Encontro de Weverton com Lula mostra que o senador está determinado a consolidar projeto de poder  

 

Weverton Rocha e Lula da Silva: encontro em Brasília tratou do Brasil e do Maranhão

Em meio à medição de forças que trava com o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) na disputa pela vaga de candidato ao Palácio dos Leões pela aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), o senador Weverton Rocha (PDT) marcou tento importante ao se encontrar com o ex-presidente Lula da Silva (PT), nesta Terça-Feira, em Brasília, durante jantar com a bancada petista no Senado, com a participação da presidente da legenda, deputada federal Gleise Hoffmann. Weverton Rocha foi recebido como um parceiro de sempre, dispensando o mesmo tratamento ao ex-presidente. Os dois conversaram sobre o Brasil e o Maranhão, provavelmente rascunhando as bases de uma relação que pode produzir frutos importantes na corrida eleitoral do ano que vem. Não foi por acaso que o líder do PT no Senado, o senador paraense Paulo Rocha, convidou o senador maranhense para um jantar do qual participaram apenas senadores petistas. Ambos têm interesse maiúsculo numa boa relação PT/PDT na importante e decisiva corrida eleitoral que se aproxima.

Da parte do senador Weverton Rocha, interessa sobremaneira uma aliança do PT com o PDT no Maranhão no bojo do seu projeto de candidatura. O senador sabe que o PT tende a se inclinar para uma aliança com o PCdoB em apoio ao projeto de candidatura do vice-governador Carlos Brandão. Tem consciência de que o posicionamento do PT maranhense depende do caminho a ser traçado pelo governador Flávio Dino com o líder petista. Daí a importância vital do estreitamento da relação com o ex-presidente. Weverton Rocha avalia, com faro de raposa, que o apoio do PT tem peso importante na disputa do Governo do Maranhão. Tanto que o governador Flávio Dino trata o partido de Lula da Silva como parte da aliança partidária que lidera, com espaço no Governo e, mais recentemente, com a indicação do deputado petista Zé Inácio como vice-líder do Governo na Assembleia Legislativa.

Da parte de Lula da Silva, uma boa relação com o senador maranhense tem importância no jogo sucessório. O ex-presidente sabe que Weverton Rocha, por haver herdado o comando do partido fundado pelo ex-governador Jackson Lago, e pela ligação que mantém com a cúpula do partido, da qual faz parte, agora mais ainda como senador, tem grande peso nas decisões do PDT. O comando petista vê a pré-candidatura do ex-governador cearense Ciro Gomes como um obstáculo ao projeto do PT de voltar ao Poder com a candidatura de Lula da Silva ao Palácio do Planalto. O senador Weverton Rocha bem que pode intermediar uma negociação que possa resultar num acordo ligando Lula da Silva e Ciro Gomes, fechando uma aliança PT/PDT no plano nacional, com reflexo integral no Maranhão.

Em política, o que é aparentemente viável muitas vezes não chega sequer a ser configurado como uma possibilidade. No Maranhão, mesmo levando em conta o fato de que recentemente o PT se manteve por mais de uma década aliado ao MDB, tendo apoiado a candidatura de Lobão Filho contra Flávio Dino em 2014, a relação do partido de Lula da Silva com o PCdoB mudou radicalmente. Flávio Dino e o PCdoB estiveram na linha de frente contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e na cruzada contra as condenações e a prisão do ex-presidente. Hoje, mesmo considerando que na política do Maranhão ´boi voa com asa quebrada`, no dizer de velhas raposas, é impensável uma disputa pelo Palácio dos Leões e pelo Palácio do Planalto com o PT em lado oposto ao PCdoB.

A política, vale lembrar, evolui com conversa, e a ida de Weverton Rocha a Lula da Silva mostrou que o senador está determinado a consolidar seu projeto de candidatura, e que as portas no PT estão abertas para conversa, por mais previsível que seja o seu desfecho neste caso.


PONTO & CONTRAPONTO

 

Com troca de comando na Educação, Braide mandou recado direto à equipe

Eduardo Braide: recado direto

Ao trocar o comando na Secretaria Municipal de Educação, tirando a vice-prefeita Esmênia Miranda (PSD) e nomeando o economista Marcos Moura, além de tomar uma providência administrativa arrojada e destinada a dar uma nova dinâmica à pasta, na qual os estragos causados pelo novo coronavírus são particularmente dramáticos, o prefeito Eduardo Braide (Podemos) mandou um recado direto e sem rodeios: não existe “indemissíveis” na sua equipe. Com isso, o prefeito de São Luís reafirma o discurso de campanha segundo o qual sua equipe será avaliada pelo desempenho, e não por relações pessoais ou políticas. Fonte com trânsito na Prefeitura de São Luís, incluindo o Palácio de la Ravardière, avalia que o recado foi entendido com clareza, mas sem surpresa para muitos. Esses já sabiam que o prefeito é exigente e meticuloso, e com uma característica que faz toda diferença: é estudioso e obcecado pelo trabalho, o que aumenta sua autoridade.

 

Roberto Costa diz que MDB se renova e está aberto ao diálogo

Roberto Costa: MDB está aberto ao diálogo com todas as correntes

“O MDB tem de olhar para frente e não para o retrovisor”. Foi o que disse ontem o vice-presidente e principal articulador do partido, deputado Roberto Costa, em discurso na Assembleia Legislativa, no qual afirmou que o MDB está em busca de um caminho que o leve a um futuro adequado no contexto político estadual, por meio do diálogo. Isso quer dizer que o MDB está aberto a conversas com o PDT, em torno do senador Weverton Rocha, ou com o PSDB, visando participar do projeto de candidatura do vice-governador Carlos Brandão. “Podemos dialogar até com o governador Flávio Dino (PCdoB)”, disse o líder da ala jovem, que vem sacudindo o MDB e atualizando suas principais lideranças, como a ex-governadora Roseana Sarney.

O discurso do deputado Roberto Costa é direto. Ele defende que o MDB abra e mantenha canais de diálogo com as mais diferentes correntes partidárias, de modo a encontrar parceiros confiáveis, com os quais possa dialogar somar forças. “Temos a compreensão da importância que o nosso partido tem no processo político e sabemos acima de tudo que nós temos que ter a responsabilidade não de olhar para o retrovisor, mas de visualizar o futuro”, destacou.

E completou: “E quando a gente fala força política, as forças políticas, nós não estamos fazendo nenhum tipo de veto, absolutamente, de ninguém. Não tem problema em se pensar, em sentar e em discutir com o senador Weverton (Rocha), do PDT, ou com o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), podendo incluir o governador Flávio Dino (PCdoB). Isso não é acordo, é diálogo, que pode resultar, sim, na construção de um acordo no futuro”.

Vale lembrar que agora em Junho o MDB realizará convenção extraordinária para mudança de comando, já estando acertado que o comando partidário será entregue à ex-governadora Roseana Sarney.

São Luís, 06 de Maio de 2021.

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