho. Há, porém, quem garanta que Marreca Filho não pretende abrir mão do comando do partido no Maranhão.

São Luís, 06 de Junho de 2021.

Eliziane amplia espaço na CPI e ganha força ao criticar comando do Exército por poupar Pazuello

 

Eliziane Gama tem atuado com força na CPI da Covid

A senadora Eliziane Gama (Cidadania) se consolidou mesmo como a voz do Maranhão na CPI da Covid – como desenhara a Coluna na edição do dia 20/05/ -, e foi mais longe, como a mais atuante membro da Bancada Feminina na Comissão e, para muitos observadores, um dos senadores que mais tem contribuído para dar consistência à investigação. Diferentemente dos seus dois colegas de bancada, os senadores Weverton Rocha (PDT) e Roberto Rocha (sem partido), a representante maranhense ocupou um espaço largo e importante na Comissão, fazendo intervenções bem articuladas e indagações apropriadas aos depoentes. Tanto que ontem o blog O Antagonista – cujos integrantes são de direita, mas fazem um jornalismo sério -, revelou que a senadora estaria sendo incluída no chamado G7 da CPI, grupo formado por senadores de oposição e independentes, entre eles o vice-presidente Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o relator Renan Calheiros (MDB-AL). A atuação de Eliziane Gama vai muito além da CPI, com excelente produção legislativa e for atuação política, como a desassombrada crítica que fez ontem à decisão do comando do Exército de não punir a afrontosa e perigosa indisciplina do general Eduardo Pazuello.

A senadora maranhense foi bem em todas as suas intervenções na CPI da Covid, mesmo sem ser membro. Ao contrário dos seus colegas de bancada, que têm mantido distância da Comissão – não são obrigados a participar, é bom lembrar -, a senadora tem sido presença constante e ativa, tendo até aqui inquirido todos os depoentes, convocados e convidados, com questionamentos pertinentes, focados na temática e marcados pelo equilíbrio, procurando obter respostas que apontem a origem dos problemas e os responsáveis. Ela foi dura com o ex-ministro da Saúde, general Pazuello, criticando-o severamente pelas contradições do seu depoimento: “O senhor mentiu muito aqui”, disse ele ao general cujas respostas a indagações importantes não a convenceram.

Suas intervenções na CPI são via de regra fundamentadas em informações e números. Quem acompanha sua trajetória desde o seu primeiro mandato de deputada estadual sabe que que essa é uma das mais fortes marcas do seu trabalho parlamentar. Jornalista por formação e radialista experiente, Eliziane Gama sempre ilustrou seus pronunciamentos com números, percentuais, índices. Essa marca foi importante para o seu trabalho na Câmara Federal, onde se destacou como membro da CPI da Petrobras. Daí o fato de sempre fundamentar suas manifestações com informações numéricas e estatísticas.

Ontem, fora do âmbito da CPI, a senadora Eliziane Gama foi igualmente dura com o comando do Exército por conta da decisão de não punir o general Eduardo Pazuello pela transgressão disciplinar e o desrespeito às regras sanitárias que que ele praticou ostensivamente ao participar de um evento de natureza política ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em meados de Maio, no Rio de Janeiro. Na sua avaliação, com a decisão de arquivar o caso, o comando do Exército abriu precedente grave, que pode fragilizar a instituição militar, agora sujeita a um estado de anarquia, à medida que a indisciplina não punida do general pode estimular atos de insubordinação dentro da força. “Essa decisão desmoraliza o comandante do Exército”, disse ela, em tom de indignação.

Não será surpresa, portanto, se a senadora Eliziane Gama vier, de fato, a integrar o chamado G7 da CPI da Covid, provavelmente como representante da Bancada Feminina, mesmo sem integrar formalmente a Comissão. Ali, ela se juntará ao seu colega de partido, senador Alessandro Vieira (Cidadania-ES), que também vem se destacando como um dos membros mais centrados e preparados da Comissão. Leva ao grupo convicção quanto a sua posição de cidadã, competência parlamentar e, sobretudo, destemor político, certa de que, apesar das tensões e das provocações golpistas, as instituições do País garantirão a democracia.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

General dos EUA erra e pede desculpas; general brasileiro erra, é amparado e debocha

General Mark Milley caminha aminha ao Donald Trump para o ato político do qual se arrependeu arrependeu amargamente e pediu desculpas aos norte-americanos 

Estados Unidos, 6 de Junho de 2020 –  O chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, general Mark Milley, o militar mais poderoso do planeta, apareceu na TV para pedir desculpas aos norte-americanos. Ele não perdeu uma guerra, não maltratou subordinados, não desviou dinheiro público, não foi apanhado com uma prostituta, nada disso. Seu erro, quase um crime naquele País, foi ter acompanhado o presidente Donald Trump, seu chefe maior, num ato político. Numa jogada de marketing, Donald Trump “convidou” seus assessores na Casa Branca para acompanhá-lo numa caminhada até à Igreja de St. John, parcialmente destruída por um incêndio na noite anterior. Ali, o presidente pousou para fotógrafos com uma bíblia na mão, num ato claro de exploração política, duramente criticado até por aliados do partido Republicano. Para que a comitiva chegasse ao templo, a polícia teve de afastar manifestantes a cassetete e gás lacrimogêneo. Sem saber do que se tratava, o general Mark Milley, fardado, integrou a comitiva. Mas quando se deu conta de que, como general e chefe do Estado Maior, participara daquele ato, entrou quase que em desespero, ciente de que cometera uma transgressão muito grave e imperdoável. Horas depois, como que em estado de choque, o general convocou uma coletiva e fez uma declaração:  “Eu não deveria ter estado lá. Minha presença naquele momento e naquele ambiente criou uma percepção de envolvimento dos militares na política interna. Devemos defender o princípio de um Exército apolítico que está tão profundamente enraizado na própria essência de nossa república”. Se redimiu.

Sem máscaras, Eduardo Pazzuello ao lado de Jair Bolsonaro: infração grave no Rio

Brasil, 23 de Maio de 2021 – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como sempre desrespeitando as regras sanitárias, liderou um passeio com milhares de motociclistas e partidários em carros. No retorno, o presidente subiu num palanque e fez um discurso fortemente político. Ao seu lado, em trajes civis, ninguém menos que o general da ativa e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, ele também sem máscara e lixando para as normas sanitárias. E foi muito mais longe quando pegou o microfone e discursou exaltando o chefe. A Constituição do Brasil reza, de maneira direta, que militar da ativa, soldado ou general, não pode participar de ato político e partidário. O regimento das Forças Armadas prevê punição severa para essa transgressão. O caso foi denunciado ao comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, que ontem alegou que o colega dele nada fez de errado e arquivou o caso. A conclusão dominante: o comandante do Exército abriu caminho para que qualquer militar, independentemente da patente, participe de ato político com a certeza de que estará desrespeitando a Constituição, mas não será punido. Em resumo: enquanto o general americano assumiu seu erro e pediu desculpas aos seus compatriotas, o general brasileiro errou feio, debochou dos brasileiros, foi blindado por seus superiores e pode entrar para a História como o oficial que instaurou a anarquia militar no Brasil.

 

Enquanto Bolsonaro desmoraliza Exército, Dino fortalece a Polícia Militar

O presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto, promulga as leis que reforçam a Polícia Militar

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro faz de tudo para fragilizar as Forças Armadas estimulando a insubordinação no generalato e insiste na insanidade de que a população deve se armar, no Maranhão o governador Flávio Dino (PCdoB) navega em outra direção. Quarta-Feira, por exemplo, a Assembleia Legislativa promulgou duas leis relacionadas com a Polícia Militar. A primeira consolida a criação da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP), e a segunda cria o 2º Batalhão de Polícia Militar de Turismo e o 39º Batalhão da Polícia Militar. Na verdade, tanto a FEISP e os batalhões já estão criados e funcionando via Medida Provisória, agora convertidas em lei estadual.

São Luís, 04 de Junho de 2021.

Dino mostra visão institucional apurada em reunião com Mourão no Conselho da Amazônia

 

Flávio Dino e Hamilton Mourão na reunião do Conselho da Amazônia, ontem, no DF

Posicionamento político e ideológico é uma coisa, e relacionamento institucional é outra. A primeira é opcional, fruto do livre arbítrio político do cidadão, esteja ele ou não no exercício de um mandato eletivo, seja como parlamentar, seja como executivo. O governador Flávio Dino (PCdoB) demonstrou ontem, mais uma vez, que a noção exata do que é relação política e relação institucional ao participar ontem, na condição de presidente do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, de reunião do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL), presidida pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB). Uma das mais destacadas vozes da Oposição no Brasil atual, tanto que é tratado como inimigo pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governador do Maranhão tem dado seguidas demonstrações de que sabe separar o joio do trigo sem arredar um só milímetro da sua posição política. A segurança e a desenvoltura com que se relaciona institucionalmente com próceres do Governo Bolsonaro é reconhecida e bem aceita por eles próprios. A reunião de ontem demonstrou a postura institucional do governador e do vice-presidente.

Na reunião, Flávio Dino analisou a grave situação da Amazônia nesse momento, com o aumento das queimadas, a expansão de garimpos, o avanço da grilagem e a extração ilegal de madeira em proporções gigantescas, tornando o Brasil uma espécie de pária mundial no campo ambiental. Com interlocução fácil com o vice-presidente Hamilton Mourão, que apesar de pertencer à direita conservadora, não dispensa nem dificulta o diálogo com líderes da estatura do governador do Maranhão. Tanto que os dois dialogaram franca e longamente sobre o momento pelo qual a região passa, tendo o governador do Maranhão feito sugestões ao vice-presidente das República, o que provavelmente não aconteceria se o interlocutor fosse o presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, que prefere o confronto ao diálogo.

Desde a instalação do Governo Bolsonaro, o governador Flávio Dino tem feito um trabalho intenso e complexo no sentido de manter uma boa relação com a habitantes do momento do Palácio do Planalto e a Esplanada dos Ministérios. Já se avistou várias vezes com o vice-presidente Hamilton Mourão, antes de ele assumir o Conselho da Amazônia Legal, tendo inclusive no Palácio dos Leões. Ali também recebeu o general Santos Cruz, quando ele comandava a Secretaria de Governo da Presidência da República, e o ministro do Meio Ambiente (Ricardo Salles), que esteve rapidamente no Palácio dos Leões antes da pandemia. Da equipe do atual Governo Federal, o governador já tratou com todos os ministros da Saúde (Luiz Mandetta, Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga) com os dois ministros da Educação (Ricardo Vélez e Milton Ribeiro), da Infraestrutura (Tarcísio de Freitas), da Economia (Paulo Guedes), mas sempre de maneira altiva, respeitando a institucionalidade.

Em 2016, ele recebeu o então comandante da Marinha, comandante de esquadra Eduardo Bacelar, com quem tratou do projeto de instalar uma base da armada para sediar um novo Distrito Naval – projeto infelizmente suspenso por causa da pandemia. E no início do ano passado recebeu em audiência o então comandante militar da Amazônia, atual comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, que veio ao Maranhão entregar armas adquirida pelo Governo do Estado para a Polícia Militar do Maranhão. E por conta do Centro de Lançamento de Alcântara, recebe com frequência oficiais de alta patente da Aeronáutica.

A má vontade assumida do presidente Jair Bolsonaro em relação a tudo o que diz respeito ao Governo do Maranhão não desanimaram o governador Flávio Dino no que diz respeito a manter um relacionamento institucional com os ocupantes da esplanada dos Ministérios. Ele entende que por diferenças políticas os dirigentes públicos não podem comprometer os interesses da coletividade, por mais tensa e esticada que seja a relação política.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino dá mais um passo na direção do PSB

O governador Flávio Dino deu ontem mais um passo no sentido de migrar para o PSB. Após reunião do Conselho da Amazônia, da qual participou como presidente do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, ele esteve na sede do PSB, onde conversou com o presidente da legenda, Carlos Siqueira, sobre o quadro político nacional e, claro, o andamento das conversas sobre a fusão do partido com o PCdoB para a formação do Socialistas, ou, na impossibilidade da fusão, sua migração para a legenda.

É fato que, sem um reforço extraordinário ou se incorporando a uma legenda mais forte, como o PSB, por exemplo, dificilmente o PCdoB sobreviverá à cláusula de barreira nas eleições de 2022. Os motivos vão desde o símbolo do partido, a foice e o martelo, que já não identificam as massas camponesas e o operariado urbano, até a sua fragilização a cada eleição. A força do partido no Maranhão por conta do prestígio do governador não é suficiente para mantê-lo de pé. Logo, Flávio Dino e seu grupo terão de resolver essa situação delicada até setembro.

Antes reticente em falar de mudança partidária, o governador do Maranhão já não esconde que se encontra na iminência de mudar de partido e que o caminho mais provável é o PSB. Há duas semanas, Flávio Dino fixou a data de 13 de Junho, dias de Santo Antônio, o Casamenteiro, como o momento do desfecho de sua situação partidária. A visita de ontem à sede do PSB pode ter sido a batida de martelo sobre sua migração.

 

Maioria ampla dos brasileiros que super-ricos pagando mais impostos

Donos de grandes fortunas poderão pagar mais impostos

O Brasil tem ao seu dispor uma fonte que poderá render-lhe nada menos que R$ 292 milhões anuais em impostos: a adoção de uma política tributária na qual os multimilionários brasileiros paguem mais impostos. Isso dificilmente será adotado no governo do presidente Jair Bolsonaro, que se esforça para aliviar a carga tributária dessa turma que tem dinheiro de sobra. Mas um futuro Governo, se estiver sintonizado com a maioria verá que, hoje, nada menos que 84% dos brasileiros são a favor do aumento de impostos para os muito ricos, segundo pesquisa realizada recentemente pelo Datafolha em parceria com o instituto Oxfam Brasil.

O Maranhão abriga um número expressivo de milionários que se enquadram nesse perfil. O primeiro nome da lista é o empresário Wilson Mateus, que recentemente foi apontado pela prestigiosa revista Forbes, que monitora multimilionários em todo o planeta. Outros caixa-altas, que preferem esconder o jogo mantendo-se discretos, minimizando suas imensas fortunas. Mas se for acionado, o fisco saberá tranquilamente como e onde encontrá-los.

Em tempo: a Coluna registra com pesar a morte do jornalista e ex-deputado estadual Luiz Pedro de Oliveira, na noite de Terça-Feira (01).

São Luís, 03 de Junho de 2021.

Filiação de Flávio Bolsonaro no Patriotas pode ser a senha para a entrada de Jair Bolsonaro e Roberto Rocha

 

Possível ingresso de Jair Bolsonaro e Roberto Rocha no Patriotas pode afetar domínio partidário de Josimar de Maranhãozinho e Marreca Filho, que mandam na sigla

Mesmo gerando uma crise dentro do partido, a filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Patriotas está sendo vista como uma espécie de “abre alas” para que o presidente Jair Bolsonaro também ingresse no partido, depois de ter recebido sinal vermelho para voltar ao PSL e passar uma rasteira na turma do PMD, que chegou até a trocar nome na vã perspectiva de tê-lo nos seus modestos quadros. O possível desembarque da família Bolsonaro no Patriotas terá forte repercussão no ambiente político maranhense, uma vez que, tudo indica, poderá abrigar o senador Roberto Rocha, que poderá assumir o controle da legenda.  Se essa previsão for confirmada, atingirá, de maneira bombástica, os domínios partidários do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que controla, com mão de ferro e o poder de fogo do Fundo Partidário, o PL, o Avante e o Patriotas. Este último é presidido no Maranhão pelo deputado federal Júnior Marreca Filho, que segue, fiel e ordeiramente, o comando político de Josimar de Maranhãozinho, que não costuma abrir mão de poder político.

O Patriotas é um desses partidos caça-níqueis criados na medida para alimentar o submundo da vida política nacional, abrigando gente de lastro político duvidoso. Ele caiu nas mãos do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que entregou o seu comando formal ao então deputado Júnior Marreca em 2017. Esse, por sua vez, impossibilitado de concorrer à reeleição, passou seu cacife eleitoral para o herdeiro Júnior Marreca Filho, que se elegeu deputado federal com a ajuda decisiva de Josimar de Maranhãozinho, que levou junto também o deputado federal Júnior Lourenço (PL), engordando o grupo depois com o deputado federal Pastor Gildenemyr, que se elegera pelo PMN, graças à gigantesca votação de Eduardo Braide para a Câmara Federal.

Membro furta-cor da aliança liderada pelo governador Flávio Dino, Josimar de Maranhãozinho faz, vez por outra, movimentos fora da curva para mostrar independência. Um dos mais recentes foi com o senador Roberto Rocha, divulgados por assessores dos dois como uma possibilidade de aliança para as eleições de 2022, formando uma chapa liderada pelo senador, tendo como vice o próprio Josimar de Maranhãozinho ou alguém por ele indicado, provavelmente a deputada estadual Detinha (PL). Ambos negaram, sem muita ênfase, a informação, mas confirmaram linha aberta entre os dois. Logo após esse episódio, começaram as especulações sobre a ida dos Bolsonaro para o PMB ou para o Patriotas. A filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Patriotas parece ser a senha para a filiação do pai.

Se essa tendência for confirmada, o senador Roberto Rocha, que aguardou até agora sem partido, deve se filiar também ao Patriotas. No caso, a lógica sugere que ele pleiteará o controle do partido, colocando o deputado federal Marreca Filho em segundo plano. A pergunta que se faz é a seguinte: como reagirá Josimar de Maranhãozinho? Vai fazer com que Marreca Filho passe o comando do Patriotas para Roberto Rocha e abraçar o projeto de candidatura dele ao Governo do Estado? Ou fincará pé e manterá o jovem deputado no controle da legenda em favor do seu próprio projeto de chegar ao Palácio dos Leões? Os desdobramentos da filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Patriotas dirão o que acontecerá com o partido no Maranhão.

Nesse contexto de incertezas, indaga-se também se o senador Roberto Rocha está mesmo disposto a entrar na briga pelo Governo do Estado apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro enfrentando um candidato apoiado pelo governador Flávio Dino (PCdoB), seja ele o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que será nada menos que governador na corrida às urnas, ou o senador Weverton Rocha (PDT), um político arrojado e turbinado pelo mandato senatorial. Ou tentar renovar o mandato de senador disputando a única vaga com Flávio Dino. Os próximos dias apontarão sua escolha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

André Fufuca recepcionou Eduardo Cunha na “volta por cima” dele a Brasília após prisão

André Fufuca sempre ouviu atentamente o que lhe disse Eduardo Cunha

Solto e “muito rico”, mas não livre ainda do cutelo da Justiça, segundo alguns comentaristas da Grande Imprensa, o ex-todo-poderoso presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (MDB), principal responsável pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), mas que caiu em desgraça pilhado como corrupto e foi parar na cadeia, cumpriu a ameaça de “voltar por cima” a Brasília. Em meados de Maio, ele desembarcou na Capital da República, hospedou-se em um hotel de cinco estrelas e espalhou a notícia de que estava de novo na “terra prometida”. Não demorou e começou a receber políticos de todas as correntes, cumprindo uma intensa agenda de conversas, causando em muitos a impressão de que está mesmo de volta, e disposto a frequentar de novo o centro do poder no Congresso Nacional.

Um dos primeiros deputados federais com quem se avistou foi o jovem maranhense André Fufuca (PP), com quem conversou por longo tempo e depois saiu para jantar. A primazia de André Fufuca na agenda de retorno de Eduardo Cunha tem uma explicação. Quando chegou a Brasília, em 2011, ainda muito jovem e inexperiente, André Fufuca combinou inteligência e pragmatismo e – provavelmente orientado pelo pai, Fufuca Dantas, raposa política ladina, hoje prefeito de Alto Alegre do Pindaré pela terceira vez – procurou um norte no gabinete de Eduardo Cunha, então líder do MDB, epicentro de todas as tramas em curso na Câmara Baixa, e que o acolheu como um pupilo promissor. Não demorou, o jovem parlamentar saiu do nada para a presidência da CPI das Próteses, um escândalo nacional, o que lhe deu alguma notoriedade. E sob as asas de Eduardo Cunha, André Fufuca ganhou o controle do PP, elegeu-se vice-presidente e exerceu por alguns momentos importantes a presidência da Câmara Federal, tornando-se um parlamentar de peso. A derrocada de Eduardo Cunha foi um duro golpe para o pupilo, mas ele, já traquejado pelas lições recebidas, se reelegeu em 2018 e soube manter o espaço. Atualmente, o deputado André Fufuca está de volta ao poder na Câmara Federal, agora atuando no núcleo duro que cerca o atual presidente da Casa, deputado Arthur Lira, um dos ases do seu partido, o PP.

Se Eduardo Cunha voltar ao poder, como ameaçou quando foi preso, o parlamentar certamente será um dos seus valetes.

 

Depois de anos fechado, Edifício do BEM em contagem regressiva para reabrir

Valorizado pelo espetacular painel do mestre Antônio Almeida, o Edifício do BEM será reaberto em breve

O vereador Marcial Lima (Podemos), líder do Governo Eduardo Braide, fez ontem um anúncio de importância vital para o coração de São Luís: a reabertura do prédio onde funcionou o Banco do Estado do Maranhão. Em vídeo, ele, que é jornalista, gravou entrevista com o secretário municipal de Fazenda, Jesus Azzolini, que confirmou para breve a transferência da pasta para as instalações. De acordo com o secretário, a reforma está nos toques finais, o que permitirá a mudança em pouco tempo.

A reabertura do prédio do antigo BEM, na esquina da Rua do Egito com a Rua dos Afogados, proporcionará, de cara, três importantes ganhos para a cidade. O primeiro será o reaproveitamento do edifício, que permaneceu décadas fechado e se deteriorando até ter recuperação iniciada na gestão do prefeito João Castelo (2009/2012). O segundo é que sediará a Secretaria Municipal de Fazenda e toda a estrutura fiscal da Prefeitura de São Luís, hoje sufocada nas labirínticas e desconfortáveis instalações da Avenida Kennedy. E o terceiro e mais importante dos ganhos: a instalação ali do órgão fazendário municipal revitalizará fortemente aquela área, que era intensamente movimentada, ponto de encontro com rodas de conversas durante todo o dia. Vai completar a repaginação do coração da cidade.

Com a reabertura do “Edifício BEM”, como é conhecido, vai reforçar em grande medida o retorno social e econômico do centro de São Luís.

São Luís, 01 de Junho de 2021.

 

Flávio Dino adia agenda política para manter prioridade total à guerra contra o coronavírus

Flávio Dino durante a entrevista de Sexta-Feira: decisão de adiar a articulação política para se dedicar totalmente às ações contra o novo coronavírus no estado

O governador Flávio Dino (PCdoB) resolveu suspender temporariamente o processo de articulação política visando mobilizar a aliança partidária que lidera em torno de um candidato de consenso à sua sucessão, para dedicar prioridade total à guerra contra o novo coronavírus no Maranhão. Ontem, ele suspendeu a reunião marcada para esta Segunda-Feira (31), com líderes partidários, quando iniciaria o processo de consultas para definir até o final do ano o nome do grupo para liderar a chapa da qual participará como candidato ao Senado. Até o início da tarde de ontem, Flávio Dino estava inclinado a ajustar sua agenda de Segunda-Feira para fazer a reunião, mas diante do aumento da pressão da pandemia, decidiu adiá-la para o final de Junho, quando, acredita, a situação esteja mais propícia à retomada das articulações políticas.

“A prioridade total é o combate ao coronavírus”, escreveu o governador em resposta a uma indagação da Coluna sobre a reunião. Ele passou todo o sábado mergulhado no acompanhamento da violenta pressão que a pandemia vem fazendo sobre o Sistema Estadual de Saúde – aí incluídas as redes pública e privada -, que vêm convivendo diuturnamente com a ameaça de colapso. Mesmo sendo o estado que proporcionalmente registra o menor número de óbitos em relação à população, graças ao esforço gigantesco feito pelo Governo do Estado, o Maranhão vem registrando alta no número de mortes, segundo os balanços diários feitos pelo Consórcio de Meios de Comunicação, publicados nos principais telejornais do País.

Os números do Maranhão divulgados ontem pela Secretaria de Estado da Saúde não deixam dúvida. Desde que começou a contabilizar casos e perdas, o Maranhão já registrou 289.670 casos confirmados. Desses, 26.153 foram casos ativos, que causaram 8.100 mortes, enquanto 255.417 infectados se recuperaram plenamente. Dos casos ativos, 24.620 estão em isolamento familiar, enquanto 933 encontram-se internados em leitos de enfermaria, sendo 125 na rede privada e 808 na rede pública, e 600 em leitos de UTI, sendo 119 na rede privada e 481 na rede pública. Por conta dessa pressão, A Ilha de São Luís está com 98,14% dos seus 269 leitos de UTI exclusivos para Covid ocupados, com apenas cinco desocupados. Já em relação aos 532 leitos clínicos para Covid, 91,17% estão ocupados, restando livres apenas 47.

Esse cenário, que especialistas enxergam como sendo prenúncio da chamada “terceira onda” fez com que o governador Flávio Dino tomasse a decisão de suspender temporariamente as articulações em busca de um grande entendimento entre o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e o senador Weverton Rocha (PDT), ambos pré-candidatos assumidos a governador. Há pouco mais de um mês, a Coluna publicou que o governador definira uma agenda de consultas e articulação política, trabalhando com a previsão de chegar ao final deste ano com a situação resolvida, seja com um acordo em torno de um nome, ou com os dois aspirantes partindo para o embate nas urnas. E a reunião marcada para amanhã e agora suspensa seria o primeiro passo naquela direção.

Com a previsão de que o processo será iniciado no final de Junho, quando o governador Flávio Dino espera haver clima para a movimentação política, o vice-governador Carlos Brandão e o senador Weverton Rocha terão mais um mês para trabalhar junto a aliados e fortalecer seus cacifes. Devendo o mesmo acontecer com Simplício Araújo, que se lançou pré-candidato pelo Solidariedade, partido que preside.

Além do processo de escolha do candidato da aliança situacionista à sua sucessão, Flávio Dino tem pela frente também a complexa tarefa de decidir o seu futuro partidário. Nesse contexto de incertezas, ele tem dois caminhos: apostar numa fusão do PCdoB com o PSB, dando origem ao Socialistas, pelo qual disputaria o Senado, migrar pura e simplesmente para o PSB, o que é improvável, ou então permanecer no PCdoB, encarando o risco de o partido ser engolido pela Cláusula de Barreira. Flávio Dino definiu o dia 13 de Junho, Dia de Santo Antônio, o casamenteiro, como data-limite para resolver sua vida partidária. Essa decisão também poderá ser adiada se a pressão do novo coronavírus sobre o Sistema Estadual de Saúde continuar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Josimar de Maranhãozinho mantém discurso da candidatura, mas ninguém acredita

Josimar de Maranhãozinho tem Detinha como trunfo na definição de chapa para disputar o Governo do Estado 

Por onde tem passado, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) tem dito e repetido que não abre mão de ser candidato a governador. O mantra é por ele repetido em entrevistas e lives, sustentando-o com o argumento de que tem uma base formada por um partido forte, dezenas de prefeitos, pelo menos uma dúzia de vices, três deputados federais, cinco deputados estaduais e uma grande penca de vereadores espalhados em todas as regiões do estado. E mantém o roteiro de lançar a deputada estadual Detinha, sua esposa, para a Câmara Federal. No entanto, por mais que Josimar de Maranhãozinho insista no discurso da candidatura ao Palácio dos Leões, observadores experientes enxergam nessa “cruzada” uma jogada inteligente para emplacar a deputada Detinha como candidata a vice na chapa de Carlos Brandão ou, num outro extremo, emplacá-la como Número 2 numa eventual chapa liderada pelo senador Roberto Rocha, que aguarda a definição partidária do presidente Jair Bolsonaro para resolver sua situação. Esses observadores reconhecem a força política e eleitoral de Josimar de Maranhãozinho, mas não acreditam que ele entre na disputa majoritária.

 

Roseana entra em contagem regressiva para assumir o comando do MDB

Roseana Sarney se prepara para assumir o comando do MDB no estado após um grande acordo no partido

O braço maranhense MDB deve marcar para meados de Junho a convenção extraordinária por meio da qual a ex-governadora Roseana Sarney assumirá a presidência do partido no estado, mantendo na vice-presidência o deputado Roberto Costa, que representa a ala jovem da agremiação. A mudança foi acordada há algumas semanas e colocará ponto final nas três décadas presidência do ex-senador João Alberto, o mais longevo chefe partidário do Maranhão em tempos recentes. Roseana Sarney tentou assumir o comando do MDB no final de 2018, após sofrer dura derrota nas urnas como candidata ao Governo do Estado. Naquele momento, a Ala Jovem do partido, que tentara impor um projeto mais arrojado de renovação partidária, reagiu negativamente, gerando uma prolongada crise nas fileiras emedebistas. A conciliação começou em meados de 2019, quando a Ala Jovem lançou Roseana Sarney para a Prefeitura de São Luís. Ela não aceitou a candidatura, mas baixou a guarda para uma grande conciliação, que culminou no início do ano, quando um acordo lhe assegurou a presidência do partido a partir de Junho. Um dos itens do acordo é que Roseana Sarney suspenderá a aposentadoria para de novo encarar as urnas, agora como candidata a deputada federal. Nesse contexto, o MDB dificilmente lançará candidato ao Governo do Estado ou ao Senado, devendo participar de uma grande aliança de um projeto de candidatura. Há, porém, quem aposte que esse cenário que move o MDB agora pode mudar à medida que a corrida presidencial for se definindo.

São Luís, 30 de Maio de 2021.

Othelino Neto cumpre agenda intensa e abrangente, mostrando fôlego de quem pode ir mais longe

 

Momentos da agenda de Othelino Neto ao longo do mês de Maio: presidindo sessão na AL, reunindo com o governador Flávio Dino, participando de ato no Palácio dos Leões e inaugurando hospital no interior

Num cenário agitado por conta dos estragos feitos pelo novo coronavírus e no qual a classe política começa a se mover efetivamente para as eleições gerais de 2022, notadamente os candidatos a candidato a governador, uma movimentação diferenciada vem chamando a atenção, a do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB). Chefe do mais político dos Poderes, alinhado ao governador Flávio Dino (PCdoB), o parlamentar vem cumprindo uma agenda bem mais abrangente do que normalmente é cumprida por um deputado estadual, causando a impressão de que ele batalha pela reeleição, mas também motivado pela perspectiva de que seu destino nas urnas poderá ser outro.

Othelino Neto vem surpreendendo pela habilidade política com que preside o parlamento estadual, pela normalidade que mantém nas relações, nem sempre afinadas, com os Poderes Executivo e Judiciário, e pelos passos políticos que vem dando como um dos principais articuladores do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo do Estado, sem criar uma situação de tensão com o vice-governador Carlos Brandão (PSDB). O contexto em que se movimenta o obriga a operar diretamente em várias frentes, como presidente do Poder Legislativo, como deputado estadual que visa prioritariamente a reeleição, como integrante de uma corrente que tem um projeto de poder, e como um político jovem que aproveitou com inteligência e sagacidade as oportunidades que lhe apareceram e ganhou estatura e se tornou opção para projetos mais arrojados.

A agenda que cumpriu em Maio confirma a posição diferenciada que conseguiu. Na Terça-Feira, por exemplo, participou, em Brasília, de mais uma reunião do núcleo central da pré-candidatura do senador Weverton Rocha. Na Quinta-Feira, participou, no Palácio dos Leões, de reunião com o governador Flávio Dino e o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Lourival Serejo, para definir medidas restritivas preventivas contra o risco de uma nova onda da pandemia no Maranhão. Nesse sentido, editou Resolução Administrativa suspendendo todas as atividades do Poder Legislativo até o dia 4 de Junho. Ao longo do mês de maio, cumpriu uma agenda em regime de maratona, sem prejuízo das atividades do parlamento.

No dia 03/05, Othelino Neto iniciou a maratona de compromissos no Palácio dos Leões, participando, ao lado do governador Flávio Dino, de ato de entrega de 12 mil cestas básicas do Programa Comida na Mesa, do qual participaram também os deputados estaduais Wendell Lages (PMN), Thaiza Hortegal (PP), Paulo Neto (DEM) e Ana do Gás (PCdoB). No dia 05/05, reuniu-se com o governador Flávio Dino, no Palácio dos Leões, para definir a ordem de prioridade dos projetos do Poder Executivo que constam da pauta da Assembleia Legislativa. Em 10/05, participou da festa dos 97 anos de São Francisco do Maranhão, entregando ali equipagens esportivas a atletas amadores, e anunciando recursos para a pavimentação de 4 km de ruas. Em 11/05, recebeu o prefeito de Santa Inês, Felipe dos Pneus, com quem discutiu ações para o município, um dos mais importantes do estado.

No dia 12/05, promulgou duas estaduais, as leis 11.470/21 e 11.361/21, ambas de natureza tributária, oriundas de Medidas Provisórias do Poder Executivo. Na mesma data, reuniu-se com o governador Flávio Dino e os prefeitos Toca Serra, de Pedro do Rosário, e Paulo Curió, de Turilândia, em busca de apoio para os municípios nas áreas da saúde, educação e infraestrutura. Em 14/05, tratou com o secretário de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano (Secid), Márcio Jerry, sobre a execução de emendas parlamentares. No dia 17/05, participou, no Palácio dos Leões, demais uma entrega de 12 mil cestas básicas, dessa vez para 11 municípios.

No dia 20/05, Othelino Neto (PCdoB) cumpriu agenda em Santa Helena, onde entregou cestas básicas e kits esportivos, adquiridos por meio de emenda parlamentar. No mesmo dia, a maratona prosseguiu em Tuirilândia, com a entrega de cestas básicas e de kits de equipagens esportivas. Já em 21/05, participou da inauguração de escola em Olho d’Água das Cunhãs. No dia 24/05 participou, no Palácio dos Leões, de mais uma etapa do programa Comida na Mesa. E em 26/05, Othelino Neto voltou ao Palácio dos Leões para reunião com o governador Flávio Dino em favor de Peri-Mirim e São Vicente Férrer.

Quem cumpre uma agenda com essa dimensão e esse alcance está cacifado para disputar mandatos nos níveis estadual e federal. O presidente da Assembleia Legislativa trabalha para ter uma reeleição segura, mas com disposição de dar um salto bem mais alto. Os próximos saltos indicarão o rumo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Apicum-Açu: Um crime mais chocante do que desvio de dinheiro

Inacreditável: frascos de vacina Coronavac desviada aa Prefeitura de Apicum Açu e usada pelo ex-prefeito  Cláudio Cunha e sua turma, num crime que sem classificação

De tudo que a Operação Citrus, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Maranhão, encontrou como prova de que o ex-prefeito de Apicum-Açu, Cláudio Cunha (PV), andou mesmo metendo os pés pelas mãos com dinheiro público, o mais chocante foram os frascos vazios de vacina Coronavac. A imagem dos vidrinhos a princípio nada diz, mas quando quem a vê relaciona com o contexto, a indignação vem como onda forte, difícil de conter. Os frascos vazios denunciam que essa gente, sem qualquer traço de escrúpulo, usou o poder e desviou um bem público ao qual certamente ainda não lhe pertencia. A situação cobra e a sociedade espera punição exemplar para beneficiados com esse crime.

 

Rodrigo Lago tem atuação forte no comando do Comida na Mesa

Rodrigo Lago: da burocracia à agricultura familiar

Um nome começa a ganhar destaque além do normal na equipe do governador Flávio Dino: o advogado Rodrigo Lago, secretário de Agricultura Familiar, responsável maior pelo programa Comida na Mesa, um dos mais importante do Governo do Estado nesse momento. Integrante do chamado “núcleo duro” de assessores do governador Flávio Dino, Rodrigo Lago teve papel importante na campanha de 2014 e fez parte da primeira equipe com o desafio de montar e consolidar a Secretaria de Transparência, tarefa que cumpriu à risca. Por conta do bom desempenho, foi deslocado para a cobiçada Secretaria de Comunicação e Articulação Política, substituindo a Márcio Jerry, eleito deputado federal. Em meados do ano passado, o governador Flávio Dino surpreendeu ao remanejá-lo para a Secretaria de Agricultura Familiar, vista por muitos como uma pasta de grande potencial político. Acostumado a processos, organização e sistemas, e inclinado para a boa conversa política, Rodrigo Lago entregou-se inteiramente à desafiadora tarefa de tocar programas voltados para a produção de alimentos em comunidades que precisam de assistência governamental. Pelo que se sabe até aqui, gostou do desafio. Nos bastidores, há quem diga que ele, que é discreto e atua sem alarde, se prepara para seguir os passos do pai, o ex-deputado Aderson Lago, e tentará uma cadeira na Assembleia Legislativa. Leva jeito para a coisa.

São Luís, 29 de Maio de 2021.

Além da gestão de São Luís, Braide tem desafios políticos a vencer na corrida eleitoral de 22

 

Eduardo Braide: gestão e desafios políticos na corrida eleitoral de 22

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), pulverizou de vez especulações que o apontavam como possível candidato ao Governo do Estado no ano que vem, mas confirmou registro da Coluna de que vai participar do processo político que desaguará nas eleições gerais de 2022. Sua participação efetiva no amplo leque de articulações já em andamento visando a sucessão do governador Flávio Dino (PCdoB), uma vaga no Senado, as 18 cadeiras da Câmara Federal e as 42 da Assembleia Legislativa, além da escolha do presidente da República, só se dará um pouco mais na frente, quando o peso da guerra ao coronavírus na Capital diminuir e a situação estiver sob controle total. Essas indicações, cautelosas, mas sem rodeios, como é do seu jeito, foram feitas quarta-feira (26) durante entrevista que concedeu ao programa “Ponto Continuando”, da Rádio Educadora, comandado pelos jornalistas Clodoaldo Correia, Rogério Silva e Gláucio Ericeira, numa clara sinalização de que, mesmo não disputando votos, terá participação forte no processo.

A situação de Eduardo Braide no atual contexto político do Maranhão é singular. Politicamente forte, ele comanda a maior e mais influente máquina municipal do estado, mas, diferentemente de outros líderes municipais, lidera um partido, o Podemos, pelo qual só ele se elegeu entre os 217 prefeitos maranhenses em 2020. Essa frágil condição partidária é que vai levá-lo a participar ativamente do processo eleitoral, num esforço para criar um suporte partidário que alivie a sua dependência de alianças. Hoje, o Podemos tem apenas um deputado federal – Josivaldo JP, que o substituiu -, nenhum deputado estadual, um único prefeito, ele próprio, e uma penca modesta de vereadores, entre eles apenas quatro dos 31 da Câmara Municipal de São Luís. Um cacife partidário muito modesto para um político da sua estatura, com um enorme horizonte pela frente.

Com o faro, o instinto de sobrevivência e a ambição política das raposas, e já com um bom lastro de experiência, o prefeito de São Luís sabe que tem dois desafios pela frente. O primeiro é fazer uma boa administração, justificando a grande aposta que o eleitorado fez mostrando ser um quadro que junta habilidade política com competência gerencial, o que deve demonstrar quando pleitear a reeleição em 2024. O outro é construir uma base partidária sólida, que lhe autorize sentar à mesa de negociação política com algo a mais do que sua destreza política e o seu currículo de gestor bem-sucedido. A história ensina que líder político tem de grupo e lastro partidário. E o melhor exemplo disso é o seu antecessor, Edivaldo Holanda Jr., um político ativo e bom gestor, mas que, devido a uma série de escorregões, se vê hoje sem partido, com poucas opções, sem muitos aliados e com seu futuro mergulhado em interrogações.

Nesse momento, o político Eduardo Braide é uma incógnita. Apoiado por PDT e DEM no segundo turno da disputa em São Luís, o prefeito pode vir a apoiar a provável candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), ou pode pender para a candidatura de Carlos Brandão (PSDB), numa articulação feita pelo ex-governador José Reinaldo Tavares, que o apoiou nos dois turnos da corrida ao Palácio de la Ravardière. Eduardo Braide pode ainda surpreender, numa hipótese remota, apoiando a eventual candidatura do senador Roberto Rocha (ainda sem partido). Sua discrição e uma rotina dura de trabalho o ajudam a evitar a emissão de sinais nessa direção, mas ninguém duvida que ele já se movimenta nos bastidores em busca deum suporte para tomar posição aos três candidatos a candidato.

O fato concreto é que, por haver alcançado a Prefeitura de São Luís com as suas próprias pernas, sendo ele próprio o maior responsável por suas conquistas, o prefeito Eduardo Braide é hoje nome a ser levado em conta em qualquer cenário da política maranhense. E sua participação, direta ou indireta, na guerra eleitoral do ano que vem indicará o rumo e a consistência da sua trajetória.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Chefes de Poder e MP traçam caminhos para melhorar combate à pandemia

Flávio Dino, Othelino Neto, Lourival Serejo e Eduardo Nicolau: ações articuladas contra o novo coronavírus

Todos os esforços possíveis serão acionados para ampliar o número de leitos para tratamento da Covid no Maranhão. Foi essa a decisão central da reunião realizada ontem pelo governador Flávio Dino (PCdoB), com o presidente do Judiciário, desembargador Lourival Serejo, o presidente do Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB), e o procurador geral de Justiça, Eduardo Nicolau. Os chefes de Poder e o do MP resolveram ainda acionar o Ministério Público, a Defensoria Pública e o Tribunal de Contas para, numa força conjunta, criar mecanismos que acionem os prefeitos para agilizar no processo de vacinação nos municípios, mediante a informação de que pelo menos 600 mil doses de vacina entregues a prefeituras ainda não foram aplicadas, o que, segundo o governador Flávio Dino, cria um grande embaraço para o Governo do Estado. Na avaliação geral, o Maranhão precisa continuar conscientizando a população da importância das medidas preventivas e reavaliando as medidas restritivas, descartando-se, por enquanto, o lockdown.

“Estamos, há 15 meses, enfrentando o coronavírus todos os dias. E vamos continuar, mas chegamos a um patamar em que precisamos de ampla colaboração e o saldo positivo é que os poderes estão unidos para fazermos o que precisa ser feito. Há objetivos socioeconômicos e as instituições vão analisar sugestões que enviarão ao Governo do Estado, para outros momentos em que tenhamos que reexaminar nossos decretos, como vários estados estão fazendo”, declarou o governador Flávio Dino, depois de detalhar o cenário da Covid no Maranhão e as ações em curso para combatê-la.

O presidente Othelino Neto, frisou que o cenário é preocupante e reforçou o apoio da Assembleia Legislativa à tomada de providências. “É uma ampla mobilização de todos os poderes e órgãos constitucionais para que todos nos sensibilizemos com este momento e, assim, evitar consequências mais graves no Maranhão”, disse, sugerindo que sejam solicitados leitos ao Hospital Universitário, “que tem na sua estrutura a possibilidade imediata de ampliação”.

O presidente do TJ, Lourival Serejo, destacou a união de esforços para tomar decisões: “Temos dados suficientes para tomarmos as providências necessárias. Aproveito para convocar a população para que tome consciência desse momento que estamos vivendo e que respeitem a vontade de viver do vizinho. A situação é séria e temos que estar unidos. Vamos ter cuidado com a saúde, a sua e a do próximo”.

Mesmo não comandando uma instituição executiva, o procurador geral de Justiça Eduardo Nicolau foi simples e direto ao posicionar o Ministério Público no contexto da crise: “Estamos à disposição e o faremos tudo que for possível para passarmos essa crise atual. Estamos atentos e vamos tomar todas as medidas possíveis para que possamos sair desta crise com menos mortes”.

Entre os 27 estados da Federação, são raros os que estão enfrentando o novo coronavírus com os Poderes tão bem articulados com o Maranhão.

 

Brandão e Lago levam ações do Comida na Mesa a Santa Inês

Carlos Brandão, entre Rodrigo Lago e Felipe dos Pneus: ação social em apoio a famílias carentes na pandemia

Enquanto o governador Flávio Dino comandava a reunião com chefes de Poder para avaliar o cenário e reforçar a luta contra a pandemia, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) comandava a entrega ações do Programa Comida na Mesa em Santa Inês. Acompanhado do secretário de Agricultura Familiar, Rodrigo Lago, o número dois do Governo se reuniu com o prefeito de Santa Inês, Felipe dos Pneus, na entrega simbólica de cestas básicas a famílias carentes.

– O Comida na Mesa foi criado para garantir a segurança alimentar das pessoas, muitas perderam seus empregos e o programa veio ajudar. São três eixos importantes do Comida na Mesa: distribuição de cestas básicas para famílias com baixa renda, garantia de mais uma refeição nos Restaurantes Populares no valor de R$ 1, e distribuição de Vale Gás para 119 mil famílias. Portanto, são ações que atendem a população que mais necessita – destacou o vice-governador.

Responsável direto pelo programa como comandante do Sistema de Agricultura Familiar, o secretário Rodrigo Lago enfatizou a importância do programa, principalmente, para a agricultura familiar: “Temos cestas básicas com produtos adquiridos dos agricultores familiares para ajudar na geração de renda desse público. O programa também conta com investimentos na entrega de equipamentos agrícolas para incentivar os trabalhadores rurais, como a entrega dos kits feiras”.

Por seu turno, o prefeito Felipe dos Pneus assinalou que “o Governo do Maranhão fez essa doação de cestas e também do Vale Gás ao município, uma parceria importante que beneficia a população que mais precisa agora”.

São Luís, 28 de Maio de 2021.

CPI da Covid pode arranhar imagem de Edivaldo Jr. ou confirma-lo político sem mácula ética

 

Edivaldo Holanda Jr.: politicamente isolado, distante do Palácio dos Leões e agora sob risco de ir à CPI

Cinco meses após deixar o comando da Prefeitura de São Luís montado numa confortável sela de prestígio, resultado dos oito anos que passou dando as cartas no Palácio de la Ravardière, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. corre o risco de ter a imagem de correção da sua gestão gravemente arranhada pela CPI da Covid. Politicamente isolado, sem partido- saiu recentemente do PDT -, causando a impressão de que enfrenta sérias dificuldades para se reinserir na aliança comandada pelo governador Flávio Dino, o ex-prefeito será convocado para depor no rumoroso caso da compra de máscaras superfaturadas pela Secretaria Municipal de Saúde, na fase inicial da chegada do novo coronavírus na Capital do Maranhão. A encrenca – que uns avaliam como grave e outros que não irá além do constrangimento dos depoimentos – atinge em cheio o ex-secretário municipal de Saúde, Lula Filho, que na época foi exonerado, causando forte mal-estar na Prefeitura de São Luís.

Até prova em contrário, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. não teve participação na rumorosa e, ao que parece, desastrada, compra de 20 mil máscaras pela Secretaria Municipal de Saúde, cuja investigação foi batizada pela Polícia Federal como “Operação Tempo Real”. De acordo com a PF, a compra de máscaras com superfaturamento teria envolvido o secretário Lula Fylho e um grupo de servidores da pasta, que teriam agido como “uma quadrilha”, impondo prejuízo de quase R$ 500 mil aos cofres da Capital. Diante da denúncia, Edivaldo Holanda Jr. exonerou Lula Fylho em meio a um forte mal-estar dentro e fora do governo municipal. Meses depois, a PF fez buscas na residência de Lula Fylho e outros envolvidos na denúncia, apreendendo joias e mais de R$ 200 mil em espécie.

O então prefeito Edivaldo Holanda Jr. praticamente não se manifestou sobre o caso, como que calculando que o silêncio seria a sua melhor postura. Afinal, nos seis anos de gestão vencidos até aquele momento nenhuma denúncia grave de desvio tinha vindo à tona, o que dava ao prefeito Edivaldo Jr. a justa estatura de governante correto na liderança de um governo sem mácula. Tal imagem, além de atrair o reconhecimento público a uma administração limpa e eficiente, carimbou Edivaldo Holanda Jr. como um gestor de excelência, um exemplo a ser seguido. Afinal, gestões de capitais importantes, como a do Rio de Janeiro, por exemplo, foram marcadas pela chaga da corrupção escandalosa, que levou o prefeito Marcelo Crivella a ser trucidado nas urnas ao tentar a reeleição, correndo agora o risco de parar na cadeia.

Edivaldo Holanda Jr. deixou a Prefeitura de São Luís com os méritos de bom gestor, tanto no campo administrativo, com resultados surpreendentes em todas as regiões da cidade, a começar pelo Centro, quanto na delicada seara ética, na qual parece ter enveredado rigorosamente dentro da linha.

O seu desempenho administrativo lhe deu estatura política para ser apontado como um quadro destinado a ter participação destacada nas eleições do ano que vem. Foi lembrado como um bom candidato a vice, nome forte para o Senado, e até mesmo como candidato a governador, dependendo das circunstâncias. Politicamente, Edivaldo Holanda Jr., que fora fortemente apoiado pelo grupo dinista na eleição em 2012 e na reeleição em 2016, se omitiu ostensivamente em 2020, dando as costas para o candidato apoiado pelo seu partido, o PDT, e para o candidato do Palácio dos Leões, construindo assim os muros do isolamento em que vive, quando as forças começam a se articular para a guerra eleitoral do ano que vem.

A convocação para a CPI da Covid, se aprovada, poderá criar-lhe embaraços de elevado custo político, ou poderá lhe dar a oportunidade de eliminar suspeitas e se reafirmar como um político de estatura.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Grupo liderado por Weverton Rocha se reúne em Brasília para avaliar corrida aos Leões

Weverton Rocha tendo à direita Othelino neto, Osmar Filho, Juscelino Filho, Erlânio Xavier e Glaubert Cutrim e à esquerda Eliziane Gama, Pedro Lucas Fernandes, Neto Evangelista, Gil Cutrim, Márcio Honaiser, (?) e Carlos Madeira, ontem, em Brasília  

O comando informal, mas ativo, do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo do Estado, realizou ontem mais uma reunião em Brasília. Oficialmente, o grupo se reuniu para avaliar o quadro da pandemia no Maranhão e discutir medidas a serem sugeridas ao Governo do Estado e às Prefeituras. Oficiosamente, o comando avaliou o cenário da corrida ao Palácio dos Leões até aqui e alinhavou os próximos passos que o senador e seus aliados darão no sentido de viabilizar o projeto de candidatura.

Liderados pelo senador Weverton Rocha, reuniram-se ontem, no gabinete do pedetista, a senadora Eliziane Gama (Cidadania), o presidente da Assembleia Legislativa, os deputados federais Juscelino Filho, que preside o DEM no Maranhão, Pedro Lucas Fernandes, agora no comando do PSL, e Gil Cutrim (Republicanos), o presidente da Assembleia Legislativa Othelino Neto (PCdoB), o vice-presidente Glaubert Cutrim (PDT) e o deputado Neto Evangelista (DEM), o presidente da Famem, Erlânio Xavier (PDT), o presidente da Câmara de São Luís Osmar Filho (PDT) e o secretário de Desenvolvimento Social, Márcio  Honaiser, que é deputado estadual pelo PDT. Além deles, o ex-juiz federal e ex-candidato a prefeito de São Luís pelo Solidariedade Carlos Madeira (cujo papel no grupo ninguém soube explicar até agora). Ausente apenas o deputado federal Cléber Verde, que preside o Republicanos e integra o grupo.

A reunião de ontem – a segunda realizada com esse formato e com essa agenda – demonstra que o senador Weverton Rocha continua firme e forte na viabilização do seu projeto de candidatura, medindo força com o seu principal adversário, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), também empenhado em se viabilizar.

 

Assis Ramos não quis servir de tiete para Jair Bolsonaro

Assis Ramos 

Surpreendente a postura do prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (DEM), em relação à passagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pela Região Tocantina. Convidado a fazer parte do “comitê de recepção” ao chefe da Nação em Açailândia, para assistir à entrega de alguns títulos de terra – ato para o qual um presidente realmente preocupado que uma pandemia com saldo parcial de 450 mil vítimas escalaria um ministro -, o prefeito preferiu não comparecer. Indagado sobre a não ida, Assis Ramos foi claro: não tem vocação para tiete. E explicou que o convite só lhe exigia a presença física, sem lhe dar sequer o direito de usar a palavra, o que o transformaria em membro de clac. É isso aí.

São Luís, 27 de Maio de 2021.

Se acontecer, fusão do PCdoB com o PSB criará um partido poderoso no Maranhão

 

Flávio Dino terá influência decisiva na discussão sobre a fusão do PCdoB/PSB pelo Socialistas

O governador Flávio Dino ainda está discutindo o assunto com aliados e dever aguardar a primeira semana de Junho para definir sua posição a respeito do projeto de fusão do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) com o Partido Socialista Brasileiro (PSB) para formar um autêntico e forte partido de centro-esquerda, o Socialistas. Se a negociação for bem-sucedida, o novo partido medirá força com o PT como referência da chamada esquerda democrática, e nascerá especialmente forte no Maranhão, onde terá o governador Flávio Dino como o seu líder maior. Se a fusão for acertada e consumada como está se desenhando, o grupo que hoje controla o PCdoB provavelmente assumirá o comando da nova legenda, e com a possibilidade de ser o principal aliado do PSDB na base da provável candidatura do vice-governador Carlos Brandão, ou manter a declaração de apoio já feita pelo comando do PSB à pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT). Um dos principais negociadores dessa importante equação partidária, Flávio Dino deve ser o seu candidato ao Senado e sua principal referência na corrida eleitoral.

A possível fusão do PCdoB com o PSB provocará uma expressiva mudança no perfil da aliança partidária comandada pelo governador Flávio Dino, que vai liderar uma agremiação bem mais forte do que o PCdoB. Se vier mesmo a ganhar vida, o braço maranhense do Socialistas entrará em campo com o governador, três deputados federais (Márcio Jerry e Rubens Jr. do PCdoB e Bira do Pindaré do PSB), cinco deputados estaduais (Othelino Neto, Marco Aurélio, Adelmo Soares, Ana do Gás e Carlinhos Florêncio do PCdoB e Edson Araújo do PSB), 22 prefeitos do PCdoB e seis do PSB, totalizando 28, e com a soma de um elevado número de vereadores. Ou seja, um partido forte, que ultrapassará o Republicanos (25) e poderá até mesmo vir a ameaçar perigosamente o PL (40) e o PDT (42) em número de prefeitos.

Ao mesmo tempo, se vier mesmo a nascer, como estão soprando os ventos na seara política, a nova agremiação partidária nascerá com uma feição ideológica mais identificada com o governador Flávio Dino e com o atual presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, que pregam as linhas de ação de uma esquerda moderada. Isso não quer dizer que as atuais lideranças do PSB, como o atual presidente estadual do partido, o ex-prefeito de Timon, Luciano Leitoa, formem uma corrente dentro do partido. Político experiente e identificado com o conceito de unidade e de aliança partidária, o governador Flávio Dino dificilmente permitirá a formação de divisões internas no novo partido.

Se vingar, como estão sussurrando nos bastidores, o Socialistas chegará ao mundo com um desafio e tanto: se posicionar a favor do tucano Carlos Brandão (PSDB) ou do pedetista Weverton Rocha na corrida ao Palácio dos Leões. No cenário atual, se não houver um acordão em torno de um deles, o PCdoB tende as apoiar o projeto de candidatura de Carlos Brandão, enquanto a cúpula do PSB já declarou apoio à de Weverton Rocha. Se prevalecer a lógica, o novo partido pode pender para o vice-governador. Há quem aposte que o eventual nascimento de uma legenda com a soma de forças do PCdoB e do PSB favorecerá a negociação de um grande acordo em torno de um candidato da aliança dinista.

Se o Socialistas não acontecer, é possível que o governador Flávio Dino e seus aliados mais próximos deixem o PCdoB e migrem para o PSB, criando nesse caso um cenário tão imprevisível quanto improvável. O governador trabalha também com o Plano C, que é permanecer no seu partido e tocar a vida torcendo para que o PCdoB velho de guerra não seja degolado pelas regras implacáveis da Cláusula de Barreira. Nada disso, porém, deve perturbar sua caminhada em direção ao Senado da República.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Oportuna a sugestão de Sarney para Hildo Rocha abrir o debate sobre parlamentarismo

José Sarney orienta Hildo Rocha a debater parlamentarismo a Câmara Federal

Oportuna a sugestão feita pelo o ex-presidente José Sarney (MDB) para que o deputado federal Hildo Rocha (MDB) inclua na pauta da Câmara Federal um debate sobre o esgotamento do presidencialismo e a possibilidade de substituí-lo pelo parlamentarismo.

O tenso cenário político mundial, agora agravado pela pandemia do novo coronavírus, vem mostrando com nitidez espantosa que o presidencialismo é um sistema de Governo em franco esgotamento em todas as regiões do planeta, com clara tendência de governos presidencialistas se transformarem em regime ditatoriais. O que acontece na Rússia, com o regime de força de Vladimir Putin, e em Belarus, na Hungria, na Indonésia, na Síria, no Egito, na Turquia, na Venezuela, para citar alguns casos de ditadura escancarada, exemplos indiscutíveis da falência do presidencialismo. Tais sintomas apareceram agora na mais sólida e influente democracia do mundo, os Estados Unidos da América, com a inacreditável passagem de Donald Trump pelo poder. Tais crises não ocorrem nos países com sistema parlamentarista, mesmo os monarquistas, como a Inglaterra, por exemplo.

Mas o melhor exemplo da superação do presidencialismo ocorre no Brasil com o presidente Jair Bolsonaro, um político medíocre, limitado, com nítida e assumida vocação autoritária e sem a menor noção do que é o País em termos geopolíticos, culturais e regionais, sendo absolutamente desinformado em relação aos problemas sociais e econômicos nacionais, e quanto ao papel e a importância desse gigante continental no contexto mundial. Jair Bolsonaro saltou do quase anonimato do chamado baixo clero para a presidência da República. E só não deu um golpe de Estado para se tornar ditador porque, felizmente, as instituições brasileiras já têm alguma solidez.

Num regime parlamentarista, o deputado Jair Bolsonaro jamais chegaria a primeiro-ministro, e muito provavelmente não faria sequer parte de um gabinete como ministro. Nem seria presidente num regime parlamentarista, que via de regra exige um líder moderado e equilibrado, mais empenhado em resolver conflitos, como faz o mundialmente respeitado presidente reeleito de Portugal, Marcelo Rabelo de Souza, um democrata de viés conservador, e não um chefe de Estado diuturnamente empenhado em gerar conflitos como forma de sobrevivência.

A sugestão do ex-presidente José Sarney – ele próprio um líder equilibrado, que conduziu de maneira exemplar a transição da ditadura para a democracia – ao deputado Hildo Rocha é politicamente saudável e oportuna.

 

Escolas do Estado vão distribuir absorventes a estudantes em idade menstrual

Yglésio Moyses indicou

O Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Educação, distribuirá materiais de higiene menstrual nas escolas públicas da rede estadual. O anúncio foi feito pelo deputado Yglésio Moyses (PROS), autor da indicação, por meio da qual solicitou a inclusão da Política de Saúde da Mulher nas escolas públicas estaduais. A ideia é distribuir absorventes às estudantes, como forma de garantir que não deixem de frequentar a escola no período menstrual. O parlamentar, que é médico e faz política com viés fortemente social, fez a indicação com base na constatação de que muitas adolescentes deixam de frequentar a escola no período menstrual porque não têm condições de manter a higiene por não poder comprar absorventes, vivendo o que ele definiu como “pobreza menstrual”. Segundo o parlamentar, nada menos do que 25% das estudantes em idade menstrual não têm condições de adquirir materiais básicos de higiene menstrual, situação agravada com a pandemia. O governador Flávio Dino e o secretário Felipe Camarão encamparam a indicação.

São Luís, 26 de Maio de 2021.